O dia em que eu distribui amor nas ruas


Era sexta feira, o dia em que eu vou almoçar com o meu namorado. Detesto rotinas, mas essa rotina eu detesto ter que esperar para realizar. Estava saindo de casa e encontrei uma mochila largada no meio da rua. Olhei para um lado e depois para o outro, não havia ninguém na rua que poderia me dizer de quem era aquela bolsa. Optei então por abrir e olhar, não havia um documento sequer, gelei. O que fazer com aquelas notas flutuantes no fundo da mochila de lona áspera? Pensei, vou esperar, alguém irá aparecer. Voltei para casa e guardei-a. Subi a rua correndo, o que depois me fez ter a sensação que iria morrer e que meus pulmões haviam sido arrancados do meu peito, mas no fim, deu tudo certo, voltei a respirar normalmente. 

Perguntei para o moço do armazém se alguém havia perdido um bolsa, assim, como quem não quer nada, mas ele nada sabia. Minha mãe ficou encarregada de perguntar para os demais na rua. Mas nada mudou a situação da bolsa, ela continuava lá, inerte, esperando que alguém a salvasse. 

Quando cheguei em casa à noitinha constatei que aquilo deveria tomar um rumo, e logo de preferência. Liguei para um asilo e pedi o número da conta para depósito. Depositei 20% da quantia. Depois com mais ou menos 5% do dinheiro depositei para mais ou menos uns 3 anos de consultas com meu psicólogo. Guardei 5% pra mim, mas ainda assim sobraram 70% do dinheiro, o que eu faria? 

Então peguei uns envelopes vermelhos, escrevi a palavra "amor" em cada um, e cara, isso foi cansativo demais! Coloquei uma nota com um valor considerável em cada um, coloquei-os detro de uma sacola e sai nas ruas. Parei algumas pessoas e perguntei o que elas mais precisavam, algumas paravam, outras só faziam um sinal negativo com as mãos, mas por fim, aquelas que me dedicaram 5 minutos eu entreguei amor, um abraço, um carinho e aquele envelope com dinheiro. Algumas pessoas não falaram nada, outras riram, teve aquelas que choraram, e teve aquele senhor que disse que iria usar pra tomar um banho e comprar umas roupas, ele morava em frente á um banco. Pra esse senhor eu dei mais amor, porque era ele que mais precisava.

Aquele senhor nunca mais foi visto nas ruas. Eu continuo sendo uma anônima que doou sete dígitos para um asilo, que deu dinheiro nas ruas e que gritou com uns homens, mas que conseguiu fugir no meio da confusão. Não sou nada melhor que ninguém, afinal, eu usei 10% para meu uso pessoal, de uma bolsa cheia de dinheiro que não faço ideia de quem seja, não houveram roubos, perdas ou nada parecido noticiado no jornal. Caiu dos céus? Não sei, sei que do céu caem pingos de chuva. 


256. Encontrou uma bolsa cheia de dinheiro e sem documentos.

10 comentários:

  1. Lindo, Lindo! Achei sensacional o rumo tomado pela história! Acho que dá para distribuir amor de diversas formas, o importante é ter essa boa vontade que as vezes nos falta! Beijos!
    Colorindo Nuvens

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    1. Ahh, obrigada querida! Eu estava bem emocionada quando escrevi!

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  2. Fico imaginando como não seria incrível poder sair distribuindo amor desse jeito pra quem precisa mesmo <3

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  3. que texto mais liiiindo, peloamordedeus! o modo que voce escreve é lindo, poético, quero ler tudo, sério haha esse texto dá aquela crença na humanidade, proque sabemos que ainda tem pessoas assim por aí, é bom lembrar disso :)

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    1. Que booooom que tu gostou! eu estava bem sensível nesse dia e dai saiu uma coisa bem legal mesmo!

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