O quão velha eu sou!

Há algum tempo eu participei dessa brincadeira que a página "Artes Depressão" propôs. Dizer o quão velho se é sem dizer sua idade, então escrevi esse pequeno textinho para dizer o quanto sou uma senhorinha! Mas, não ousem perguntar minha idade, não se faz isso para uma dama! u.u
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Lembro-me claramente daquele dia conturbado em que as ilhas vulcânicas, situadas no atual Oceano Atlântico entre a Europa e as Américas, foram submersas pelo mal instalado no meu seu interior. Foram semanas sofridas nas embarcações precárias para abrigar tantas pessoas do nosso povo, porém quando parei de contar os dias e semanas pude começar a sentir o ar gelado das terras frias, meu coração se partiu e entendi que jamais voltaria a ver terra tão bela quanto aquela que um dia foi meu lar. Foram muitos anos para me acostumar com os dias curtos e sem sol. Quando o inverno chegava, eu me prendia as minhas lembranças do sol, dos parreirais, das campinas verdejantes e dos templos de pedra branca cuidadosamente erguidos. Bons tempos aqueles em que a Grande Biblioteca era meu lugar preferido, e de quando anoitecia e nós ficávamos observando o céu a procura de presságios nas constelações. Em que a inocencia reinava no meu coração e eu não tinha o discernimento para perceber as tragédias a minha volta. Penso que a igniorância pode ser uma forma de salvação, o conhecimento trás muitas obrigações e responsabilidades, mas não me arrependo, segui o caminho que meu coração trilhou. Porque, através de mim e dos meus que um dia chegaram nas terras semi alagadas em que a névoa cobria sutilmente as raízes nos dias frios, as civilizações poderam partilhar dos ensinamentos do Grande Império que afundou no mar. Hoje somos uma lenda, lembrados por nossa poderosa tecnologia, que era tão comum quanto falar ao celular e também pela catástrofe que trouxemos para os nossos descendentes: a morte. 
Baseado nas leituras de Marion Zimmer Bradley.

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