Texto sem nome...


Eu queria poder me libertar. Ser livre e voar, sem ter alguém para me prender ou dizer que devo fazer algo que não me agrada. Sinto-me sufocada, me afogo em minhas mentiras a cada instante que passa, mentiras ditas a mim mesma para tentar me convencer de algo.

Todos nós queremos colo, todos nós precisamos de um abraço acolhedor, de alguém que se importe conosco, de uma ligação inesperada, daquela voz aveludada no outro lado da linha te perguntando se está bem.

Eu só queria poder chorar e gritar pra todos ouvirem que o amo, mas ninguém quer ouvir, ninguém aceita isso vindo de mim. É triste não poder ficar com quem se ama, é sufocante, é sorrir todos os dias com um espinho cravado em seu pé, é uma dor que não passa, se disfarça, mas sempre está lá.

Eu sempre fui travada nesse sentido, sempre tive dificuldades em me abrir e confessar o que sentia, sempre achei que me xingariam ou não entenderiam. E realmente, não entendem, eu preciso viver isso, mesmo que digam “isso passa”, “isso é paixão que logo acaba”, deixem me viver isso, se vocês tiveram, deixe-me ter.Enquanto o encanto não passar, será doloroso para mim, será doloroso para os outros.

Sou muito sentimental, sei disso, talvez esse seja meu ponto fraco, mas também o mais forte. Quero fazer minhas escolhas, quero alçar vôo, já está na hora de andar com minhas próprias pernas. Neste momento gostaria de ser mais velha e independente, é irritante depender dos outros, ser mandada e ter que obedecer, minha vida, minhas escolhas, por mais erradas que sejam, quero tentar, dêem-me um voto de confiança.

2 comentários:

  1. A certeza não mais nos pertence...vivemos num mundo de muitas opções, de praticamente tudo: carros, amores, cores, roupas, diversão, trabalho...Como não podemos mudar o mundo, temos de nos adaptar, sob pena de nos deprimirmos reiteradas vezes com isso. Mas não uma adaptação submissa, cabisbaixa...uma adaptação transformadora, analisando essa loucura mágica que é o mundo e revendo nosso papel frente a tudo que conhecemos - não tão bonzinhos quanto os fraternos, nem tão amargos quanto os cínicos, mas compreendendo os dois como peças de um mesmo sistema que, conforme diz a sábia cultura oriental, precisa do bem e do mal para existir em equilíbrio (os mesmos sentimentos que equilibram nossa alma)...

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