A Rosa de Miguel - Capítulo 3 - Meu noivo, Meu anjo! (parte 1)


Ela travara, seus pés estavam presos ao chão, sua mãe parara a olhando, confusa sem saber por que a filha não estava andando. Não podia ser como ele... Como ele estaria na loja de sua mãe, e ainda por cima, sendo seu noivo.

– Perdão senhorita, deixe-me apresentar apropriadamente. Miguel Vau, e a partir de agora, um amigo e criado, de coração abeto. – ele sorria docemente como sempre, fitando-a como uma criança que esconde um segredo de um adulto.

Ela podia ouvir em sua cabeça ele sussurrando... “shiii aja naturalmente, nós não nos conhecemos... lembra Rose...”. Ela então se recomporá, andando até a mãe e logo estendendo a mão para o jovem a sua frente. Ele segurara cuidadosamente sua mão e lhe dera um pequeno beijo na mesma. Ela estremecera, tirando a mão rapidamente, completamente sem jeito.

– Rose Waterhouse. E, obrigada por aceitar a proposta de meu pai!

– Não, está enganada!

– Como? Não entendi! – fitava-o confusa, como assim não?

– Não fora seu pai que me fizera à proposta de casamento com a senhorita, mas sim eu. Eu pedi sua mão ao seu pai! – a fitava com aquele olhar seguro e profundo, esboçando uma leve risada nos lábios.

Então todo esse tempo ele não fora um sonho, ele era real e vamos nos casar! Meu deus, que felicidade. Rose mal podia conter-se, embora ainda muito confusa e desconfiada, não sabia como portar-se diante daquele com que sonhara freqüentemente.

Safira olhou para os dois, eles estavam vidrados um no outro sem dizer nada, era uma aura calma e aconchegante, ela não entendia muito bem, mas resolvera deixá-los sozinhos, tinham que se conhecer já que o casamento seria em três meses.

– Bem, irei deixá-los sozinhos! – disse ela sorrindo.

– Não será necessário senhora, nós vamos andar um pouco não é Rose?! – disse Miguel fitando fixamente os olhos cor de mel de Rose.

– Ah! Sim, sim mamãe, não há necessidade, fique na loja, já que está aberta! – falava com a mãe sem tirar os olhos de seu noivo.

A mãe rira discretamente, voltando para suas flores sem dar atenção ao jovem casal. Assim, Miguel logo estendera o braço para que Rose pudesse passar o seu por ele e lentamente se retiravam do estabelecimento, andando calmamente pelo jardim enquanto uma leve brisa soprava. Era agradável caminhar nesta época do ano, não estava quente nem frio, Rose até fechara os olhos sentindo seus cabelos voarem fazendo cócegas em seu rosto.

Percebendo que Rose havia fechado os olhos e aproveitando seu momento de distração, ousa roubar-lhe um beijo. Inclinando-se levemente, Miguel aproxima seus lábios dos da jovem, os tocando suavemente.

Ela abrira os olhos no momento em que sentira os lábios de Miguel nos dela. Mal podia acreditar que o que ela mais queria estivesse acontecendo, porém, ao abrir os olhos acabou fazendo com que ele se afastasse, pigarreando levemente tentando inutilmente esconder o rosto corado e sem jeito.

Não seria eu a virar o rosto, pensou ela. Era engraçado ver seu noivo/amigo envergonhado depois de roubar-lhe um beijo, do qual ela gostaria de prolongar pela eternidade. Era como êxtase, em um momento o vento acariciava seu rosto e em outro eram os lábios e Miguel que os faziam levemente em seus lábios.

Só de lembrar seu coração já disparava, sentia o ar sair de seus pulmões. Miguel vendo que ela não se importara, inclusive estava pensativa, olhando ao longe. Logo curioso ousou novamente aproximar o rosto do da jovem amada que ainda estava segurando seu braço.

–Tem algo lhe incomodando Rose? Foi... Minha culpa? Desculpe-me não dev...

– Não! – o interrompe. – Não foi pelo beijo. Este foi agradável, só estava pensando em algumas coisas, nada mais. Não se preocupe!

Ela virou o rosto para ele, sorrindo de forma gentil e educada. Mas em vez de um rosto sem jeito encontrou um semblante amoroso, de uma alegria sem tamanho a fitando fixamente, quase esboçando um sorriso.

Eram hipnotizantes, seus olhos, seu sorriso, todo ele era de um magnetismo sem igual. Miguel aproximava novamente seus lábios dos dela, fitando seus olhos, era como se estivesse no mar, aquele azul tranqüilizante. Por um momento ele para e ela pisca freneticamente sem saber por que ele parara.

Logo se endireitava na postura habitual de um cavalheiro, sorrindo para ela ainda que num tom malicioso sem querer obedecer ao que seus lábios diziam, Miguel sugerira que entrasse, pois já estava ficando tarde e o almoço logo seria servido.

Rose apenas assentiu com a cabeça, pondo uma mecha que caíra de seu penteado para trás da orelha, totalmente sem jeito. Voltaram os dois, semi-calados para a casa, trocando apenas comentários sobre o clima e o lugar.

Era um amor puro e sem comparação o que crescia no coração de Rose, embora ela não imaginasse o quanto o amava, nem o porquê dele querer ela, ele que era tão bem apessoado, parecendo ter mais nos cofres do que seu pai teria em anos.

Logo chegaram a casa, o pai de Rose, Edgar Waterhouse estava sentado em sua poltrona, tomando Uísque enquanto passava a mão livre pela barriga, entre a camisa e o colete que estava com os botões desabotoados.

Ao ver o pai, Rose logo solta à mão que apoiava no braço de Miguel, sentia-se sem jeito, mesmo ele sendo seu noivo, não queria que o pai pensasse mal dos dois. Andando até a poltrona onde o pai estava sorrindo ela senta-se levemente no braço da mesma, e assim, passando a mão sobre os cabelos grisalhos do mesmo dava-lhe um beijo em sua testa sussurrando calmamente.

– Obrigada pai... Eu amo muito o senhor! – dizia enquanto tentava conter a enorme alegria pelo pai ter consentido com o casamento dela, o que no começo lhe causou irritação, agora era motivo de euforia.

– Obrigada pelo que Rose? – perguntou o pai confuso.

Ela olha para trás, fitando brevemente Miguel, tentando mostrar ao pai o porquê do agradecimento. Ele logo olha por trás das costas da filha e vê aquele homem parado na entrada da sala, só poderia ser o rapaz que pediu a mão dela, ele pensou.

O Edgar que conhecia pouco Miguel, o achara um bom rapaz e ótimo partido para filha, por isso e só por isso aceitou o pedido de noivado. Ele então o cumprimentou com a cabeça e Miguel fez o mesmo. O pai logo voltou os olhos alegres para a filha. Ele podia ser carrancudo, mal-humorado, mas tinha um bom coração.

– Então é por isso seu agradecimento! Pois bem, vá lá, sua mãe e Gretah estão os esperando!

Rose então se levanta, passando a mão pela saia do vestido o desamassando delicadamente enquanto andava até Miguel, que continuara parado na entrada da sala. Assim, os dois andaram até a estufa que ficava nos fundos da casa, Safira e Gretah estavam lá, sentadas tomando chá em um pequeno e delicado conjunto de mesa e cadeiras de jardim, todo de ferro tramado, ornamentado com flores, estas que pareciam ter sido bordadas no ferro.

Continua...


3 comentários:

  1. Que lindo *-*. Esse sem duvidas é o meu capítulo favorito! Nem dá para acreditar que o Miguel é o noivo, que emoção! Estou tão emocionada quanto a Rose *-*. Ah, o beijo roubado foi tão fofo, e posso dizer ousado e romantico da parte do Miguel, amei muito!

    Ansiosa pelo próximo capítulo Mury-chan!

    Bjs

    daimaginacaoaescrita.blogspot.com

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  2. Não tem o que dizer esse foi o melhor até agora fiquei super feliz por ser o Miguel o Noivo dela .... Mury-chan deixando essa história cada vez mais interessante.

    Bom agora é esperar ansioso pelo próxima parte desse Capítulo >.</

    Continue ... Assim \O/ ;*

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