Pétalas Azuis - Capítulo 2 – A rosa Vermelha


Estava confusa e no mesmo lugar quando Haru me encontrou. Haru, que me conhece desde os cinco anos, que me protegera tantas vezes, sendo quase um irmão, ultimamente está diferente e irreconhecível.

Estamos morando juntos há dois anos e desde então ele mudou, está mais distante e superficial. Talvez pela popularidade, já que as meninas só faltam se atirar por cima dele. Embora às vezes ele seja tão carinhoso e atencioso que me lembra o pequeno Haru que me protegia quando era criança.

Naquela tarde voltamos sedo para casa, meu amigo me escoltara segurando-me fortemente pelo braço. Era como se estivesse com veneno no sangue, era embriagante. Andávamos devagar e Haru parecia preocupado, estava distante como sempre, porém de um modo diferente.

Chegamos em casa, Haru largou a mochila no canto da porta como de costume. Juntei-a e antes de ir para meu quarto, deixei-a no de Haru. Após entrar no meu quarto e fechar a porta, sentei-me na cama e tirei os livros da mochila. Como de costume, pelo menos dois livros. O meu favorito de poesias e um romance novo que pegara na biblioteca. Os pus na mesa de cabeceira e esticando-me voltei a focar de pé.

Abri o guarda-roupa e vasculhei por alguma roupa confortável e leve, o calor estava me matando, mesmo com o ar-condicionado ligado. Peguei o primeiro vestido que achei, era leve, sem alças, era enrugado embaixo dos seios e descia em babados até barra. Fechei as portas do guarda-roupa, pegando o que faltava e fui tomar um banho.

 A água caia sobre meus ombros, refrescando-me, não estava quente e sim, um morno quase frio. Os poucos fios de cabelo que tinha pendiam pesados, grudando em meu rosto, pescoço e ombros. O castanho-avermelhado deles me lembrava os olhos de Shou, não sei, mas, tenho a ligeira impressão de que nossos olhos são parecidos, eles contem uma tristeza, certa solidão que mal conseguimos esconder.

Sequei-me demoradamente, perdida em pensamentos negros e confusos. Sai do banheiro andando preguiçosamente ainda com a toalha nos cabelos, quando chegando à sala deparei-me com uma imagem um tanto constrangedora.

Haru estava lá. Seus olhos estavam fechados apreciando o vento que vinha de uma janela aberta. Ele estava sentado no chão, com sua cabeça escorada no sofá, alguns pingos de suor escorriam pela lateral do rosto, molhando a raiz do cabelo.

Seus cabelos castanho-claros, na mesma cor dos olhos, voavam com a brisa que vinha da janela, mas, não foi isso que me deixou envergonhada, e sim, o fato de que Haru estava sem camisa, o que deixava a mostra um abdômen um tanto definido, sendo que isso não estava presente nas poucas lembranças de verão que tenho, no qual pude vê-lo sem camisa, na praia ou nas férias.

Realmente ele havia se fechado, escondido muitas coisas de mim, sua amiga de infância, quase irmã.  Não sabia se aquilo que estava sentindo era ao certo vergonha, ou uma decepção profunda. Por que ele não me contava as coisas, nunca mais conversamos sobre as meninas que ele gostava, os problemas na escola, nas nossas conversas falávamos de matérias, da TV, de algum livro que havia lido, mas, coisas relacionadas ao coração foi um assunto do qual ele nunca mais tocou desde que viemos morar juntos por causa da separação de seus pais e a viagem dos meus para os Estados Unidos.

Fiquei ali parada, perdida em pensamentos quando me dei conta que Haru notara minha presença e estava se levantando. Ele vinha em minha direção e me olhava fixamente. Parecia um gato espreitando um ratinho indefeso, seus olhos cintilavam de alegria, porém, não havia um sorriso em seus lábios.

Dei um passo para trás o que foi em vão, minhas costas se encontraram com a parede do corredor e Haru continuava se aproximando. Ele finalmente parou, só que, estava muito perto de mim, podia sentir sua respiração quente em meu rosto. Ele levou uma das mãos até meu rosto, passando o polegar de leve na minha bochecha, meu coração estava a mil, esse não é o comportamento habitual dele, o que estava acontecendo?

Sem tirar, nem mesmo por um segundo, os olhos dos meus. Haru lentamente vai tirando a outra mão, a que estava escondendo algo atrás das costas, e ergue até perto do meu queixo um lindo botão de rosa. Uma rosa vermelha, recém desabrochando, naquele momento pensei, se Shou é como uma rosa azul,  Haru é como uma linda rosa vermelha, popular entre todos, porém um pouco solitária.

– Aposto que esqueceu o seu aniversário! Não é cabecinha de vento! – Haru piscou me entregando a flor e gentilmente me dando um beijo na testa.

Haru era um pouquinho alto, ok, eu é que sou baixinha, não me orgulho muito dos meus 1,64 de altura. Mas era constrangedor ter que olhar para cima toda vez que fosse falar com ele. Abaixei a cabeça, segurando a tolha com uma mão e com a outra, a rosa que ganhei. Realmente tinha me esquecido do meu aniversário, primeiro dia de aula e sem meus pais aqui comigo fazendo festa e gritaria logo cedo, era meio difícil de lembrar.

Dezesseis anos, como passou rápido não é, embora eu o conheça a no mínino onze anos, às vezes parece ser mais. Na minha distração, Haru pegou a toalha da minha mão e já havia a pendurado no pequeno varal que tínhamos no apartamento. Ele se vira para mim pergunta gentilmente, nem parecendo o Haru que conheço a pouco tempo, e sim o da minha infância.

– O que vamos fazer no seu dia especial? Fazemos a comida ou saímos e jantamos fora? – seus olhos estavam tão serenos e carinhosos que não pude conter a felicidade.

– Fora! É claro! Vou trocar de roupa! E você, trate de tomar um banho! – dizia enquanto corria até o quarto para procurar algo para vestir.

~ Peço desculpas, pois, este capítulo está um pouco fraco, embora ache essencial alguns capítulos serem fracos, isso fortalece a história e ajuda minha cabeça. ~

Um comentário:

  1. Fraco nada! Esta demais, as descriçoes estão otimas, além de mostrar os sentimentos dos personagens. Pelo visto a Hakura se sentiu meio balançada por essa visão dos céus *-*, quem não ficaria não é?

    Bjs

    daimaginacaoaescrita.blogspot.com

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