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Simone de Beauvoir: O gênero na Educação


Por: Muryel Lima de Oliveira

Simone de Beauvoir: O gênero na Educação

“Não acredito que existam qualidades, valores, modos de vida especificamente femininos: seria admitir a existência de uma natureza feminina, quer dizer, aderir a um mito inventado pelos homens para prender as mulheres na sua condição de oprimidas. Não se trata para a mulher de se afirmar como mulher, mas de tornarem-se seres humanos na sua integridade. ” (BEAUVOIR, Simone. 1967)
Introdução

Simone de Beauvoir provocou rebuliço ao publicar Le Deuxième Sexe em 1949. Ela critica os aspectos de diversas culturas, ciência e religião o papel da mulher ou fêmea e do homem ou macho. Com base em seus textos apresentamos o gênero na educação atual. Citada por Rousseau, na obra Emílio, a educação deveria ser distinta entre homens e mulheres, pois, os homens tinham habilidades para o cálculo, a filosofia, a economia, a política, as artes marciais, ciências e esportes, enquanto as mulheres eram destinadas ao ensino de línguas, música, arte – desde pintura a bordados – e aos cuidados com a casa, como se portar em sociedade – que seria um misto de filosofia e política, pois uma boa anfitriã discutia, mesmo que frivolamente, sobre tais assuntos – e aos cuidados dos filhos. Esses aspectos cabiam as mulheres de classe alta, enquanto as menos favorecidas economicamente se contentavam em saber bordar, limpar e cozinhar.
Muitos pais não permitiam que as filhas aprendessem a ler e escrever, era dado ao filho homem esse privilégio. Tanto por ignorância como por falta de condições financeiras. Contudo, nos tempos atuais vemos, de forma um pouco modificada, os mesmos hábitos que privam as mulheres de certas oportunidades. Como o famoso “trabalho de mulher” e “trabalho de homem”.
Vemos, ainda, no curso superior preconceito quando uma mulher escolher cursar um curso predominantemente masculino, como engenharia, direito, medicina, agronomia etc. São pensamentos que veem sendo construídos desde a mais tenra idade, na educação infantil quando dizemos para uma criança agir como um determinado sexo: “senta como menina”, “brinca com carrinhos, e não bonecas”.

O gênero nos livros e na educação infantil

Cláudia T. G. de Lemos cita a obra de Beauvoir, Memórias de uma moça bem comportada, 1958, quando a filósofa fala da forma com que o pai – do qual nutria profundo amor e admiração – esperava que ela fosse: “Simone tem um cérebro de homem. Simone é um homem”, dizia o pai com orgulho, “No entanto, eu era tratada como menina”. E o que causaria essa imposição de ideias em uma criança? Ela passaria então a detestar sua condição “inferior”? Lemos relata mais adiante em seu texto que:
“Ser tratada como menina só podia então ser percebido através dos limites que impunham a seu cérebro de homem: só os rapazes tinham acesso à escola pública e a professores que discorriam sobre literatura e a filosofia proibidas. Limites que apontavam para a contradição da fala paterna, empurrando o ser mulher para uma zona obscura”. (LEMOS, Cláudia. 1999)
Com isso, se pararmos para pensar em tudo que envolve crianças em um mundo de adultos é milimetricamente planejado para que os pequenos sigam uma linha “segura e confiável” de ideias que nós adultos achamos cabíveis para um bom desenvolvimento ou por métodos de conduta que são aceitavelmente impostos sem serem contrariados, podemos ver que nós como adultos “fazemos nossas crianças”. A literatura infantil analisada no artigo de WIKE mostra claramente os ideais femininos e masculinos dos quais as gerações, uma após a outra, vem sendo treinada a seguir. A autora diz:
“Dessa forma, os livros infantis são transmissores de comportamentos socializadores, nas diferentes etapas de formação das crianças, e estereótipos de gênero (comportamentos esperados das meninas e dos meninos pela sociedade) também são difundidos por meio dos textos e imagens dos livros infantis. ” (p. 345)
Ela fala ainda, (p. 346) que é importante a busca para que as crianças tenham acesso a uma literatura igualitária, baseada nos princípios de não-violência e não-discriminação. E que, a criança constrói imagens do papel do homem e da mulher através dos pais – e também através dos cuidadores –, e não somente isso, forma sua própria autoimagem baseada no estigma do que é esperado profissional e psicologicamente das mulheres e dos homens. E assim nossa educação apesar de uma vã tentativa de ser igualitária, acaba repetindo os mesmos erros das gerações anteriores.
Foram avaliadas as seguintes obras: As aventuras do avião vermelho, de Erico Veríssimo; O boné que não largava o pé, de Mary Weiss; A toca da coruja, Walmir Ayala e A bolsa amarela, Lygia Bojunga Nunes. Todas as histórias respondiam a um estereótipo de gênero, em que o menino era agitado, levado, criativo, sagaz, briguento até certo ponto e a menina era curiosa, porém tranquila ou parada. A personagem Raquel de A bolsa amarela se questionava o porquê de os homens terem mais privilégios que as mulheres, quando a irmã mais velha foi privada de estudar para que o irmão pudesse. E ainda todas as personagens femininas como mães, tias, cozinheiras e avós eram retratadas sem nome e por vezes de forma fragilizada enquanto esperavam os filhos chegarem, serviam-lhes a janta pediam para que não se arriscassem tanto e só. Os pais das histórias trabalhavam, e com isso eram frios e distantes, aparecendo para ou relhar com os pequenos, ou lhes passar a mão na cabeça. Tais livros ainda são encontrados em circulação nas bibliotecas, e com isso as crianças tornam a se iludirem com a falsa ideia de normalidade nas histórias porque “assim é e sempre foi...”.
ALMEIDA, cita O Segundo Sexo quando diz que em sua obra, Beauvoir antecipa diversas questões de gênero, uma delas ao dizer:
“Quanto mais a criança cresce, mais o universo se amplia e mais a superioridade masculina se afirma (...). A hierarquia dos sexos manifesta-se a ela [à menina] primeiramente na experiência familiar; compreende pouco a pouco que, se a autoridade do pai não é a que se faz sentir mais cotidianamente, é entretanto a mais soberana; reveste-se ainda mais de brilho pelo fato de não ser vulgarizada (...); A vida do pai é cercada de um prestígio misterioso: as horas que passa em casa, o cômodo em que trabalha, os objetos que o cercam, suas ocupações e manias têm caráter sagrado. Ele é quem alimenta a família, é o responsável e o chefe. Habitualmente trabalha fora e é através dele que a casa se comunica com o resto do mundo: ele é a incarnação; ele é a transcendência, ele é Deus. ”
Nos dias atuais ainda vemos famílias dessa forma, que Beauvoir descreve tão fielmente. Poderíamos dizer assim que a educação – tanto no lar quanto na escola – repete um ciclo vicioso desde dos anos 60? Sim, embora ela tenha evoluído consideravelmente ainda permanece com resquícios do passado.
O que nós educadores podemos fazer para mudar ou amenizar tais sinais alarmantes de que ainda produzimos a diferença de gênero? Além da escolha de obras adequadas, como cita WIKE, uma conscientização dos direitos igualitários e sem preconceitos. Menino pode sim ser calmos, menina pode sim ser agitadas e arteiras, por que? Porque são crianças, não adultos em miniatura como pregávamos antes do movimento escolanovista. Afinal, não pretendemos criar crianças repletas de preconceitos de gênero e raça, em que a desumanização é totalmente cabível e indiscutível, pois como diz Beauvoir citada no artigo de SILVA, “os que fizeram ou compilaram as leis, por serem homens, favoreceram o seu sexo”.
Portanto, sem que haja a comparação com os preceitos gregos, que a mulher era associada as deusas e todas as suas qualidades também lhes foram atribuídas as características de: crueldade, poder e capricho para com os homens. Como educadores devemos humanizar nossas crianças, pois o ensino é uma rede, quando um aprende passa para o outro, e assim por diante. Com isso, ao conscientizarmos os pais através de atividades lúdicas com as crianças de que pode-se tudo, sem limitações de gênero, teremos cidadãos melhores, aptos a trilhares o caminho das novas gerações.

Referencia

ALMEIDA, Marlise M. de M. Simone de Beauvoir: Uma luz em nosso caminho. Cadernos Pagu. Campinas, SP. n.12. 1999. p. 145-156. Disponível em:
<
http://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8634811 >.
BEAUVOIR, Simone. O segundo sexo: 1. Fatos e mitos. Difusão Europeia do livro. São Paulo, SP. Ed. 4. 1970. 
BEAUVOIR, Simone. O segundo sexo: 2. A experiência vivida. Difusão Europeia do livro. São Paulo, SP. Ed. 2. 1967. 
LEMOS, Cláudia T. G. de. De como uma moça bem comportada se torna Simone de Beauvoir. Cadernos Pagu. Campinas, SP. n.12. 1999. p. 69-78. Disponível em:
<
http://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8634693 >.
ROUSSEAU, Jean J. Emílio ou da Educação. Editora Bertrand. São Paulo, SP. 1992.
SAFFIOTI, Heleieth I. B. Primórdios do conceito de gênero. Cadernos Pagu. Campinas, SP. n.12. 1999. p. 157-163. Disponível em:
<
http://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8634812 >.
SILVA, Maria de Fátima. A tradição grega em Simone de Beauvoir, Le Deuxième Sexe. Sapere Aude. Belo Horizonte. v.2, n.3. 1º sem. 2011. p.74-87.
<
http://periodicos.pucminas.br/index.php/SapereAude/article/view/2168 >.
WIKE, Maria Eliza V. M. A transmissão de modelos femininos e masculinos nos livros infantis. STREY, Marlene N.; RODRIGUES, Roberta; BALESTRIN, Viviane G. Encenando Gênero: Cultura, Arte e Comunicação. Coleção Gênero e Contemporaneidade - 5. EDIPUCRS. Porto Alegre, 2008. p. 343-364. 

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Nostalgia, o que seria?


Fui pesquisar no Aurélio o que dizia: sf. 1. Saudade da pátria. 2. P. ext. Saudade. Mas, eu não sinto saudade da minha pátria, e talvez nem saudade eu sinta, não me contentei, e fui buscar mais. O Sr. Google me deu esta resposta, e mais diversas outras:
Nostalgia significa o estado de profunda tristeza causado pela falta de algo. É a sensação de saudade originada pela lembrança de um momento vivido no passado ou de pessoas que estão distantes.
É um sentimento melancólico geralmente produzido em pessoas que se encontram longe da sua terra natal e sente saudades da sua pátria, do seu lar e de coisas que lhe são familiares.Etimologicamente, a palavra nostalgia é formada pelos termos gregos nostós (que significa regresso a casa) e álgos (que significa dor). Esse sentimento de tristeza é causado em um indivíduo pela distância em relação a um lugar, pessoas ou coisas. Esse afastamento em relação a elementos queridos provoca abatimento e uma vontade extrema de voltar a esses momentos e lugares ou de estar com algumas pessoas.A nostalgia pode gerar um comportamento anormal em indivíduos que foram afastados da sua terra natal ou separados da sua família. Há um forte desejo de regressar à pátria ou de rever os seus familiares. É um sentimento semelhante à saudade mas tende sempre a aumentar. Os pensamentos nostálgicos também podem estar associados a momentos de felicidade vivenciados em determinado período da vida, em alguns casos são idealizados. O estado de nostalgia também é produzido através da lembrança da infância. Dos brinquedos, jogos, brincadeiras, programas de televisão e de outros momentos vividos quando criança. O Romantismo foi um movimento cultural marcado pela nostalgia, que era manifestada pelos românticos na literatura, arquitetura e artes plásticas. Um estado de tristeza indefinida, tal como a melancolia. ”Encontrado em: http://www.significados.com.br/nostalgia/

“Os pensamentos nostálgicos também podem estar associados a momentos de felicidade vivenciados em determinado período da vida, em alguns casos são idealizados. ” Sim! Era disso que eu me referia, para minha pessoa, estar nostálgico não significa exatamente sentir saudade, mas lembrar de momentos bons, que hoje são meras lembranças do meu cérebro infantil das quais me agarro fortemente para que não desapareçam.
Uma delas é o filme A Princesinha (1995, mais precisamente dois meses após meu nascimento, ou seja, 10 de maio de 1995), Wikipédia me disse que:
A Princesinha (A Little Princess) é um filme de drama de 1995 dirigido por Alfonso Cuarón, estrelado por Liesel Matthews, Eleanor Bron, Liam Cunningham, e Vanessa Lee Chester. Ambientado durante a Primeira Guerra Mundial, ele se concentra em uma jovem que é relegada a uma vida de servidão em uma escola de Nova York pela diretora depois de receber a notícia de que seu pai foi morto em combate. Vagamente baseado no conto infantil A Little Princess de Frances Hodgson Burnett, a mesma autora de O Jardim Secreto, esta adaptação foi fortemente influenciada pela versão cinematográfica de 1939 e toma liberdades criativas com a história original. ”
Esse filme me marcou muito, lembro exatamente do inverno, a textura do edredom da minha mãe, eu e meu pai sentados na ponta da cama, assistindo a fita VHS. Os dois chorando pela situação desesperadora que a menina passa por achar que o pai estava morto, onde na verdade estava [SPOILER] internado num hospital, sem identificação e sem memória. Passei a minha infância toda assistindo esse filme no Programa “Sessão da Tarde”, na Globo.

Outra coisa que me traz momentos bons, é olhar para o Box de livros da Série Os Imortais, da autora Alysson Nöel. Eu li essa série no último ano do Ensino Médio, que foi, por sinal, bem punk. O livro 1 – Para Sempre li nos dois últimos dias de aula do ano de 2011, sim, eu li o livro todo em dois dias, devolvi para a biblioteca no último momento antes de ela fechar. No terceiro ano acabei fazendo um trabalho sobre ele, reescrevi um capítulo (aqui) e que por sinal, ficou bosta, bem fiel ao livro, pra variar. A série fala sobre alquimia e vida pós morte, encarnação e luta a lá clã Cullen. A história gira em torno da menina que perdeu a família em um acidente de carro e o cara bonitão da escola, que ela achava ser um vampiro (Eduard Cullen, risos), depois nós descobrimos que ela é a reencarnação das almas que ele vem procurando e se apaixonando a cada “nova vida”, porém que ela é sempre assassinada pela ex-mulher dele psicopata imortal. Aliás, eles são imortais, certo? Pegaram a ideia? Então ok.

E por último, mas nem menos importante, o filme I Origins, por culpa de uma amiga do meu ex namorado, que indicou. Acho que foi um dos últimos momentos de união, paz e felicidade que tivemos, embora o filme fosse triste e eu acabei ficando triste, nunca terminei de ver, pois pedi para parar e fomos ver outra comédia romântica levinha. O filme fala sobre um cientista obcecado e cético (nada de anormal) que descobre um amor “muy loco” e dá umas “piradinhas” básicas, veja a sinopse: 

O Dr. Ian Gray (Michael Pitt) é um cientista que pesquisa sobre a íris ocular. Obcecado por descobrir a origem da visão, ele tenta provar que o desenvolvimento do olho humano faz parte da evolução natural, e não precisaria de um "designer inteligente" - ou seja, uma figura divina para criá-lo. Ele trabalha com a ajuda de sua estagiária Karen (Brit Marling) e de Kenny (Steven Yeun). Um dia, ele conhece Sofi (Astrid Berges-Frisbey), e os dois se apaixonam, apesar da diferença de convicções. A aproximação dos dois fará Ian buscar explicações além da ciência para os mistérios que o olho humano pode guardar. Encontrado em: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-221216/



Esse filme me faz querer nunca mais me relacionar com pessoas céticas, ele me lembra o quanto eu sofri por isso, e como os homens podem ser ridículos sem o mínimo esforço. Digo, ridículos no sentido de insistirem reto e certo sobre algo que não temos provas. Prefiro ser a louca dos signos, espíritos e tarô do que tentar provar tudo constantemente.

Mas, enfim, penso em nostalgia como algo que gostaria de vivenciar novamente, não exatamente a vida toda, mas a alegria, o sentimento puro e imaculado dos primeiros momentos de surpresa e expectativa! Sinto falta de coisas, embora não queira elas por perto. Sou uma pessoa curiosa, eu acho. Algumas pessoas são como livros, alguns eu quero ler de novo, outras eu já decorei na primeira lida, outras eu adoro, mas me doeu a separação do final de uma história para a outra, e prefiro deixar somente na lembrança.


Um conselho, agora, da louca dos signos: Tratem as pessoas como livros, com cuidado, dedicação ao estarem em uma leitura, e atenção aos pequenos detalhes. Cheiro de livro é sempre tão bom! 

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Será que não estamos criando uma “Nova Auschwitz”?


Ontem participei da primeira aula do Professor Pedro Savi Neto na Gestão da Educação, cujo tema era “Ética e Responsabilidade: os desafios do educador na contemporaneidade”, que deu muito o que debater, aliás, nós alunas da graduação discutimos parelho com o pessoal que já é formado e possivelmente com algumas boas pós-graduações.

Pois bem, falávamos de como foi o evento em Auschwitz, em que a provocação inicial era “Como termos o pensamento livre onde temos uma restrição no agir, pensar e viver?”. Isso, na educação é algo que vemos todos os dias, chegamos com um projeto para a escola e ela o recusa pois “Não se enquadra nas normas” ou “Os pais não vão gostar”. Não estamos lidando com pais de alunos, mas com nossos clientes, onde a escola forma ou “produz” seres para o mercado de trabalho.

Será isso certo? Olha, eu acho que não. Primeiro, a ideia do ensino era formar pessoas para a vida em sociedade, princípios éticos, princípios de como ser com o outro, como “amar”, como ser um cidadão e blá blá blá. E o que temos hoje? Crianças com quatro ou cinco anos dizendo que “serei uma médica muito famosa quando crescer”, mas será que isso vem da sua imaginação ou querer ou dos pais que fazem uma “lavagem cerebral” neles?

Vivemos em uma sociedade que preza as relações, mas se você é muito próximo do aluno, ou o trata maternalmente, pode ser até acusada de assédio! Onde devemos ser práticos e dar a matéria, sendo que a criança só aprende através da significação, ou seja, do carinho. Já escrevi sobre isso no texto “Sobre sentir”, que acabamos criando sociopatas por conta da falta de sentimentos que passamos às crianças, muitas cobranças e pouco retorno afetivo.

Pensem, o que vemos, se pararmos de olhar para o nosso umbigo e darmos um giro e analisar o mundo? Escolas frias, que podem ser comparadas à hospitais, presídios etc. Ensino classificatório, onde os melhores tem melhores notas justamente pelo investimento inicial chamado dinheiro (bons colégios particulares). Amor? Para quê? Se eu posso dar presentes caros e uma boa escola para meu filho?

Vemos claramente, gente, acorda, um mundo capitalista e elitista. O que era a Alemanha na Primeira e Segunda Guerra Mundial? UMA POTÊNCIA! E o que houve? Um psicopata mexeu na cabeça de todos, porque ele devia ter o dom para isso, e fez com que todos acreditassem que a raça “ariana” era a melhor, era a pura, a top do momento. O que temos hoje? Japão, China e EUA fazendo o mesmo, todo o resto do mundo tem que falar inglês porque abre portas, mas naquela época era o alemão a língua do momento.

No documentário “O último fardo do homem branco” vemos claramente isso. Uma educação imposta pela ONU e ONGS do mundo todo por “um mundo com mais educação”, mas educação para quem afinal? Para as grandes potências atuais? Para que eles tenham mão de obra capacitada para fazer o trabalho “lixo” que eles não querem fazer para não sujar as mãos? Gente pobre que se ilude achando que chegará a ser um médico ou engenheiro, provavelmente menos de 5% dos estudantes citados no documentário conseguiu ou conseguirá um cargo desses.

E tem mais, eles passam a serem estrangeiros em sua própria terra, em sua própria cultua, ou seja, eles aprendem os “costumes do homem branco” e esquecem de sua religião, dos costumes, das suas idiossincrasias e viram objetos padronizados. É claramente discriminatório. E sobre isso alguém falou nessa mesma aula sobre o preconceito, sobre pessoas alienadas da sociedade. “É comum uma pessoa chamar ‘eae negão’ porque é uma brincadeira e algo para se levar assim”. Não, porque se houvesse o mínimo de respeito nós chamaríamos todas as pessoas pelo nome, ou algum jeito carinhoso e atencioso, afinal, somos seres pensantes e que sentem (esperamos) afeto, e não de um modo depreciativo o constrangendo por causa de sua cor, biótipo e opção/condição sexual.


Conseguem entender o quão perigoso se tornou o mundo? A educação, o governo e as pessoas em geral? Porque elas não se preocupam realmente com o que está acontecendo à sua volta, se acomodaram e acham tudo naturalmente normal. Estamos agindo como monstros sem coração que visam somente o ganho pessoal e CRIANDO PESSOAS ASSIM DIARIAMENTE! Há o que se pensar, há o que discutir sim, durante décadas. E ainda vejo pessoas dizendo “Assim foi e vai continuar sendo, porque não adianta, eu sou só um contra o mundo”, mas será? Será que realmente somos sozinhos, que o que pensamos seja único e isolado? Será que como professores não podemos começar mudando a coordenação e impondo, mesmo que sutilmente, a nossa vontade de mudar? Será que não conseguimos mexer na cabeça de um à cada dez alunos? Somos professores, com formação ou não, temos esse poder sobre as pessoas.
E é aí que mora o perigo: Para quem estamos confiando a educação das nossas crianças? 

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Sobre sentir


Afinal, o que é sentir?
Cada pessoa sente igual?
A minha dor é maior que a dos outros? 

Sentir vai de cada um, primeiramente. O meu sentir é uma construção que se dá desde o útero, se minha mãe cantava para mim, se meu pai acariciava a barriga dela e falava com uma voz terna comigo, se me afagavam enquanto me nutriam ou trocavam a minha fralda, se eu me sentia amado e ouvia que era amado, porque muito mais que sentir, é necessário ouvir. 

Estava estudando sobre isso, "sentimentos e aprendizagem" e mais as demais aulas de Neurociências etc, e é fato que associamos algo à pessoas desde a infância. Se não gostamos de matemática hoje é porque provavelmente a primeira professora dessa disciplina não nos agradou, algo no seu jeito de falar ou se portar conosco.

Eu detesto química do ensino médio, mas eu era ótima na oitava série. Por quê? Porque eu detestei desde o primeiro dia de aula a "má amadisse" da professora, sério, odeio gente mal amada que parece gostar de estragar a vida das outras pessoas de bem com a vida. 

Escrevi em um "tema" que a professora propôs sobre o tal artigo dela (que ela não colocou referência e por isso não havia como compartilhar),  que segue:
Em resumo, tudo, realmente tudo pode influenciar a criança nessa etapa tão importante, onde ela constrói o que é, é sua formação como ser humano em uma sociedade. O meio, a base familiar, a escola e os amigos, os professores e adultos próximos irão influenciar consideravelmente em sua forma de pensar ou de sentir o mundo. Uma criança que não recebe afeto, passará a não conseguir demonstrar afeto posteriormente, hipoteticamente falando, pois ela não desenvolve essa empatia.
E é essa tal empatia que nos molda, molda nossos gostos, o meio onde buscamos conhecer pessoas, e até mesmo em nossa profissão. Vemos pessoas que escolhem cargos de isolamento, por que? Porque preferem ficar horas na frente de um computador ou lidando com animais no ártico, do que ficar em uma sala cheia de pessoas falando e lhe olhando. Ela escolhe não gostar daquilo, e é assim que se dá o aprendizado, quando não gostamos de alguém acabamos bloqueando algo na nossa vida em relação à essa pessoa. Porque a professora não te olhou nos olhos, ou porque ela gritou, isso já causa uma “não vontade” de aprender matemática (afinal, por que sempre usamos matemática? Eu sempre fui péssima em gramática porque achava as professoras de português muito frias, e não gosto muito do prédio 8 porque acho ele “frio como as pessoas de lá”).
Mas por que a criança desenvolve esse modo de se auto sabotar? Provavelmente para mostrar, consciente ou inconscientemente que tem algo errado com ela. Se ela não se sente vista ou amada ela irá se fazer notar, causando problemas dos quais ela não tem. Crianças adoecem sem adoecer para que os pais passem mais tempo em casa, cuidando e acarinhando eles. O ser humano, mas principalmente a criança não aprendem sem sentir, o sentir é ligado durante a vida ao seu modo de pensar. Pessoas consideradas lógicas acabam usando menos o “coração” na hora de fazer as escolhas e creio que seja um equilíbrio, o emocional e o lógico, os dois planos entram em comum acordo.
Passei por algo assim na adolescência, eu estava sofrendo bullying agressivamente na escola, mas em vez de falar, eu me fechei, apesar de ser uma boa aluna, nas aulas eu não me interessava, ficava lendo algum livro aleatório, mal prestava atenção, mas ia bem nas provas, porque eu detestava copiar, e ainda detesto, se eu prestar bem atenção, eu gravo. Mas, se aquilo não me “prende”, não me “cativa” eu preciso anotar porque eu não vou fazer questão de lembrar. Ninguém notou que eu estava mal, porque “eu fingia bem” e aparentemente a criança que se auto sabota finge muito bem que está tudo bem e que é só aquilo ali que todos veem que é verdade. Mas, não é, é preciso ter olhos bem abertos aos pequenos sinais.
O afastamento, a rebeldia, a aparente frieza e apatia, e diversos outros modos de fuga. Apesar de ela não mostrar que está mal, ela mostra. Porque nós somos seres que sentem, e ao meu ver, é impossível pensar sem sentir, sem se pôr no lugar do outro, sem se compadecer, porque de certa forma nós aprendemos quando dói, é concreto isso na vida da criança. “Não põe a mão aí porque está quente” e ela põe, então ela para, te olha e repete mentalmente que aquilo ali está quente e quente machuca, então ela passa (ou não) a não fazer mais aquilo.
A criança só aprende quando aquilo significa algo para ela, por meio da dor, da alegria, do afeto, porque ela quer agradar alguém ou se agradar, e por aí se ramificam diversas outras alternativas. 
Ou seja, não vamos e nem pretendemos criar psicopatas e psicóticos emocional afetivos por aí, então além de ser um aviso aos pais e educadores, é um alerta á sí mesmo. Será que tu não tens algum problema psicológico devido à época "x" da tua adolescência ou infância? Eu, Muryel, estou buscando ajuda, e sei bem como é passar seis ou oito anos lutando contra a ideia de ir à um psicólogo, para mim era uma ofensa esse pensamento passar na cabeça das pessoas à minha volta, mas não, não era, era uma forma de ajuda, e eu não vi! 

Por isso, hoje eu digo, olhos abertos, sempre, ao menor movimento, à menor suspeita. Porque somos tão frágeis, mas tão frágeis e não nos damos conta que aquele deslize de uns anos atrás pode ter nos detonado por dentro e há concerto, porém é necessário se permitir!

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Tragédias da Educação


 Em uma conversa com umas colegas de faculdade, chegamos à conclusão de que as pessoas (pais) não querem ver a verdade sobre seus filhos, que eles brigam, mordem, não tem realizam atividades com destreza, eles PAGAM e querem resultados. Simples assim. Então, se o aluno não faz as atividades, as “profs” terminam por eles, “pinte como uma criança de três anos” foi o que minha colega ouviu em seu emprego. Ou então quando um aluno bate noutro, morde ou machuca de qualquer forma, nós “educadoras” temos que camuflar de qualquer forma isso, e em ultimo caso, quando a coisa já está fora de controle, conversamos com os pais. Ou quando omitimos que o aluno comeu tudo, que faz todas as atividades corretamente, porque o portfólio tem que estarem bonitos e como dito anteriormente, os pais querem resultados.

 E tem mais, se a criança tem um arranhão, um cabelo fora do lugar, é processo. Agora, quando eles são descuidados, o que vemos diariamente, crianças com cortes na cabeça e rosto por descuido dos pais, eles se escapam da responsabilidade de reportar a escola. Já troquei crianças que foram bem higienizadas e estavam bem, foram para casa e voltaram com as genitálias totalmente em carne viva, que dava dó só de olhar. Vemos pais que não estão presentes e compensam com bonecas novas a cada dia. Desculpem-me os educadores de plantão, mas há duas coisas fundamentais para o desenvolvimento moral de uma criança: amor e limites.

 Ou então quando ouvi que eu não sabia brincar com as crianças. Eu realmente não sei. Acho que elas tem o mundinho delas e eu não devo me meter, muito menos “ensinando-as a brincar”, introduzindo métodos e ideologias adultas de como se deve brincar de boneca, de carrinho, “porque isso não está certo”, mas meu caro leitor, o que é correto para o meu padrão de moral e ética pode não ser o seu, o que eu acho belo pode lhe causar repulsa, então como nós adultos e responsáveis podemos dizer tais palavras? Ensinar a criança a brincar é padronizar o seu imaginário, é prepará-lo para agir como uma máquina em uma linha de produção exigente. Onde estão as escolas e educadores construtivistas?

 Me pergunto para onde vão todas as idéias revolucionárias que aprendemos a desenvolver na faculdade, se quando nos formamos temos que seguir a risca os padrões de ensino defasados de muitas escolas de “nome” justamente para mantermos nossos egos alimentados e nossos estômagos cheios (e as carteiras). Ouvi da minha tia, recém formada também em pedagogia “te acostuma, que as coisas são assim, auxiliar é auxiliar e ninguém vai te ensinar nada, muito menos te informar sobre as atividades do dia, a professora titular só vai te avisar o que é pra fazer e tu faz, simples”. Essas palavras me deixaram sem chão. E o pior foi que ela afirmou fazer o mesmo com a auxiliar dela, ou seja, um dia ela foi tratada dessa forma e agora está fazendo o mesmo, entrando em um padrão ridículo.

Acredito que se queremos tanto esse tal de “resultado” das crianças e a evolução da educação, podemos partir do principio de ouvir mais e impor menos. Ter firmeza, ser justo e pontuar os valores, ser antes de tudo franco com os pais e familiares, que eles precisam por limites, que amar não é deixar o filho fazer absolutamente tudo. Mas, afinal, quem sou eu para fazer essas tantas especulações? Sou apenas uma estudante de terceiro semestre, nunca fui mãe e estou estagiando fazem apenas poucos meses. Contudo, isso basta para plantar a semente da discórdia e fazer muitos pensarem.

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Ser adulto tem receita?


Não sei se era Vygosky ou Piaget que dizia que as pessoas são o resultado do meio onde vivem e o que aprendem e sentem. Bem, eu sou uma pessoa psicologicamente afetada, diga-se de passagem. Tenho cá meus problemas e limitações afetivas, também tenho um grande problema: sempre confundo Vygotsky com Piaget (risos).

Exatamente, digam, o que é ser adulto? Porque acho que estou em mais uma de minhas crises existenciais onde me pergunto “o que estou fazendo da minha vida?” e “isso está correto, ou estou sendo egoísta, egocêntrica e filha da puta?” com o perdão da palavra! Ser adulto é ficar em um emprego ruim ou que já não está te fazendo bem, só porque paga suas contas? Ser adulto é ficar em um relacionamento que caiu na mesmice, mas mesmo assim, você deve continuar, porque um relacionamento é uma constante construção e adaptação? É se anular ou ficar dando burros em ponta de facas? É se apegar a alguém que só suga suas energias por medo de magoar o outro e por reflexo, se magoar e cair no sentimento de perda e auto piedade?

Se isso é ser adulto, prefiro ser qualquer outra coisa, menos essa versão irresponsável e desleixada com sua própria vida emocional e saúde mental. Nós nos negligenciamos por conta de uma sociedade carente afetivamente e capitalista em demasia. Nós buscamos dinheiro, muito dinheiro para aproveitar a vida, mas para ter dinheiro não se pode ter tempo ou perder tempo aproveitando a vida. É necessário trabalhar demais para ter dinheiro, e eu não consigo ser assim, então sou rotulada de irresponsável, jovem e sem preocupações etc.


Porque eu não consigo ficar em um lugar que me sufoca, com pessoas desrespeitosas eu sou a louca, que não consegue se acostumar ao sistema, porque “é sempre assim, tu vai ter que te acostumar”, mas veja bem, eu não quero me acostumar a ser um robô que repete os atos errados dos outros.

Eu sou tachada como chata, mandona, porque eu não gosto de gostar de quem me quer bem, porque eu trato mal e piso em quem me ama. Porque eu termino meus relacionamentos quando está começando a ficar ruim, porque eu não insisto, não tento me adaptar, porque não sou flexível. Me digam, como ser flexível se falo pra quem eu quero bem, “não faz isso/assim porque vai acontecer isso” e ela faz, e depois vem com o rabo entre as pernas me dar razão e se fazer de coitadinha. Haja paciência, e isso é algo que sou desprovida.

Não gosto da mesmice de relacionamentos “longos” (6 meses ou mais), porque as pessoas param de sugerir lugares, posições sexuais diferentes, filmes e comidas diferentes, é só a mesma coisa que ela sabe que tu gosta, mas se ela não sugerir, tu não vai saber. Outra, eu canso de tentar coisas diferentes e a pessoa não se mobilizar nem para pedir privacidade no lugar onde mora. Eu gosto de privacidade. E tem mais, eu gosto de ficar sozinha no meu quarto, com os meus livros e as minhas músicas e incensos. Não gosto da muvuca, de grandes reuniões.


Não sou e nunca serei aquele tipo de pessoa que vive para o ser amado, eu tenho a minha vida e os meus amigos, os meus parentes e os meus pais. E eu sinto falta de sair só com eles, de viver a vida. Não que eu não queira ver a pessoa amada, quero e muito. Mas, não o tempo todo. Isso me cansa, porque ela fica ali parada, não se enturma, não conversa, ou quando conversa, questiona absolutamente tudo sobre religião e exoterismo, e pelo amor dos deuses, não podemos citar política, porque aí o papo fica monopolizado.

Me sinto uma megera insensível dizendo tudo isso, ainda mais pós longa conversa com a minha querida mãe que defendeu meu ser amado, acho que ela se esquece que eu sou a filha dela e quem deveria ser defendia e entendida sou eu, não ele. Também, nada de anormal, dois acomodados, uma defendendo o outro. Não consigo gostar dessa situação emocional/social das pessoas que param no tempo e aceitam suas condições de “vou fazer o necessário para viver bem, e só, só quero viver na paz”. Meu bem, não é bem assim, não vamos nos limitar.

Choro, choro mesmo, só de pensar que posso nunca crescer conforme essa sociedade espera, será que serei uma eterna solitária feminista independente e dominadora? Será que nunca conseguirei ter filhos correndo pela casa e um marido para esquentar a cama/ um chá/ a comida/ a vida para mim? Será que meu destino é ser fria e solitária? Ou viver na espera do “alguém certo” pra mim? Porque quando algo não está dando certo vem mil e uma pessoa dizer que “um dia tu acha o cara certo” ou “o curso certo” “o emprego certo” será que existe “o planeta certo” também? Porque eu me sinto fora de contexto, meio sem chão, com um senso irrefreável de liberdade de me expressar, de sentir, de viver, de amar, e as pessoas impõem normas e regras o tempo todo.


Sou uma piranha insensível ou ingênua demais em pensar que posso sair por aí sendo amiga de ex namorado que vai ficar tudo bem? Que posso amar quem eu quiser, que serei amada e compreendida de volta? Que é possível um relacionamento sem mesmice, e veja bem, não é rotina, eu gosto de rotina, às vezes. Não gosto de falta de interesse, de falta de criatividade, de falta de respeito, falta de empatia, falta de privacidade, falta de espaço, falta de puta que pariu, tantas coisas!

Mas sim, sei que estou exigindo demais de um cérebro com poucas sinapses, apesar de uma quantidade significativa maior de neurônios, como o do homem. Não sei o que é pior, o bicho mulher ou o bicho homem. Ou pior ainda, o bicho sociedade capitalista rotuladora, preconceituosa, intrometida e excludente. Afinal, se você não entra no grupo, no meio, no conjunto, é considerado estranho e é deixado de lado. É tratado como qualquer um, e eu já estou cansada disso. Sou uma velha de vinte e um anos, com uns três cabelos brancos e olheiras causadas pelo sono e o café de um dia inteiro escrevendo com um copo de café ao lado.

Enfim, se alguém tiver um mapa, uma tabela ou uma dica de como ser adulto. Se eu estou muito ou muitíssimo errada com meu modo de pensar. Se minha vida é uma porcaria ou se eu dramatizo demais mesmo. Por favor, escrevam, enviem, por carta, email ou sinal de fumaça. Porque eu já não sei mais o que é esperado de mim, ou de um adulto, ou de uma mulher. Não sei se devo ou não ligar para isso. Se devo mandar tudo para os ares ou simplesmente deixar estar, como a vida quiser que seja. Ou melhor, me enviem números de psicólogos, psiquiatras e clinicas de tratamento, acho que preciso me internar.

Abraços calorosos de quem deseja o bem à todos aqueles que não pisam no meu calcanhar no ônibus lotado.


Ps: É Vygotsky sim. 

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Lembranças do tempo em que não tinha juízo


Lembro-me claramente quão desajuizada era em minha breve adolescência. Corria pela cidade como se ela fosse o pátio de minha casa. Quase nua ou totalmente coberta, não importava, chamava olhares por onde passava, propositalmente ou não. Foi nesse dia que percebi quão lindos eram meus longos cabelos vermelhos (e rebeldes).

Você, meu caro, foi o sol quente em uma tarde fria de inverno, tudo ia bem até nos encontrarmos naquele café, meio sem querer, muito de propósito. Lembro-me claramente o quão profundo eram seus olhos azuis e como eles me devoravam, tanto que tu conseguias me deixar completamente sem jeito em dois segundos, e ao mesmo tempo, fazia meu sangue fervilhar mais que meu ator favorito, ou aquela música da qual eu nunca lembro o nome, mas deixa meu corpo elétrico.

Seus beijos e suas caricias, tudo, tudo era absolutamente perfeito e como eu queria que durasse a eternidade (embora eu saiba que se durasse mais que cinco segundos, provavelmente teria enjoado). Tu eras tão sedutor, uma simbiose genuína entre um bad boy de Hollywood e os anjos dos meus livros de cabeceira, tão dócil e ardiloso.

E todo esse turbilhão de sentimentos que me inundaram a alma, as duvidas e os anseios, se acabaram alguns meses depois, quando me dei conta que não fui mais que um breve passa tempo, de mais uma de suas viagens. Ah, meu bem, sinto tanto por ti, por ter me conhecido e não ter podido ficar, perdestes de ver o melhor de mim, e sei que muito inda há de vir.

Perdestes de ver nossos filhos correndo pelo apartamento cheio de flores e plantas, já que tu odeias o campo, faria da cidade a minha selva particular, faria todos os teus dias tristes um pouquinho mais alegre, entretanto, tu preferiu permanecer com tua tristeza tão absolutamente particular e com esse escudo impenetrável.

Fomos tão tolos: Tu achaste que eu seria tua apenas por uns instantes, e eu, imaginei a eternidade para nós. Perdoa minha alma de menina e meus olhos furados, que insistem em derramar lágrimas vez ou outra, pois, assim como sei que pensas em mim, luto arduamente para não lembrar-me de ti.

Siga em frente, capitão, a jornada é longa e eu sou apenas uma poeta cheia de amor no coração, pois, afinal, meus versos estão encharcados de ti, e nosso amor virou poesia para os outros admirarem, não cabe em meu peito, muito menos em meus lábios e então escapam-me pelos dedos.


Agradeço-te pelas tantos belos versos que me proporcionastes, é meu consolo saber que se não virar amor, pelo menos, vira poesia e encanta o coração de alguém.

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Se eu morrer...


No ônibus, esta manhã me dei conta de uma questão que inunda a minha alma, se eu morrer amanhã, como será? 

Provavelmente eu vá para uma cidade espiritual, ou talvez para o umbral, talvez não aconteça nada, morri e ponto, acabou-se, o nada, o vazio, ou a eternidade nos campos elísios. Mas, e minha família e amigos? Os colegas da faculdade, o pessoal do Facebook e do blog, alguém sentirá a minha falta além dos amigos mais próximos?!

Talvez meu Facebook fique cheio de mensagens de saudade, de lágrimas escritas. Minha mãe recolherá as minhas roupas do varal e passará a mão levemente sobre aquela blusa branca que eu tanto gostava. Meu pai olhará meus livros, os nossos livros, alguns ainda inacabados e com o marca-páginas perdido entre o capítulo onze e o doze e em silêncio devotaria as mais sinceras lágrimas para as palavras não lidas e para mim.

Minha irmã, por outro lado, melhoraria na escola pensando que eu gostaria disso, passaria a ler meus velhos livros e provavelmente guardaria alguns pertences meus, com ela. Meus avós fariam aquele drama básico de "como ela era uma boa neta e nós nunca dissemos isso a ela", minha madrinha se sentiria vazia e não brigaria com ninguém durante umas semanas. Minha tia pensaria "ela poderia ter se formado no próximo ano", meu namorado provavelmente se revoltaria e passaria a odiar o deus que eu tanto amo, mas dentro de um ano ou dois ele voltaria ao site de relacionamentos que nos conhecemos para consolar seu coração. 

Meus animais ficariam deitados no tapete do meu quarto e suspirariam vez ou outra, meu gato miaria do seu jeito manhoso, me chamando e minha cadela me esperaria todos os dias, na janela, pensando "quem sabe hoje ela volta"Meus amigos, os verdadeiros, se lembrariam de como eu detesto homenagens e não falariam nada, ou talvez um ou outro escreveriam um texto gigante contando como nos conhecemos inusitadamente e como eu chamava a atenção movimentando as mãos no ar loucamente. 

Só sei que nada disso me traria de volta, meus livros continuariam acumulando pó ou provavelmente seriam vendidos para algum sebo e minhas roupas mais extravagantes a algum brechó, minhas paixões, assim eu seguiria viva em alguém, mesmo que distante. Se eu tenho algum pedido? Joguem as minhas cinzas ao vento, eu sempre gostei de como meus cabelos balançavam quando sentava num daqueles bancos altos no ônibus, como hoje, que uma mecha insiste em entrar no meu olho esquerdo fazendo eu me arrepender, mesmo que brevemente, de ter deixado o cabelo crescer novamente. 

E a vida é isso, num sopro, ela se apaga, como a chama de uma vela.

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Uma mera Desconhecida


Olá caro leitor, para você, neste momento, não passo de uma mera desconhecida que sofre de dores nas mãos e mesmo assim, está aqui, às 02:00 da madrugada, escrevendo. Sem nomes ou lágrimas contarei a minha breve história.

Nasci há alguns anos, com uma forte esperança de que tudo seria melhor, mas ao longo da minha turbulenta adolescência percebi, com as palavras de uma amiga, que o mundo é preto e branco, mais exatamente, ela dizia: “O mundo é uma bosta e estamos todos cagados”

Pensei em colorir meu mundo, mas a cada dia, mês ou ano percebia que era tão difícil quanto fazer chover no Saara. Vi amores cheios de esperança e doçura, tentei fazer o mesmo, mas o que consegui foram bons arranhões e cicatrizes profundas em minha alma e coração. Pobre coração sonhador, desejava apenas ser confortado, e eu tola, o joguei aos leões famintos e sagazes. 

Infelizmente, mesmo tentando lutar contra a injustiça, perceba, o mundo não é justo, alguns dizem “o mundo é dos justos”, não, não mesmo, o mundo é de quem ganha mais, rouba mais, fode mais com os menos inteligentes ou com menos recursos. O mundo é o céu da boca de um jacaré. 

Afoguei-me em pensamentos e lágrimas muitas vezes, e também na banheira, mas temi realmente morrer e não completar a minha grande obra. Plantei umas boas dez árvores, mas falta o tal livro, que toda pessoa deveria escrever ao final de sua vida, é uma meta. 

Todos falam que faço drama, mas o que eles vêem é apenas a ponta do iceberg, detesto quando comentam algo como “Nossa, como tu estás profunda hoje”, eu sou profunda o tempo inteiro, a vida toda. Eu já cheguei ao fundo do poço e sei o quão difícil foi de subir razoavelmente até o topo. 

Minhas revistas de literatura estão começando a acumular pó, gostaria de ter ânimo de tirar uma a uma e limpá-las, mas, veja bem, não tenho um pingo de agilidade nem mesmo quando algo está pegando fogo, quando um relacionamento está afundando, porque tiraria o pó das minhas revistas? Você tiraria o pó delas? Foi o que pensei. Não.

No final, falei muito e não disse nada, mas a vida não é isso mesmo? É um faz de conta que sei de tudo, mas no fundo sei que não sei nada. O universo é tão vasto e eu sou apenas uma partícula de um grão de areia em uma praia do planeta terra. 

A vida se resume a um suspiro, às vezes mal dado, outras que te tira o ar. Lembre-se de não desmaiar, siga em frente e faça o melhor que conseguir, talvez assim, quem sabe, consiga ser o grão de areia, em uma praia, no planeta terra. 

Agradeço pela atenção, um breve adeus, nos falamos.

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Quem sou eu?


Pra quem não sabe ainda, estou estudando Pedagogia na PUCRS, e como “exercício” de aula, a professora Síntia Ebert nos pediu para completar o perfil do Modle (pra quem não sabe, é a plataforma digital onde os professores disponibilizam alguns trabalhos e textos), e para isso, passou-nos o texto da Martha Medeiros – Quem sou eu?? e, sem querer ser repetitiva ou copiá-la em seu modo de descrição, pus-me a pensar, e saiu isso, que vem logo a seguir.

Quem sou eu?
Eu sou a brisa de outono, o entardecer, o cheiro de terra e o andar de pés descalços. Eu que sou de peixes, detesto o mar, o protetor solar grudento e salpicado de um misto de sal, micro algas e areia. Ascendente áries e lua em câncer, por fora até pareço a rainha da auto confiança (como disse meu pai esses dias) e provavelmente como as pessoas que não me conhecem acham, cheia de si, mas não sou nada disso. Sou gelatina sentimental denominada coração, mais casa, campo, do que cidade, embora as horas de ônibus façam bem ao meu poeta interior.

Sou mais vegetais, menos carnes, embora comida japonesa me tire da dieta. Sou intolerância a lactose, mas adoro chocolate. Sou meditar e incensos, velas e chás. Sou o silêncio, mas também sou The Killers e Franz Ferdinand, às vezes bate uma melancolia e sou The Cranberries. Sou livros, livros e livros. Sou Netflix quando o dinheiro suporta. Sou suspiros, poesia, Álvares de Azevedo, John Green.

Talvez seja a neblina e a chuva que tanto detesto, pois cobre o sol. Sou a lua e as estrelas, sou a fogueira, o canto dos pássaros e as flores, amor perfeito, tulipas, hortênsias e margaridasSou all-star, nunca salto alto. Sou toda sorrisos, embora às vezes as lágrimas escorram pelos lábios. Sou paz, tranquilidade, mas nem sempre. Sou bolos que faço aos domingos, cinema, mas mais um filme em casa ao lado de quem me faz bem.


Sou amores que nunca vi ou vivi, sou essa mistura de rosto de menina e alma de velha, idade mental entre noventa e menos três. Sou as rimas que faço, as poesias anotadas no caderninho. Sou os dias cansativos a espera de chegar em casa e ser eu e meus bichos. Sou cão. Sou gato temperamental. Sou o protetor solar fator sessenta que sou obrigada a usar. Sou maquiagem e hidratantes. Sou perfumes de flor. Sou esse meu jeito de moleque. Sou viva. Sou humana. Sou os erros que cometi. E, por fim, sou os acertos que me levarão adiante. 

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Carta ao meu grande amor


Inspirado no filme “Se eu ficar”

   Meu amor, é a ti que dedico estas palavras, e sabendo que palavras não são o bastante para expressar tudo o que vivi e viverei, tudo e todos que amei, os obrigados e desculpas não ditos. Eu quero que mesmo que eu seja fraca e erre, mesmo que grite e chore, quero que fique comigo, como for, como der. Ah, amor, eu sofro tanto só em pensar em perdê-lo, não se vá e não me deixe ir, jamais.

    Se eu pedir “fique comigo”, tu ficarias? Eu sei dos meus defeitos, mas até um super herói tem uma fraqueza. Eu sou egoísta, sei que todos vêem isso, sei principalmente que tu vê, e tu me vê tão bem, sabe ler entre as minhas páginas amassadas e borradas, aquelas tristes e vazias que não permito que ninguém veja.

   Não se sinta só, pois nós sabemos o que é isso, eu estarei aqui, sempre, mesmo longe, mesmo quando nossos corpos forem poeira no espaço, seremos poeira de estrelas, e estrelas brilham, nós brilhamos, nosso amor brilha. Então apenas fique, e seremos fortes. 

   Tivemos e teremos bons motivos para ir, mas serão ou foram maiores dos motivos para ficar? O que será de mim se tu for para o horizonte distante? Quem será o espelho das minhas melhores faces e também dos meus olhares mais sombrios? Quem olhará pra mim dizendo “Tu está errada”, com um olhar de “Mesmo assim EU te amo”? Quem?

   Me abrace uma vez mais, como quando éramos mais jovens e os problemas suportados com uma canção lenta, uma valsa entre o sofá e a pia da cozinha. Quem me manterá nos braços até eu dormir e quem me acordará aos beijos ao domingo? Me pergunto, quem poderá um dia ensaiar te substituir, jamais, jamais o farão. 

   No tarô tem uma carta, A Estrela, ela lhe guarda segredos e presentes brilhantes, feche os olhos e basta desejar, que estarei em teus pensamentos, jamais esqueça quem te ama, quem tira o melhor de ti e quem mostra o quão ruim tu está sendo. São esses olhos castanhos, meio sem definição, e esse coração tão cheio de duvidas que te amará eternamente. 

   Sei que essa carta é só mais um monte de bobagens, mas eu vim e fiquei por um motivo, então, fique comigo só mais um pouco. 
Att. Seu Amor

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Coisas do Passado


O silencio diz muito mais que as palavras. As pessoas mais próximas, infelizmente, são as que mais magoamos, talvez por zelo, ou simplesmente porque elas esperem muito de nós, e este sentimento é recíproco! Por não esperarmos algum ato de quem amamos acabamos nos decepcionando, mas hoje eu entendo, todos nós somos humanos e somos propícios ao erro! Ninguém vem com manual de instruções, aprendemos dando com os burros n’água, buscando a felicidade e aquele sentimento que preenche nossos corações.

Demorei muito tempo para perceber isso, felizmente na juventude um simples “me desculpe, eu errei” é tão fácil de ser aceito! Não somos tão duros conosco como gostaríamos, e a falta daquela pessoa é tão grande que nossos egos inflados são deixados de lado pelo pequeno momento em que as palavras de arrependimento são ditas!

Eu mesma sinto tanta falta de velhos amigos, pessoas que me entendiam, que me faziam necessária em algum momento de suas vidas, pessoas que eram parte da minha, mas que infelizmente, em algum momento de nossa trajetória acabamos nos deixando levar por sentimentos a flor da pele e nos distanciando! Pessoas das quais eu não dei o devido valor, por ser impulsiva demais ou pensar só em mim. Pessoas que não deram valor aos meus sentimentos e que tentaram me moldar ao seu modo, mas ninguém é de argila e não se pode moldar um ser humano à maneira de outro, a menos que este queira!


A dor foi feita para ser sentida e a saudade para atormentar nossa mente e coração. E são nesses momentos que me lembro de uma frase de Chico Xavier, “Nós não podemos mudar o começo, mas podemos mudar e fazer um novo fim”, não podemos mudar o que fizemos no passado, nossos erros, mas podemos melhorar e refazer nossa história a partir daquele ponto, e por sequência ter um novo fim. 
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Homem: ainda há salvação “nisso”?

Peço desculpas aos que ofenderei neste desabafo, mas 90% da população masculina são deste jeito miserável do qual estarei falando neste texto. Aos outros 10% leiam, e, por favor, não se ofendam!
Após várias décadas de progresso e quebras de tabus, existe ainda aquela pequena porcentagem de pessoas do gênero masculino que continuam com um hábito desagradável e desrespeitoso para com as mulheres, o machismo.

Sim, um hábito pois, parece ser um ensinamento passado de pai para filho: “Filho, mulher tem que esquentar a barriga no fogão e esfriar na pia”, “Mulher tem que ter cabelo comprido”, “É feio mulher que beber”, “Mulher descente não têm que gostar de sexo”, “A mulher tem que fazer de tudo para agradar seu marido e provedor”... Chega disso! O ser chamado denominado “Mulher” é sim um ser livre como todos os outros, e é um ser tão belo.

A mulher é doce, mas também é forte, nenhum homem aguentaria o que agüentamos. Cólicas, menstruação, filhos, várias tarefas ao mesmo tempo, cuidar da casa e ainda “servir bem o seu marido”. Pelo amor de deus, estamos em 2014 e a maioria dos homens agem como se estivessem em 500 d.c!

Ninguém é dono de ninguém, a sua esposa não é sua propriedade, senhor machista, gordo que fica com a bunda sentada na poltrona vendo futebol na globo! Onde eu trabalho, canso de ouvir a mesma coisa: “Sr. A sra. Fulana se encontra?”, “Do que se trata”, “Assuntos a tratar com ela referente ao banco ####”, “Ah, pode falar pra mim, eu é que cuido das contas dela”, “Cento Sr. Mas eu preciso falar diretamente com ela, já que a ficha está no nome DELA”... E ai eles dizem “Mas eu é que pago”, “Eu é que cuido”, como se a mulher não fosse nada, como se eles pudessem mandar e desmandar, como se fosse uma boneca sem vida onde eles trocam de lugar a hora que bem entenderem.

E ah, o sexo, bem em questão ao sexo não preciso me estender muito, a maioria dos homens quer que a mulher faça o caralho a quatro para eles (desculpem minhas palavras), mas não querem fazer para elas, nós não somos éguas das quais o macho monta, “faz o trabalho”, se satisfaz e sai. Não somos bichos, e acredito que VOCÊ, homem, também não é!

Mulher dá carinho e gosta de receber, quer mimo, quer sentimento, quer se sentir necessária, quer se sentir bela e atraente para o seu homem. Lógico que, assim como existem homens que não deveriam ler isso por serem pessoas maravilhosas, também existem mulheres víboras que merecem umas boas de umas bofetadas!

Então, nesse meu texto, fiz um desabafo referente ao modo que muitos homens tratam suas mulheres ou as mulheres em geral: Como uma propriedade sua, assim como um carro, um aparelho eletrônico, um cachorro. Somos seres iguais a vocês e temos o direto de sermos livres e respeitadas igualmente. Também, peço encarecidamente para as novas gerações de homens: Não sejam como os pais e avôs de vocês, evoluam!


Obrigada pela atenção de todos que leram isso! Pois, escrevi após uma longa análise dos fatos que me cercam, de pessoas e ações das quais não me agradam nem um pouco. 

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Nada Demais


Olá, saudade daqui, o trabalho toma muita energia, eu mal entro no pc, internet menos ainda, não escrevo mais, só durmo, quando acordo sou um zumbi, um robô programado para levantar às 5:50 e só voltar para casa as 18:00. 
Pareço uma velha, até as velhas são mais ativas que eu. Tantos pensamentos, tantas dúvidas e tantos sentimentos misturados. Eu tenho medo, eu tenho sono e fome. Eu choro enquanto sorrio e não deixo ninguém perceber. 
As luzes da cidade a noite são tão lindas, a lua no céu de manhã dando passagem ao sol com seu brilho ofuscante como o dos faróis dos carros. 
O frio e a respiração quente são tão familiares, as mãos frias e os olhos nublados. Esta sou eu, este é meu mundo, minhas dores e meus amores.
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Conversa entre duas Amigas


Anny chega à casa de Ever, ela toca a campainha não demora muito e ouve passos na escada, a maçaneta gira e a porta se abre. Ever estava com os olhos vermelhos e a amiga assustada pergunta o que ouve...
Ever: Entra que eu te conto tudo.
As duas se abraçam ainda na posta e Ever a fecha em seguida. Elas sobem as escadas até chegar ao quarto ligeiramente espaçoso de Ever, Anny senta-se na cama e espera a amiga fazer o mesmo. Estão de frente uma pra outra quando Ever começa a contar.
Ever: Não estou mais com o John!
Anny: Como assim?! Você amava aquele garoto!! O que houve?!
Ever fica em silencio e abaixa a cabeça.
Anny: Ele é gay amiga, porque, pra não querer você, por favor né!!!
Ever: Não, ele não é gay. Ele... ficou com outra.
Houve silencio novamente, agora das duas partes.
Anny: Que canalha!!! Vou dar um soco nele da próxima vez que o ver!!
Ever: Não faça isso! Nós não tínhamos nada, eu não era sua namorada então...
Anny: MAS CARA, vocês se falavam todo dia e ele era supeeeer fofo contigo, se aquilo não era um relacionamento eu não sei o que era! Vocês estavam sempre grudados!
Ever: É verdade, mas, como eu disse, nunca foi oficial.
Anny: Ta, mas, me conta como tu descobriu?
Ever: Ele disse.
Anny: Ann?
Ela estava chocada, como assim ele disse?!
Ever: Ele saiu pra beber com os amigos ontem, e essa manhã recebi um sms de “bom dia” dele, perguntei como foi ontem e ele disse “Foi além das expectativas”. Eu soube na hora o que aconteceu, mas mesmo assim perguntei.
Anny: E o que ele disse?
Ever: “Tu vai ficar braba” e eu respondi “Diz logo kkk”, o sms seguinte demorou pra chegar e eu demorei pra abri-lo sabia o que estava escrito ali, e quando abri estava assim “fiquei com uma guria, fui o único que pegou alguém kkkkkk”.
Ever abaixa a cabeça e espera a amiga falar, mas Anny estava sem palavras.
Anny: QUE FILHO DA PUTAAA, EU VOU MATAR ESSE GURI!
Ever: Não, sério, não vale à pena!
Anny: Como assim não? Cara, ele ficou com outra e te disse!
Ever: Por que eu pedi!
Anny: Ta, mas mesmo assim!! Ele sabe que tu gosta dele e ele disse que gostava de ti!
Ever: Sabe... eu chorei.
Anny: Ah não cara, não quero te ver chorando por causa daquele bosta!
Ever: Sabe que eu não pude segurar né? Eu sempre seguro o choro na frente dos outros, eu choro por dentro, mas não deixo que ninguém perceba. A mãe estava no mercado e eu estava sozinha então desabei no meu travesseiro, depois de 15 minutos chorando eu parei, sequei as lágrimas disse a mim mesma “não vale a pena” e fui tomar um banho.
Anny: Isso não faz muito tempo né? Teus olhos ainda estão vermelhos.
Ever: Não, faz menos de uma hora, a mãe achou que eu estava com cólica, por isso nem foi me chamar.
Anny: Eu quero bater nele!
Ever riu. Logo as duas estavam rindo.
Ever: Esquece ele poh! Não vale a pena, nunca daria certo mesmo!
Anny: Por quê?
Ever: Porque ele quer viajar, morar em outros lugares até o final do ano e eu, bom, quero ficar aqui, trabalhar, ler, estudar, te ver toda a semana... Nossos sonhos não são compatíveis.
Ever olha pela janela, seu olhar está distante.
Anny: Mas, não era tu que disse que iria com ele pra onde fosse?
Ever: Não fui eu, foi à paixão. Ela me cegou.
Anny: Hmm. Então, BEM VINDA DE VOLTA AMIGAA!
Anny a abraçou e a balançou de um lado para o outro, Ever dizia que a amiga tinha o abraço mais acolhedor do mundo e realmente tinha. As duas riram e saíram do quarto.
Ever: Vamos comer chocolate e depois dar uma volta na praça?
Anny: Hmm, tem uns guris lindos lá!
Ever: Essa é a ideia, guris lindos mais eu, igual a muitos beijos!
Anny: Uhullll, isso aeeee amiga! Maas, o chocolate... não vamos abusar ok?!


As duas se olharam, e pensaram a mesma coisa: Que se dane o chocolate, vamos pra praça!!

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Era uma vez, uma menina... © Copyright 2011 - 2016. - Versão 9. Little nymph. Ilustração Martina Naldi. - Original de Muryel de Oliveira. Tecnologia do Blogger.