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Resenha: Tarot Café (7 volumes)


Estava devendo essa resenha desde o assalto, mas como muitas coisas aconteceram acabei adiando, mas a dona dos mangás precisa deles então eu precisava fazer isso em algum momento. Bem, eu não sei fazer resenhas de uma forma legal, com nomes de personagens e detalhes mais precisos, até porque eu não gravo nomes de personagens, nem de pessoas ou lugares, então vai ser algo mais contadinho do que realmente fatos dos capítulos.

Informações

Mangáka: Sang-Sun Park
Volumes: 7
Ano: 2007-2008
Edição: 1
Editora: Lumus e New Pop
Gênero: Horror, romance, fantasia e drama
Avaliação: :Excelente /: Favorito


**Contém Spoilers **
Tudo começa na Escócia de 1232, a protagonista Pamela ainda é uma criança e vive com sua mãe, ela é tão mística quanto a garota, faz partos e conhece as ervas, porém a mãe sabe ser discreta, e Pamela não, ela vê a maldade nas pessoas, ela tem a visão, como os místicos dizem. Porém ela chama a atenção de somente o cara mais fodástico do inferno, o dono de toda a merda! E ele a quer e vai fazer de tudo para ter aquela humana peculiar.

Já no mundo atual, Pamela é dona de um café que após o expediente normal atende cliente diferentes. Ela tira as cartas e lê seus futuros em troca de contas do colar de Berial, um cara muito fodástico, com essas contas Pamela busca quebrar sua imortalidade e reencontrar sua mãe que foi morta queimada e seu amado Dragão, do qual vem sua imortalidade, quando ele morreu a primeira gota do seu sangue jorrou nela tornando-a imortal. Porém, ela sofre com isso, mais de 800 anos perambulando pelo mundo e fugindo de pessoas que querem matá-la.
A história se desenrola assim, ela contrata um menino que foi transformado em lobisomem, o amigo dela Bellus é um cara muito estranho meio demônio (que no final vocês irão entender quem ele é), ela luta com um rei dragão amigo do amado dela que pensa que foi ela que tramou tudo para sua morte. Atende um vampiro que é modelo, mas ela diz o que ele queria ouvir "que seriam felizes no amor" e depois a menina mata ele, porque na verdade ela era a reencarnação de uma outra moça que ele matou e agora ela busca vingança.
Também conta a história de um alquimista que criava e dava vida a bonecos, mas a obra perfeita dele, a princesa, era má. Então ele a destruiu, deformou seu rosto para que ela se parecesse por fora como era por dentro. Pamela conta que conheceu um sultão (ou marajá, não lembro porque não me pego a detalhes, infelizmente) ela tirou as cartas para ele, ouviu sua triste história de amor por seu ex-escravo e comandante, recebeu sua carta para que entregasse ao seu amado e no final nós descobrimos que ele era um fantasma, ou seja, ela vê gente morta!
Existem ainda histórias mais bonitas, como o do senhor ser da natureza que corta sua árvore (ao qual ele está ligado) em troca de dinheiro para a operação de um menininho que se torna seu amigo, mas que era muito maltratado pelos pais. Ou do rapaz que se apaixonou por uma ninfa do lago que adora queijo! São pequenas histórias interligadas por amor e necessidade de algo que no final somam no saldo positivo de Pamela para vencer o cara ruim fodástico dono da coisa toda lá, o Berial.


Minhas impressões

Além do traço delicado e ao mesmo tempo forte, a história é envolvente, ela te prende primeiramente nas histórias soltas e aos poucos nas ligações e nas memórias do passado da protagonista. Embora não seja uma típica história de amor, pude me apaixonar pelo relacionamento ali presente entre Pamela e Bellus/Berial etc (ele tem muitos nomes). Além de todos os outros relacionamentos presentes em cada capítulo. Achei sim algumas coisas desconexas, mas acredito que esse seja o ponto forte da história, te fazer voltar ao volume anterior, ver se leu certo, cuidar nas datas, porque tempo não é nada para uma imortal! E, falando em datas, não da pra saber exatamente em que época se passa o plano presente do mangá porque ele é meio genérico, as roupas são muito mistas e extravagantes, lembram anos 90/2000, mas pode ser que não seja, já que ao final, mesmo se passando 60 anos os personagens continuam com uma moda peculiar.
Meu comentário final é: eu preciso comprar esses mangás + bem que podia ter um anime né?

Espero que tenham gostado e entendido pelo menos um pouquinho. 
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Lembranças do tempo em que não tinha juízo


Lembro-me claramente quão desajuizada era em minha breve adolescência. Corria pela cidade como se ela fosse o pátio de minha casa. Quase nua ou totalmente coberta, não importava, chamava olhares por onde passava, propositalmente ou não. Foi nesse dia que percebi quão lindos eram meus longos cabelos vermelhos (e rebeldes).

Você, meu caro, foi o sol quente em uma tarde fria de inverno, tudo ia bem até nos encontrarmos naquele café, meio sem querer, muito de propósito. Lembro-me claramente o quão profundo eram seus olhos azuis e como eles me devoravam, tanto que tu conseguias me deixar completamente sem jeito em dois segundos, e ao mesmo tempo, fazia meu sangue fervilhar mais que meu ator favorito, ou aquela música da qual eu nunca lembro o nome, mas deixa meu corpo elétrico.

Seus beijos e suas caricias, tudo, tudo era absolutamente perfeito e como eu queria que durasse a eternidade (embora eu saiba que se durasse mais que cinco segundos, provavelmente teria enjoado). Tu eras tão sedutor, uma simbiose genuína entre um bad boy de Hollywood e os anjos dos meus livros de cabeceira, tão dócil e ardiloso.

E todo esse turbilhão de sentimentos que me inundaram a alma, as duvidas e os anseios, se acabaram alguns meses depois, quando me dei conta que não fui mais que um breve passa tempo, de mais uma de suas viagens. Ah, meu bem, sinto tanto por ti, por ter me conhecido e não ter podido ficar, perdestes de ver o melhor de mim, e sei que muito inda há de vir.

Perdestes de ver nossos filhos correndo pelo apartamento cheio de flores e plantas, já que tu odeias o campo, faria da cidade a minha selva particular, faria todos os teus dias tristes um pouquinho mais alegre, entretanto, tu preferiu permanecer com tua tristeza tão absolutamente particular e com esse escudo impenetrável.

Fomos tão tolos: Tu achaste que eu seria tua apenas por uns instantes, e eu, imaginei a eternidade para nós. Perdoa minha alma de menina e meus olhos furados, que insistem em derramar lágrimas vez ou outra, pois, assim como sei que pensas em mim, luto arduamente para não lembrar-me de ti.

Siga em frente, capitão, a jornada é longa e eu sou apenas uma poeta cheia de amor no coração, pois, afinal, meus versos estão encharcados de ti, e nosso amor virou poesia para os outros admirarem, não cabe em meu peito, muito menos em meus lábios e então escapam-me pelos dedos.


Agradeço-te pelas tantos belos versos que me proporcionastes, é meu consolo saber que se não virar amor, pelo menos, vira poesia e encanta o coração de alguém.

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Página Arrancada


Arranquei uma folha do meu diário e a joguei pela janela. Esperava justamente que alguém a lesse e entendesse um pouco dos sentimentos das pessoas. Uma semana depois, no jornal dominical havia o seguinte título em uma coluna, “A página arrancada”. Percebi que se tratava da minha “página arrancada”, então parei para ler. Sentei no meu sofá, cujo espaço era perfeito para meu tronco, braços e pernas encolhidos embaixo de uma coberta de lã.

A coluna falava exatamente da ultima folha do meu diário, este, do qual jurei nunca mais escrever, não somente para mim, a partir daquele instante eu escreveria para todos, pois assim, todos entenderiam e saberiam que alguém, talvez muito longe dali, o entendia. A matéria começava assim.
Semana passada, enquanto andava na rua ouvindo música distraidamente, uma folha de caderno bloqueou minha visão, irritado peguei-a e no impulso de amassá-la, parei por um instante e vi que se tratava da data exata do dia, como não resisto a uma boa leitura a dobrei e coloquei no bolso. Chegando à redação, acomodei-me em minha mesa tirando o papel do bolso e comecei a lê-lo. Dizia o seguinte:

‘22/ 08/ 12 – Como tudo terminouOlá, seja lá quem estiver lendo, me chamo Lúcia e esta é a ultima vez que escrevo algo só para mim, quero compartilhar algo com você, peço paciência, obrigada.
Foi no ano passado, quando tudo começou. O conheci por meio de amigos, via-o somente de longe, achei-o interessante, porém só fui puxar assunto algumas semanas depois. Estávamos na rua, eu sozinha como sempre e ele acompanhado de um amigo, seu cabelo estava diferente, havia cortado, chorei por dentro, pois seu cabelo era tão bonito comprido. Andei mais rápido para alcançá-los até que perguntei “por que cortou o cabelo, era tão bonito?”, ele me respondeu espantado que cortara por causa do trabalho, ponto assunto acabado, ri e o amigo dele também, lhe lembrei que era amiga de uns amigos dele e ele soltou um breve sorriso desconfiado, corei e disse que tinha pressa, dei tchau e fui embora, sem dúvida, devia ter me achado uma louca.
Passaram-se algumas semanas, ele se aproximou de mim em uma festa, trocamos números de telefone, começamos a nos falar com mais freqüência, ficamos amigos, estávamos sempre juntos. Indiquei alguns livros para ele, ele algumas músicas para mim. Os meses se passaram rápido demais, tivemos alguns relacionamentos frustrantes, cada um chorou no ombro do outro em certos momentos. Eu me preocupava muito com ele, considerava-o importante demais, tinha até um tanto de ciúmes quando aparecia com uma garota nova, que logo o magoava.

Um garoto que eu estava namorando terminou comigo por ciúmes de nós, da nossa amizade. Éramos muito íntimos, chorei tanto, fiquei tão brava, mas ele estava lá, ele sempre esteve! Até que chegou uma manhã, ele estava na minha casa, havia me acordado em pleno domingo, eu estava fazendo café e ele arrumando os fios do vídeo game, quando me dei conta que o amava em segredo há meses. Não havia notado antes, mas toda aquela preocupação e todo aquele ciúme não eram normais.
Com cuidado levei uma xícara para ele e mantinha a minha entre os dedos da outra mão. Acho que te amo, disse baixinho, seus olhos voltaram para mim espantados, ele pegou a xícara e se sentou, ainda boquiaberto. Seus lábios se abriram, tentando falar algo, mas calou-se novamente, até que soltou “Porque disse isso? Está brincando comigo, não é?”. Não, certamente eu não estava brincando com ele, voltei a dizer “Acho que te amo, veja bem, me preocupo excessivamente contigo, tenho ciúmes quando anda com outra garota e sinto sua falta a cada instante, se isso não for amor, não sei o que pode ser!”.
Naquele instante ele soltou a xícara e veio em minha direção, sentou-se aos pés da poltrona da qual estava sentada e me disse “Então me beija, se me ama”, gelei olhando para aqueles olhos castanhos cor de chocolate. Larguei minha xícara também, sentando-me ao lado dele no chão, meu coração poderia saltar por entre meus lábios, estava nervosa demais, minhas mãos tremiam e mesmo assim pus uma delas em sua nuca e acariciei seus cabelos negros. Não tinha olhos para mais nada além dele, sua mão pousou na minha cintura, então nos aproximamos parando a centímetros dos lábios se tocarem, os olhares se cruzaram e os lábios uniram-se, num beijo demorado e de parar o coração, se pudesse prolongaria aquele instante por mil anos.
Tínhamos um namoro, mais amizade do que namoro. Algumas semanas depois de termos encontrado o amor, unimo-nos, ele me passou a confiança necessária para que eu o desejasse do modo que se não o tivesse poderia sufocar. Tomamos banho juntos, lavei seus cabelos e ele os meus, deitamos no sofá e ficamos ali, sentindo o calor um do outro, adormeci.
Acordei quando as brigas começaram, as discussões por ciúmes, ciúmes vindo dele. Éramos muito felizes, mas ao mesmo tempo tão infelizes, fazia de tudo para não brigarmos, mas sempre havia um motivo do qual eu nunca sabia, mas eu sempre tinha culpa por deixá-lo com raiva, ciúme, “vontade de matar alguém”.
Até que chegou o dia que não aguentava mais, brigávamos todos os dias, eu andava no trabalho feito um zumbi, mal comia, só dormia, estava fraca e deprimida. Terminei, não foi uma escolha fácil, na verdade a mais difícil que eu fiz, ele chorou, eu chorei, voltamos umas três vezes, aceitei a promessa de não haver mais brigas, porém sempre havia.

Mas a ultima briga foi a gota d’água, não vem ao caso o porquê, quando e como, só importa que terminamos de vez, embora o amasse loucamente. Chorava todos os dias, ainda choro, mas com menos freqüência. Fui a casa dele uma semana depois, tive uma recaída, ele estava frio comigo, chorei na frente dele e provei que o amava, que o motivo do qual havia terminado era porque não tínhamos sido feitos para ficar juntos, infelizmente.
Meu aniversário se aproximava e eu pedi que ele tocasse para mim, meio a contra gosto ele tocou uma música que tinha ouvido uma vez apenas, chorei ainda mais, porém ele sorria. No instante em que o olhei fixamente ele me roubou um beijo, o ultimo, a despedida, chorei como se as torneiras de lágrimas estivessem abertas.
Transamos, foi um erro da minha parte, acho que tudo foi um erro meu, do começo ao fim, minha culpa. Se não tivesse dito que o amava nada teria começado e sem um começo não há um fim. Nos afastamos depois disso, ele tentou se aproximar, porém eu não deixei, não podia, se não eu correria o risco de querer voltar.
Um mês depois de cortarmos contato soube que ele estava namorando outra garota. Ele, que havia me jurado amor, ele que disse que me amaria para sempre e que nunca se esqueceria de mim, estava chamando outra garota de “princesinha, gatinha e baixinha”.
O homem que eu amei, sendo como amigo, irmão ou namorado, havia morrido e permanecia apenas em minhas lembranças. Ainda o amo, mesmo tentando reconstituir minha vida e aceitando convites de outros caras para sair. Fico pensando se fui eu quem criou esse monstro, ele mudara muito desde que o conheci, muitos haviam dito isso.
E o pior de tudo é que eu o odeio, odeio o fato de não poder o odiar, odeio o fato de o amar tanto, com todos os seus defeitos, mesmo estando com outra, mesmo não estando morto como em meu coração.

Criei um blog e vou começar a escrever lá, um caderno velho abriga muitos sentimentos, é perigoso ele pegar fogo e minhas palavras serem perdidas, pelo menos em um site, um passa para outro e assim meus sentimentos passam de coração em coração aliviando esta dor conhecida, porém nunca admitida.

Obrigada, querido estranho, por ler esta página arrancada, não somente de meu diário, mas de minha alma e de meu coração.’

Não agradeça, querida Lúcia. Peço que se for possível, entre em contato comigo, sua história é linda, porém sofrida. Boa sorte daqui em diante e não chore mais. Até a próxima semana, com uma nova coluna.

Então, senhor colunista, obrigada por levar a milhares de pessoas minha história, espero ter acolhido em um abraço muitos corações sofredores, porém prefiro não ser identificada, espero que ele leia isto e se lembre de nós, que seja muito feliz e que siga sua vida, como estou fazendo com a minha.

Como diz em um livro que estou lendo:

“Aprendi que amar não significa estar junto, mas sim querer ver a pessoa feliz, mesmo que isso custe a sua felicidade.” 
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Paixão

Todos ao verem meu sorriso
Ao sentirem a aura calorosa que vem de minha alma
O brilho repentino de meu olhar
Perguntam-me: Estais enamorada?

Apaixonada? Eu? Que mal há?
Não há mal algum
Apenas a curiosidade das pessoas que sofrem sem amar
Pois é incomum amar, sofrer e mesmo assim,
Não desistir e amar outra vez

Há um que de liberdade no amor ingenuo
Sem compromissos, sem chaves em seu coração
Há apenas as palavras e juras verdadeiras
Que brotam de nossa ilusão

Amor ou Paixão, realidade ou ilusão
Não sei distinguir as duas emoções
Pois cada qual tem sua importância
E por serem importantes
Os pequenos detalhes tornam-se relevantes

Ah meu coração, ama e se apaixona
Coração bobo, eterno enamorado!
Quando iras aprender, que amar não é sofrer
Mas saber conviver com este estado luminoso que é viver
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Luciola - Resumo e Download


Primeiramente, eu pesquisei umas coisas na net e o resto eu completei, se não ficaria um bom tempo fazendo este resumo e mesmo assim não ficaria tão bom!

 Eu li este livro e simplesmente amei! Primeiro você fica com pena do Paulo, logo com raiva da Lúcia, depois tem pena dos dois e assim subsecivamente, pois como Lúcia o livro vai transformando-se conforme a história vai se desenrolando!
 E quando se da conta, já esta totalmente preso a criatura meiga e doce que é Lúcia e pelo lindo amor que Paulo tem por ela e assim reciprocamente! Este é um livro apaixonante, sofredor, não um conto de fadas com um final feliz, mas um romance lúdico porem realista!




Introdução

Lúcia, a mais rica e cobiçada cortesã do Rio de Janeiro, e Paulo, um jovem modesto e frágil. Um romance que sacode a corte e provoca um excitado burburinho na sociedade. De um lado a mulher que, sendo de todos, jurava não prender-se a nenhum homem, de outro o homem em dúvida entre o amor e o preconceito.

Resumo

Logo após ter chegado ao Rio de Janeiro, vindo de Olinda, em 1855, com cerca de 25 anos, Paulo foi convidado por um amigo, o sr. Sá, a acompanhá-lo à Festa da Glória, quando lhe chamara a atenção uma jovem e bela mulher que, de início, em sua simplicidade de provinciano e quase inocente, não identificara como cortesã ( ou prostituta).

Ao ver Lúcia, tivera a impressão de já conhecê-la. De fato, à noite lembra-se de que, realmente, já a tinha visto antes, no dia mesmo de sua chegada ao Rio de Janeiro, em um carro elegante, e exclamara então para um companheiro de lado: "Que linda menina! Como deve ser pura a alma que mora naquele rosto!" e que gentilmente, depois, lhe alcançara o leque que esta havia deixado cair na rua.

Lúcia era, assim, uma mundana de rara beleza e suave aspecto, que faziam parecer uma jovem inocente. Pelo menos, essa foi a impressão de Paulo e que o levou a apaixonar-se, mesmo depois de saber quem era ela.
Um aspecto intereçante é que no livro se referem a Lucia como: Boa nas intenções, mas devassa na prática da vida que levava; interesseira e avara na conquista do dinheiro fácil e, ao mesmo tempo, generosa ao dar esmolas e na ajuda a parentes; com um passado de luxo e dissipação, se apaixona da maneira mais romântica pelo jovem que nela descobrira bondade e ternura. Enfim, era bem feminina ao parecer tantas numa só. Paulo, no entanto, no entusiasmo da paixão, definiu-a: "Tu és um anjo, minha Lúcia!".

Tendo Paulo visto Lúcia naquela festa da Glória, a ela foi apresentada pelo seu companheiro, que a conhecia e fora seu amante. Mesmo assim ele continuou a idealizá-la, até nas visitas que lhe fez a seguir, francamente inocentes e cordiais. Só algum tempo depois é que se tornaram amantes. Cada vez mais, no entanto, prendia-se a ela por um amor apaixonado que ultrapassava a simples satisfação do sexo. Não a queria como uma mundana lúbrica e sensual, famosa pelos requintes no amor, e sentia que ela também, na maneira de tratá-lo, nos seus silêncios, nos seus beijos e carícias, o amava realmente. A prova maior disso foi o seu afastamento de tudo para dedicar-se a ele. Nem logo brigaram, e ela voltou à vida antiga. Nessas alternativas de brigas e reconciliações, de ciúmes e de arrependimento, chegaram à confissão de suas vidas e à aceitação do amor com que se queriam.

E Lúcia contou-lhe a sua história, declarando para sempre morta a mulher que fora até então; sua família viera morar na Corte e viviam dignamente, até que a epidemia de febre amarela de 1850 atacou todos os seus: pai, mãe, irmãos, tios,...

Somente ela foi poupada, vendo-se obrigada a cuidar dos familiares. Assim foi que, por necessidade, entregou o seu corpo a um ricaço de nome Couto( um velho gordo, que ela dizia enoja-la), para conseguir ajuda e apoio. Morreram-lhe a mãe, a tia e dois irmãos; o pai, ao descobrir que ela recebera dinheiro de um homem em paga de sua honra, expulsou-a de casa.E ela na inocencia e sem ao menos saber de fato o que aquilo significava, pois era tão pura e apenas queria o dinheiro para ajudar sua familia. Depois disso, o caminho estava aberto à prostituição. Na sua nova vida, então , mudou de nome, pois se chamava realmente Maria da Glória, em devoção a sua madrinha Nossa Senhora da Glória.

Depois de uma longa viagem que fizera à Europa em companhia de um amante, de volta ao Rio só encontrou de sua família uma irmãzinha de nome Ana, a quem tomou sob sua proteção e a pôs num colégio.

Após tal confissão, de que resultou um perfeito entendimento entre os dois, Lúcia foi morar numa casinha de Santa Teresa, que alugara, em companhia da irmã. Afastou-se da vida mundana para receber apenas a visita de Paulo. No ambiente bucólico daquele bairro viveram os dois um idílio simples. Passeavam nos arredores de mãos dadas como dois namorados, e nessa busca da inocência perdida, ela até se recusava, periodicamente a ser de novo sua amante. É que ela agora já adotando outra vez seu nome de batismo, Maria da Glória, estava esperando um filho de Paulo.

Mas o idílio em que viviam durou pouco. Lúcia sofreu um aborto e, ante a recusa de tomar remédio para expelir o feto sem vida, faleceu de infecção, confessando a Paulo que o amava perdidamente desde o primeiro encontro. Pediu-lhe que cuidasse de sua irmãzinha Ana, a quem deixara em testamento a sua fortuna, cerca de cinqüenta contos de réis, como se fosse sua própria filha. A princípio queria que ele se casasse com Ana, mas, ante sua recusa, pediu-lhe que a protegesse, e morreu dizendo-se sua noiva eterna, sua noiva no céu.

Agora um dos ultimos trechos onde Lúcia fala,que foi o que eu mais amei:


— Se alguma coisa me pudesse salvar ainda, seria esse bálsamo celeste, meu amigo! 
Eu soluçava como uma criança. 

— Beija-me também, Paulo. Beija-me como beijarás um dia tua noiva! Oh! agora posso te 
confessar sem receio. Nesta hora não se mente. Eu te amei desde o momento em que te vi! Eu te 
amei por séculos nestes poucos dias que passamos juntos na terra. Agora que a minha vida se conta 
por instantes, amo-te em cada momento por uma existência inteira. Amo-te ao mesmo tempo com 
todas as afeições que se pode ter neste mundo. Vou te amar enfim por toda a eternidade. 

A voz desfaleceu completamente, de extenuada que ela ficara por esse enérgico esforço. 
Eu chorava de bruços sobre o travesseiro, e as suas palavras suspiravam docemente em minha alma, 
como as dulias dos anjos devem ressoar aos espíritos celestes. 

— Nunca te disse que te amava, Paulo! 

— Mas eu sabia, e era feliz! 

— Tu me purificaste ungindo-me com os teus lábios. Tu me santificaste com o teu 
primeiro olhar! Nesse momento Deus sorriu e o  consórcio de nossas almas se fez no seio do Criador. Fui tua esposa no céu! E contudo essa palavra divina do amor, minha boca não a devia 
profanar, enquanto viva. Ela será meu último suspiro.
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Lista com os personagens!

Lúcia/Maria da Glória: Lúcia é uma mulher de 19 anos, que tem a profissão de cortesã, uma das mais ricas da cidade. É extremamente bonita e elegante, sendo cobiçada pelos homens e invejada pelas mulheres. Pela sua profissão, é muito mal-falada pela cidade, e então as pessoas não sabem quem ela realmente é por dentro. Tem os cabelos anelados escuros e grandes olhos negros. É muito profunda e reflexiva, tendo assim grande complexidade psicológica.

Paulo: Paulo é um jovem de 25 anos recém-chegado no Rio de Janeiro. Não tem muito dinheiro, por estar ingressando na vida profissional, e acha isso algo ruim por estar se relacionando com Lúcia, que é muito rica. É um homem ingênuo e que, em algumas passagens do livro, age sem pensar.

: Grande amigo de Paulo, tem 30 anos. Mora a cerca de 7 ou 8 anos no Rio de Janeiro. É ele que apresente Lúcia a Paulo. Fala mal de Lúcia, o que desagrada Paulo.

Ana: irmã mais nova de Lúcia, de apenas 12 anos. É muito parecida com sua irmã mais velha, também possui os cabelos anelados. No final do livro casa-se.

Laura e Nina: Prostitutas assim como Lúcia. Estavam presentes no jantar na casa de Sá, e apresentam inveja da beleza de Lúcia. Lúcia ajuda Laura uma vez, pagando seu aluguel. Paulo marca um encontro com Nina para fazer ciúmes em Lúcia, mas ela não vai.

Cunha: já teve uma relação extra-conjugal com Lúcia, que o deixou por ver sua mulher muito triste e pensativa. Assim como Sá, fala muito mal de Lúcia.

Couto: velho homem galanteador. Foi ele que se aproveitou da inocência e necessidade de Lúcia quando esta tinha apenas 14 anos.

Rochinha: rapaz de 17 anos que possui velhice precoce por beber demais.

Jesuína: mulher que recolhe Lúcia quando ela é expulsa de casa aos 14 anos, e que finge ser sua enfermeira.

Jacinto: homem de 45 anos que vive da prostituição de mulheres pobres. Paulo achou que ele e Lúcia são amantes, o que não é verdade. No meio do livro, ele mostra-se angustiado por Maria da glória ficar com pedro, e acaba cometendo suicídio.
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Era uma vez, uma menina... © Copyright 2011 - 2016. - Versão 9. Little nymph. Ilustração Martina Naldi. - Original de Muryel de Oliveira. Tecnologia do Blogger.