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O que as grávidas não dizem

Existem muitas coisas que nós (grávidas) não dizemos, mas sentimos e pensamos. Isso, obviamente varia muito de mulher para mulher, de sociedade, de classe etc. Mas, se você está ou já esteve grávida, com toda certeza pode afirmar.

Raramente ou nunca dizemos que estamos incomodadas com algo, porém isso deveria ser dito. Deveria ser dito que é muito chato quando você sobe no ônibus cheio no final do dia e as pessoas te olham e fingem que estão dormindo, lendo ou enfiam a cara no celular e dali não levantam até que chegue a parada delas. 

É chato também quando pessoas mais velhas te olham com nojo ou cara feia por você estar sentada no assento preferencial e ficam te empurrando com a barriga, bolsa etc. 
É muito constrangedor ter que pedir lugar, por isso não falamos, por isso não pedimos, acredito que boa parte das grávidas usa a tática de passar a mão na barriga ou na lombar para ressaltar que tu está esperando um bebê.

Outra coisa é o toque, não tem problema, na minha opinião, o toque na barriga, mas de pessoas que são intimas ou queridas, porém todo estranho que te vê na rua quer te tocar, as amigas da tia avó, da vizinha da sua tia, pessoas que dizem te conhecer desde criança mas que nunca trocaram mais que meia dúzia de palavras contigo. Ou ainda familiares, por serem "família" se acham no direito de tocar e dar palpite o tempo todo. Nem sempre queremos ser rudes, as vezes só calamos e nos sentimos violadas, sem um pingo de autonomia sobre seu corpo.

As pessoas te dizem o que comer, o que vestir, o que deve ou não fazer como se você fosse uma criança. Se metem na escolha do nome do bebê, em suas preferências, quando deve parar de amamentar, quando deve introduzir alimento, quando deve desfraldar, etc. 

Pessoas, não sejam assim.

Grávidas também detestam a gestação, o cansaço, o sono e a fome. Grávidas também bebem e fumam. Grávidas também querem se sentir sexys e gostam de ouvir que são! Grávidas também perdem a libido e enjoam da cara do/a companheiro/a.

Grávidas continuam sendo mulheres, continuam sendo assediadas nas ruas, continuam tendo seu corpo objetificado pela sociedade, seja sexualmente ou a endeusando e a tornando um bibelô fútil. Grávidas são iludidadas e enganadas por outras mulheres, mães, avós, tias... Nem tudo são flores, nem tudo é maravilhoso. 

Inclusive é incômodo, é chato, as vezes dói física e emocionalmente. As vezes a gente quer desistir, quer parar no meio, as vezes, essas vezes são tão recorrentes que tomam o mês inteiro.

Estar grávida é um ato de coragem, é quase ser militante, uma guerrilheira na selva do mundo e da sociedade.

Existem muitas coisas que grávidas não falam, coisas que ninguém deveria fazer, que não deveria ser necessário falar, pois deveria ser natural e respeitado. 

Afinal, grávidas são mulheres, e sabemos como mulheres são tratadas.
Triste, mas real. 
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Quantas vezes você fez sexo sem querer fazer?


Por onde começar? Pelo começo, certamente. Mas, e no começo você fez porque quis ou foi porque 'já estava na hora?' ou porque suas colegas já haviam feito e você se sentia excluída? Quem nunca foi posta de lado por ser 'virgem' e 'não entender'.

Sofremos, homens e mulheres, uma pressão muito grande acerca de todas as coisas possíveis no mundo, temos que estudar e fazer isso bem, trabalhar e ser o melhor, ter relacionamentos duradouros e por isso suportar todo e qualquer problema, temos que... o tempo todo. Sem contar que temos a pressão sexual, os meninos tem que ter relações cada vez mais cedo e as meninas precisam se 'resguardar', porém não é bem assim que funciona, sabemos que quanto mais cedo os meninos querem, mais cedo nós meninas cedemos aos apelos incessantes de alguns que não estão acostumados a ouvir não. 

Primeiramente quero esclarecer que não estou aqui para culpabilizar ninguém além da sociedade, e meninos não se sintam ofendidos, adoro vocês, porém as vezes é necessário contar o nosso lado e vai doer, e mais, tudo que eu falar é com base no que eu ou amigas próximas vivemos. 

Eu já perdi as contas de quantas vezes ouvi coisas como "mas eu te faço ficar com vontade", "é só entrar no clima", "mas eu tô tão afim" ou a pior "por que tu veio se não queria?" quando eu disse que não queria transar ou não estava no clima. Percebi agora como certas músicas me marcaram violentamente por causa desses momentos. Não posso mais ouvir The Killers ou The Kooks porque me lembro de todas as vezes que eu olhei pro teto e rezei silenciosamente pra que o cara gozasse logo porque eu não aguentava mais aquilo, porque estava me sentindo mal ou como nas ultimas vezes que me aconteceu, porque eu entendi que era uma violência, que era um estupro,

Teve um vídeo da Jout Jout (aqui) no carnaval que viralizou com o print de "Depois do não é tudo assédio", e nesse vídeo eu me dei conta de diversas coisas que me aconteceram e que aconteceram com amigas. A gente se sujeita, por mais que o cara diga "tu não tem que fazer algo que não quer", porém quando envolve sexo são outros quinhentos. 

Quantas vezes você já disse no meio do sexo que não estava gostando ou que queria parar e seu parceiro ficou de boa? Ok, comigo aconteceram algumas vezes, mas não sem eles insinuarem uma 'mãozinha' pra terminar. Quando eles mesmos não 'se dão aquela mãozinha' contigo ali do lado! Quer fazer uma mulher se sentir mal, nojenta, não vista nem amada é bater uma depois que ela disse que não queria, que estava doendo ou que simplesmente tinha passado a vontade. Como se fosse nossa culpa, ainda por cima 'perdermos a vontade assim do nada', uma pessoa perde a vontade por diversos motivos, problemas, ou porque a outra pessoa não está agradando, fica a dica. 

Meninas, me digam, quantas vezes vocês já não imaginaram estar em qualquer outro lugar ou com uma pessoa mais gentil, carinhosa ou menos repugnante do que aquele namorado que não percebe ou não faz questão de perceber que está sendo abusivo, que está te violentando e ainda te usando pra se satisfazer? Eu, várias! 

Ou quando eles te pegam pela mão gentilmente e te conduzem até um sexo desprotegido e segundos antes de gozar, param e perguntam "tu toma pílula né? não vai esquecer, senão vai dar ruim!" como se a responsabilidade de não gerar uma criança fosse somente nossa! Sem contar das diversas doenças e vírus que podem circular nesses momentos! Aah, e quando tu pede, com uma cara insegura, pra ele não 'pôr' sem camisinha e ele diz "só pra começar" e tu fica com aquela cara de "quê???" e ele já sai enfiando, não dá um desgosto? 

Somos retalhadas, abertas ao meio e cutucadas com espetos, facas, atiçadores de brasa, reviradas do avesso, exportas, submetidas e reprimidas, humilhadas e violentadas de tantas formas possíveis e impossíveis, sem contar nas chantagens emocionais, sem contar nas violências seladas com beijos e cartas de falso amor e ainda assim, vivemos. Ainda assim, estamos aqui lutando. Para sermos chamadas de frágeis, de dramáticas e que estamos fazendo uma 'tempestade em copo d'água'

Antes de julgar alguém tente se por no lugar dele, ver essa pessoa com outros olhos, despido dos seus preconceitos e 'achismos'. Outra dica, passe um dia como uma mulher, sozinha numa cidade grande, com pessoas estranhas e ruas desconhecidas e desertas. Quando até o cobrador te lança uma piscadinha e olha bem pra sua bunda, porque você sabe quando te olham, seu corpo esquenta, você quer se esconder e chorar, quer sua mãe, quer seu pai, quer alguém pra te proteger ou só sumir. Agora, como seria se seu parceiro, alguém que deveria ser um porto seguro, alguém em quem você poderia confiar, lhe faz algo tão degradante, que violenta seu corpo e não só, sua alma. Pega seus sentimentos e os rasga em pedacinhos.

Eu falo, não por uma, mas por várias mulheres, negras, brancas, trans, lésbicas, baixas, altas, magras e gordas. Eu falo por pessoas. Pessoas que merecem o mínimo de dignidade e respeito e na maioria dos momentos não recebe. 

Hoje eu digo "CHEGA!" e sei que ninguém vai me obrigar a fazer nada que eu não queira e é isso que eu falo pra minha irmã que atualmente tem 13 anos: se um cara te disser que faz tu ter vontade, ou que "teu corpo não nega a vontade que tu está" e por isso tentar justificar te obrigar a transar com ele, tu sempre pode e deve gritar que ele é um agressor e que tu está sendo violentada. Porque isso É SIM ESTUPRO!  

Toda vez que tu disser não e ele mesmo assim insistir, tu ceder e se sentir um lixo é porque você foi/está sendo estuprada, sinto em te dizer, caso você não tenha se dado conta. 

Procure pessoas que irão te apoiar e ajudar nessas questões, principalmente terapeutas. Terapia foi a melhor coisa que decidi investir, não sei se estaria aqui contando isso se não estivesse acompanhada do meu terapeuta fantástico! 

Enfim, acho que já contei coisas demais! 
Só lembre: Mulheres unidas! Nem uma a menos! Todas por uma e uma por todas! 


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Resenha: Outros jeitos de usar a boca - Rupi Kaur


Estou há meia hora olhando para essa tela em busca de palavras para descrever a sensação que é ler este livro. Milk and Honey, da Rupi Kaur é um livro sensacional! Eu li todas as vezes chorando e sempre que vou emprestar ele para alguém acabo lendo mais uma vez, e chorando, é claro. 

A primeira vez que eu soube desse livro foi no canal da Jout Jout, ela leu diversas poesias dele e eu fiquei com gostinho de quero mais na boca. Depois a minha linda Bruna Morgan escreveu uma resenha sobre e eu fiquei gritando desesperadamente. Até que mês passado eu consegui comprar em uma oferta relâmpago na Amazon. 

(link do skoob)
Outros jeitos de usar a boca
Rupi Kaur
Ano: 2017
Páginas: 208
Editora: Planeta Brasil
Avaliação: ★★★★★
Sinopse Skoob: 'outros jeitos de usar a boca' é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.
O vídeo da Jout Jout


Resenha

Esse não é um daqueles livros que você compra pra se divertir. Ele é sofrido. Ele corta. Ele faz doer até mesmo onde você achava que não seria possível sentir algo. Cada palavra, cada verso é ensopado de sentimentos que a maioria das mulheres já sentiu ou presenciou. O abandono, a agressão, o abuso, a dor, a ilusão, a raiva, o amor, a descoberta do amor próprio, e diversos outros. 

Eu pude, pela primeira vez em toda a minha vida, me ver naqueles poemas que não foram feitos por mim, porque foram justamente feitos por uma mulher de verdade, que sofreu de verdade, que passou tudo que passou de verdade, e ela veio nos dizer o quão fantásticas nós somos e que não devemos nos deixar ser maltratadas por pessoas que não sabem entrar pela porta da frente e sentar no sofá como uma boa visita.

Aqui estão alguns de muitos (todos) os poemas que me tocaram profundamente.








Esse vídeo também é fantástico!


Enfim, não há mais o que falar, já que as palavras da Rupi falam por si só! 


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Era uma vez, uma menina... © Copyright 2011 - 2016. - Versão 9. Little nymph. Ilustração Martina Naldi. - Original de Muryel de Oliveira. Tecnologia do Blogger.