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Ele seria uma bela nota de rodapé


Era um dia quente, mas havia uma brisa forte e gelada. Iria chover a qualquer momento. Eu assistia-o se locomover até onde eu estava. Seu cabelo levemente bagunçado pela pressa em chegar. Haviam pequenas flores que caíam da grande árvore no canteiro central do qual ele passara. 

Eu estava do outro lado, com as pernas em formato de lótus, mexendo num livro sem conseguir me concentrar. Estava nervoda. Esse tipo de coisa não costumava acontecer comigo, mas quando se tratava dele, ah, então eu era outra. Passava mal, perdia as palavras, ficava esperando uma mensagem. Ele era aquele tipo de pessoa da qual as pessoas admiram, mas que temem se aproximar. Sua timidez fazia as pessoas terem cautela ou até mesmo não insistir muito numa conversa. Mal sabiam elas que por dentro ele era outro. Extrovertido, brincalhão, diria que até um sedutor experiênte - ou eu me sentia uma boba quando ele estava perto -, a questão é que ele não percebia nada disso. 

Não se achava merecedor, ou o excluído, aquele que não se adapta ou que não sabe como flertar com uma garota. Ele tinha era dificuldade de lidar com pessoas rasas. Talvez eu fosse uma delas, já que ele me olhava com um misto de receio e de desejo, o que me deixava ainda mais nervosa. Ele não demonstrava estar verdadeiramente interessado em mim, o que me deixava nessa constanhte dúvida. Eu me entrego, digo o que sinto ou fico esperanhdo ele achar que gosta de mim, e então tomar iniciativa? 

Mas, não fou naquele dia florido, agradável e apaixonante que eu decidi contar. Eu, boba que sou, decidi me declarar contando que gostava de um menino, enviei a mensagem de texto e esperei retorno, não veio. Falei então, abrindo meu coração, que não sabia lidar com isso, com a ideia de gostar tanto dele e que parecia não ser recíproco. 

Então a resposta veio. Ele respondeu com todo o carinho em um texto gigantesco, dizendo que se eu gostava tanto dele era pra dizer, que não me faria bem guardar e que aposto que o menino estaria sim afim de mim, afinal, "você é encantadora". Fiquei mais de 30min encarando aquela mensagem, foi quando resolvi dizer. "Então, eu conversei com um amigo e ele me aconselhou a te dizer que, bem, que eu gosto muito de você. E, eu queria saber o que você sente quanto a isso?"

Uma torturante hora se passou, então meu celular brilhou. Era uma mensagem dele. "Eu sinto o mesmo. Mas, acho que agora não posso mais te dar o que você espera que eu lhe dê."

Eu, chocada, não entendi, resolvi ligar. Liguei uma, duas, cinco, dez vezes. Foi quando uma voz feminina atendeu. "Alô?". eu exitei "Oi, é, eu queria falar com o Vini, ele está?" houve silêncio por um longo minuto "Alô?" perguntei, "Olá, qual o seu nome mesmo querida?", estranhei, sua voz parecia engasgada de choro, "É Aline" falei por fim. 

Estava preocupada nesse momento, não entendia a tensão no ar nem o porquê de ele não atender o celular, foi quando ela me tirou dos meus devaneios infantis com a trágica notícia, "O Vini, minha querida, ele, bem, ele foi... foi atropelado enquanto atravessava a rua. O celular ficou em pedaços, mas resgatamos o chip, foi quando você ligou. Querida, sente-se ok? Vou terminar de contar." ela disse quando abri a boca pra falar, "O Vini não está mais aqui, ele se foi. Eu sei que vocês estavam num lance há tempos, ele sempre me falava que estava falando com você ou indo ver 'sua amiga Aline', sinto muito pela nossa perda, ele era um bom filho. Ele nem conseguiu se inscrever na faculdade de medicina, havia passado em três vestibulares, mas acho que estava relutante em escolher porque todas eram em outro estado. Eu sou mãe dele e perdi minha vida. Se quiser me ver, ou pegar alguma coisa sua que esteja com ele, meu endereço é..." foi quando eu parei de ouvir.

Não podia estar acontecendo, ele havia me enviado a mensagem. Parei então e tomei forças para perguntar: "Qual foi o horário do atropelamento?", ela parou e depois de uns segundos respondeu "16h33min" dei tchau e desliguei. Olhei o celular. Sua ultima mensagem fora enviada às 17h, ele foi atropelado lendo a minha mensagem, talvez enviando aquela resposta. Ou, talvez, o amor da minha vida havia sido um anjo.  

Hoje, depois de 4 anos da morte do Vini posso dizer que sinto menos sua falta. Sou paramédica. Ajudo as pessoas, salvo vidas, perco algumas, diria que nesse mar de histórias se cruzando em um gigantesco livro, o Vini, meu querido Vini, seria uma bela nota de rodapé. 
"Vinícius, 25 anos, olhos azuis, meio verdes, meio cinzas, cabelo bagunçado e um sorriso tímido. Eu o amava, e sei, que onde quer que ele esteja, ele ainda me ama."

255. "Eu não sabia o que estava acontecendo naquele momento".

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Resenha: Tarot Café (7 volumes)


Estava devendo essa resenha desde o assalto, mas como muitas coisas aconteceram acabei adiando, mas a dona dos mangás precisa deles então eu precisava fazer isso em algum momento. Bem, eu não sei fazer resenhas de uma forma legal, com nomes de personagens e detalhes mais precisos, até porque eu não gravo nomes de personagens, nem de pessoas ou lugares, então vai ser algo mais contadinho do que realmente fatos dos capítulos.

Informações

Mangáka: Sang-Sun Park
Volumes: 7
Ano: 2007-2008
Edição: 1
Editora: Lumus e New Pop
Gênero: Horror, romance, fantasia e drama
Avaliação: :Excelente /: Favorito


**Contém Spoilers **
Tudo começa na Escócia de 1232, a protagonista Pamela ainda é uma criança e vive com sua mãe, ela é tão mística quanto a garota, faz partos e conhece as ervas, porém a mãe sabe ser discreta, e Pamela não, ela vê a maldade nas pessoas, ela tem a visão, como os místicos dizem. Porém ela chama a atenção de somente o cara mais fodástico do inferno, o dono de toda a merda! E ele a quer e vai fazer de tudo para ter aquela humana peculiar.

Já no mundo atual, Pamela é dona de um café que após o expediente normal atende cliente diferentes. Ela tira as cartas e lê seus futuros em troca de contas do colar de Berial, um cara muito fodástico, com essas contas Pamela busca quebrar sua imortalidade e reencontrar sua mãe que foi morta queimada e seu amado Dragão, do qual vem sua imortalidade, quando ele morreu a primeira gota do seu sangue jorrou nela tornando-a imortal. Porém, ela sofre com isso, mais de 800 anos perambulando pelo mundo e fugindo de pessoas que querem matá-la.
A história se desenrola assim, ela contrata um menino que foi transformado em lobisomem, o amigo dela Bellus é um cara muito estranho meio demônio (que no final vocês irão entender quem ele é), ela luta com um rei dragão amigo do amado dela que pensa que foi ela que tramou tudo para sua morte. Atende um vampiro que é modelo, mas ela diz o que ele queria ouvir "que seriam felizes no amor" e depois a menina mata ele, porque na verdade ela era a reencarnação de uma outra moça que ele matou e agora ela busca vingança.
Também conta a história de um alquimista que criava e dava vida a bonecos, mas a obra perfeita dele, a princesa, era má. Então ele a destruiu, deformou seu rosto para que ela se parecesse por fora como era por dentro. Pamela conta que conheceu um sultão (ou marajá, não lembro porque não me pego a detalhes, infelizmente) ela tirou as cartas para ele, ouviu sua triste história de amor por seu ex-escravo e comandante, recebeu sua carta para que entregasse ao seu amado e no final nós descobrimos que ele era um fantasma, ou seja, ela vê gente morta!
Existem ainda histórias mais bonitas, como o do senhor ser da natureza que corta sua árvore (ao qual ele está ligado) em troca de dinheiro para a operação de um menininho que se torna seu amigo, mas que era muito maltratado pelos pais. Ou do rapaz que se apaixonou por uma ninfa do lago que adora queijo! São pequenas histórias interligadas por amor e necessidade de algo que no final somam no saldo positivo de Pamela para vencer o cara ruim fodástico dono da coisa toda lá, o Berial.


Minhas impressões

Além do traço delicado e ao mesmo tempo forte, a história é envolvente, ela te prende primeiramente nas histórias soltas e aos poucos nas ligações e nas memórias do passado da protagonista. Embora não seja uma típica história de amor, pude me apaixonar pelo relacionamento ali presente entre Pamela e Bellus/Berial etc (ele tem muitos nomes). Além de todos os outros relacionamentos presentes em cada capítulo. Achei sim algumas coisas desconexas, mas acredito que esse seja o ponto forte da história, te fazer voltar ao volume anterior, ver se leu certo, cuidar nas datas, porque tempo não é nada para uma imortal! E, falando em datas, não da pra saber exatamente em que época se passa o plano presente do mangá porque ele é meio genérico, as roupas são muito mistas e extravagantes, lembram anos 90/2000, mas pode ser que não seja, já que ao final, mesmo se passando 60 anos os personagens continuam com uma moda peculiar.
Meu comentário final é: eu preciso comprar esses mangás + bem que podia ter um anime né?

Espero que tenham gostado e entendido pelo menos um pouquinho. 
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A Mariposa


Nenhuma vida valia nada, por assim dizer, ela o pensava. Até sair do seu casulo, a Mariposa sofrida se deu conta, que o sofrimento não era uma característica só dela, ele existia para os outros tão vivo quanto para ela, em suas lembranças. Todos a adoravam, mal sabiam que era um bichinho vazio, envolvido pelas tramas da vida, o álcool, o sexo, a vaidade e o poder que suas balas palavras tinham.
Ela dançava belamente no ar, nos dias de sol, mas fugia da noite como o diabo foge da cruz, se é que ele é realmente real, pois, tenho minhas dúvidas. O inferno é a tempestade perto da colheita, ele destrói os sonhos que nós plantamos, tão ingenuamente, achando que nada poderia dar errado. O inferno somos nós mesmos, é criação nossa.

A Mariposa era individualista e imediatista, uma criança fútil, que nada sabia da vida, das dores e cicatrizes alheias, até conhecer o Senhor Coruja, um bicho sábio e pacifico que lhe contou sua história de dor e superação, e que, mesmo assim, continuava sorridente e fazendo graça da vida.
Ela, um ser leve e tão belo, que vivia dizendo que a vida era curta demais para viver triste, no fundo de seu coraçãozinho, era o serzinho mais triste e solitário, amargurado e egoísta que poderia voar livre pelos céus. Naquela tarde ela não voou, não comeu, não dançou. Tampouco sorriu, andou quilômetros, pensativa, o que sou eu, afinal? Indagou-se.

Por fim, concluiu que não era nada. “Eu sou, disse para si mesma, uma criança mimada, pobre de coração e solitária, ninguém me amaria pelo que realmente sou, ninguém leria as palavras tristes que rabisco em meu diário todas as noites, se por acaso, alguém olhasse em meus olhos e, por trás das ruguinhas de sorriso, enxergasse a dor que não cabe em mim, que é ridiculamente pequena comparada a dos outros, e que eu a torno tão enormemente importante, ririam de mim”.

“Por mais que não admita, sou a rainha do drama e das brumas do cigarro, das quais deixei-me levar quando experimentei pela primeira vez das mãos do Senhor Lagarta, eu sou uma vergonha, o que minha mamãezinha diria se visse as coisas que eu faço quando o véu da noite cai. O que pensariam as criancinhas que me assistem bailar pelos céus, se soubessem que eu não sou doce e pura como imaginam?! O que eu devo pensar de mim?!”


E sua tortura durou os segundos restantes de sua vida, afinal, a vida é breve, e a pobre Mariposa, por poucos minutos deixou que suas preocupações afetassem seu pensamento lógico, que, “a vida é curta demais para ser levada tão a sério”, e morreu absorta em seus dramas particulares. Contudo, ninguém esperava menos dela, pois, era apenas um objeto de desejo alheio, linda e delicada, frágil demais para se cobrar tanto. Todos a amavam pelo que sabiam que era de verdade, seus olhos eram transparentes, só ela não percebia o quão inebriante era seu voo matinal, ainda sob efeito das drogas da noite. 

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Um conto da pobreza


Ella era de uma família muito pobre, gente da terra, que ganhava o pão com o suor do seu trabalho. Ella sempre achou honrada a forma com que seu pai pensava, e ele sempre repetia: Nunca te esqueça de onde veio, quem tu és, e filha de quem tu és. A garota jamais se esqueceria disso, estava enraizado nela, e embora Ella adorasse ler e passar horas sonhando com o dia em que se tornaria professora, das crianças que aprenderiam com ela e todas as belas histórias que poderia contar, seu velho pai insistia em cortar-lhe os sonhos.

Certa vez, Ella fez a prova mais difícil da vida dela, essa prova julgaria se estava apta para se tornar responsável por uma classe. Todos a recriminavam: “Você não poderá ter uma família, e logo ficará velha para casar”, “Seu pai espera netos, alguém para continuar a linhagem dele”, “Toda professora é malvada e mal amada” entre outras coisas que ela recusava-se a pensar.

No dia do resultado, Ella estava ansiosa, pôs a melhor roupa e prendeu os cabelos. Tremia feito vara verde, respirou fundo várias vezes até controlar os tremores nas mãos. Subiu na carroça e tocou-se para a cidade, na porta da universidade estava à lista com os nomes dos aprovados, ela ficara na vigésima terceira colocação, de trinca vagas. A moça não continha-se de tanta alegria! Correu até a feira e comprou ótimos legumes, faria a ceia da noite em comemoração. Chegando em casa, arregaçou as mangas, vestiu um avental velho e surrado, e pôs-se a cozinhar, varreu o chão e acendeu as lamparinas para que quando os mais irmãos e o pai voltassem da roça, a casa estivesse um brinco. Tudo isso ensinada pela mãe, que deus a tenha, copeira de uma família rica da cidade.

Os três irmãos mais novos e o pai chegaram, cada um contribuiu para sujar o chão da cozinha com o barro dos pés, ela pediu: “Limpem os pés, varri a casa toda!” e o que recebeu em troca? Um xingamento do pai, “A casa é minha, e eu faço o que bem entender! Mulher foi feita pra cuidar da casa, se está suja, limpa de novo”. Com lágrimas nos olhos, falou baixinho, “Sim pai, desculpe. É que eu tenho uma boa notícia, passei na prova, poderei ser professora”.

O pai parou bem onde estava, olhou para os filhos e depois para Ella, passou as mãos no rosto e bufando, disse: “Já está se achando melhor que os outros, não é mesmo! Daqui a pouco vai querer mandar no modo que nós nos vestimos, vai querer andar com roupas chiques e nos corrigir quando falarmos errado. Porque tu não te casa, tem filhos e cuida de uma casa como toda boa mulher faz?”
Aquilo a destruiu por dentro, e o pai continuou: “Nunca se esqueça de onde veio, de quem és e de quem tu és filha! Eu sou um pobre lavrador, teus irmãos não são muito diferentes de mim, agora, porque tu teve educação, por causa da tola e sonhadora da tua mãe, não menospreze a nós!"

“Mas, pai, não foi isso que eu quis dizer!” Soluçou a pobre garota. “Eu só queria comemorar, fazer algo diferente para comermos, e ainda mais agora, serei enviada para outra cidade para leciona!” O pai ainda mais furioso berrou, “Viste? Ela vai se mudar! Vai abandonar a família, essa daí tem jeito de rica, sempre teve, desde pequena adorava as coisas caras, os mimos que o dinheiro dá”.

As lágrimas brotaram pelo seu rosto, meio rouca, pode pronunciar suas ultimas palavras naquele lugar, “Eu lhe amo, mas basta! Se o senhor escolheu essa vida, se orgulhe dela, mas não tire o meu direito de sonhar, de viver e de crescer! Eu sou livre, e sempre serei! Nunca serei como a minha mãe, que se casou com o senhor e morreu sem ganhar uma flor sequer!” Ella arrancou o avental, passou pelo pai e pelos irmãos atônicos, pegou a trouxa de roupas e pertences, o dinheiro que economizara durante anos e foi-se embora.

Naquele dia choveu muito, penso que foram as lagrimas da mãe da garota ao vê-la sofrer. Aquele homem amargurado nem sempre fora assim, mas alguém lhe mostrou que os sonhos não o levariam a lugar algum, então num certo dia, ele parou de sonhar. Ouve-se que Ella nunca se casou, que cuida de uma escola e, apesar da rigidez com que lida com as crianças, é sempre doce e sonhara. Ela nunca esquecera de onde veio, nunca deixou de ser a menina dos cabelos soltos que vivia no campo, mas agora, os tempos são outros, ela usa preto e prende os cabelos, Ella ainda sonha a noite, e todos os dias, reza para que jamais deixe de sonhar!


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Lembranças do tempo em que não tinha juízo


Lembro-me claramente quão desajuizada era em minha breve adolescência. Corria pela cidade como se ela fosse o pátio de minha casa. Quase nua ou totalmente coberta, não importava, chamava olhares por onde passava, propositalmente ou não. Foi nesse dia que percebi quão lindos eram meus longos cabelos vermelhos (e rebeldes).

Você, meu caro, foi o sol quente em uma tarde fria de inverno, tudo ia bem até nos encontrarmos naquele café, meio sem querer, muito de propósito. Lembro-me claramente o quão profundo eram seus olhos azuis e como eles me devoravam, tanto que tu conseguias me deixar completamente sem jeito em dois segundos, e ao mesmo tempo, fazia meu sangue fervilhar mais que meu ator favorito, ou aquela música da qual eu nunca lembro o nome, mas deixa meu corpo elétrico.

Seus beijos e suas caricias, tudo, tudo era absolutamente perfeito e como eu queria que durasse a eternidade (embora eu saiba que se durasse mais que cinco segundos, provavelmente teria enjoado). Tu eras tão sedutor, uma simbiose genuína entre um bad boy de Hollywood e os anjos dos meus livros de cabeceira, tão dócil e ardiloso.

E todo esse turbilhão de sentimentos que me inundaram a alma, as duvidas e os anseios, se acabaram alguns meses depois, quando me dei conta que não fui mais que um breve passa tempo, de mais uma de suas viagens. Ah, meu bem, sinto tanto por ti, por ter me conhecido e não ter podido ficar, perdestes de ver o melhor de mim, e sei que muito inda há de vir.

Perdestes de ver nossos filhos correndo pelo apartamento cheio de flores e plantas, já que tu odeias o campo, faria da cidade a minha selva particular, faria todos os teus dias tristes um pouquinho mais alegre, entretanto, tu preferiu permanecer com tua tristeza tão absolutamente particular e com esse escudo impenetrável.

Fomos tão tolos: Tu achaste que eu seria tua apenas por uns instantes, e eu, imaginei a eternidade para nós. Perdoa minha alma de menina e meus olhos furados, que insistem em derramar lágrimas vez ou outra, pois, assim como sei que pensas em mim, luto arduamente para não lembrar-me de ti.

Siga em frente, capitão, a jornada é longa e eu sou apenas uma poeta cheia de amor no coração, pois, afinal, meus versos estão encharcados de ti, e nosso amor virou poesia para os outros admirarem, não cabe em meu peito, muito menos em meus lábios e então escapam-me pelos dedos.


Agradeço-te pelas tantos belos versos que me proporcionastes, é meu consolo saber que se não virar amor, pelo menos, vira poesia e encanta o coração de alguém.

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A História de Luciana


Luciana se via sozinha quase sempre, mesmo rodeada de pessoas e em festas badaladas, ela era do tipo que se entediava facilmente e que detestava as grandes multidões. Ela tinha um amor que mais parecia amizade, embora ele a quisesse só para ele, ela se queria para ela e nada mais.

Não era feminista, mas detestava o machismo, achava sem cabimento o tamanho do desrespeito dos homens (que, por sinal, nasciam de mulheres) para com ela. Luciana já foi chamada de vadia, fácil, sem vergonha e a melhor “a puta da galera”. Me responda você, quem em sã consciência não gosta de beijar? Sim, ela amava beijar e dividir um pedacinho de seu coração em cada beijo, em cada toque. Nada mais, nada menos.

Romântica ao extremo, do tipo que se afundava em cobertas e passava as noites lendo romances medievais e com amores impossíveis. Nada parecido com seu amor da vida real, dependente e dramático, vivia fazendo-se de vítima e criando casos, brigas etc.

Ao conhecê-lo Luciana caiu de cabeça no amor, não fazia nada sem pensar nele, tudo o que ela queria era passar mais uma hora dormindo ao seu lado todas as manhãs. Porém, ele parecia estar sempre insatisfeito com tudo, com a roupa dela, o cabelo, a forma como ela o tratava (e convenhamos, não era a mais doce, mas era a sua forma de ser doce), seu tom de voz, e finalmente, o mais importante, o tempo que ela dedicava a ele parecia ser sempre monopolizado por outra atividade mais importante que o ato de “babar o namorado”.

A garota nunca foi do tipo que sente ciúme ou que vive em cima das pessoas que ama, mas nem todo mundo entende isso, e ele era uma dessas pessoas. Seu relacionamento estava acabando, dia após dia e o que ela poderia fazer? Já havia feito de tudo e nada parecia ter surtido efeito, ela parecia ser sempre a errada da relação e o namorado, o lindo e perfeito.

Ela estava enojada, e no dia em que fariam aniversário de namoro, sua suplica e seu último fio de esperança se extinguiram, ele foi, mais uma vez, rude com ela. Acabou, ela disse, foi a gota d’água, nunca mais homem algum fará isso comigo novamente. Então, ela foi até a cozinha da casa dela, onde estavam jantando para comemorar aquela data mega especial, pegou uma faca e arrancou seu coração, mesmo chorando, seu sofrimento parou no instante em que seu companheiro de tanto tempo parou de bater, olhando para ele, Luciana disse: “Nunca mais, ninguém nos machucará novamente.”.

No dia seguinte era manchete no jornal local: “Garota amargurada arranca coração e em seguida mata namorado com 47 facadas no peito”. Luciana nunca mais se sentiu só entre a multidão, porque na prisão a puseram no isolamento, alegaram ser insana e incapaz de manter a própria vida a salvo. Hoje, ela e seu coração não sofrem mais.



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Se eu morrer...


No ônibus, esta manhã me dei conta de uma questão que inunda a minha alma, se eu morrer amanhã, como será? 

Provavelmente eu vá para uma cidade espiritual, ou talvez para o umbral, talvez não aconteça nada, morri e ponto, acabou-se, o nada, o vazio, ou a eternidade nos campos elísios. Mas, e minha família e amigos? Os colegas da faculdade, o pessoal do Facebook e do blog, alguém sentirá a minha falta além dos amigos mais próximos?!

Talvez meu Facebook fique cheio de mensagens de saudade, de lágrimas escritas. Minha mãe recolherá as minhas roupas do varal e passará a mão levemente sobre aquela blusa branca que eu tanto gostava. Meu pai olhará meus livros, os nossos livros, alguns ainda inacabados e com o marca-páginas perdido entre o capítulo onze e o doze e em silêncio devotaria as mais sinceras lágrimas para as palavras não lidas e para mim.

Minha irmã, por outro lado, melhoraria na escola pensando que eu gostaria disso, passaria a ler meus velhos livros e provavelmente guardaria alguns pertences meus, com ela. Meus avós fariam aquele drama básico de "como ela era uma boa neta e nós nunca dissemos isso a ela", minha madrinha se sentiria vazia e não brigaria com ninguém durante umas semanas. Minha tia pensaria "ela poderia ter se formado no próximo ano", meu namorado provavelmente se revoltaria e passaria a odiar o deus que eu tanto amo, mas dentro de um ano ou dois ele voltaria ao site de relacionamentos que nos conhecemos para consolar seu coração. 

Meus animais ficariam deitados no tapete do meu quarto e suspirariam vez ou outra, meu gato miaria do seu jeito manhoso, me chamando e minha cadela me esperaria todos os dias, na janela, pensando "quem sabe hoje ela volta"Meus amigos, os verdadeiros, se lembrariam de como eu detesto homenagens e não falariam nada, ou talvez um ou outro escreveriam um texto gigante contando como nos conhecemos inusitadamente e como eu chamava a atenção movimentando as mãos no ar loucamente. 

Só sei que nada disso me traria de volta, meus livros continuariam acumulando pó ou provavelmente seriam vendidos para algum sebo e minhas roupas mais extravagantes a algum brechó, minhas paixões, assim eu seguiria viva em alguém, mesmo que distante. Se eu tenho algum pedido? Joguem as minhas cinzas ao vento, eu sempre gostei de como meus cabelos balançavam quando sentava num daqueles bancos altos no ônibus, como hoje, que uma mecha insiste em entrar no meu olho esquerdo fazendo eu me arrepender, mesmo que brevemente, de ter deixado o cabelo crescer novamente. 

E a vida é isso, num sopro, ela se apaga, como a chama de uma vela.

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Uma mera Desconhecida


Olá caro leitor, para você, neste momento, não passo de uma mera desconhecida que sofre de dores nas mãos e mesmo assim, está aqui, às 02:00 da madrugada, escrevendo. Sem nomes ou lágrimas contarei a minha breve história.

Nasci há alguns anos, com uma forte esperança de que tudo seria melhor, mas ao longo da minha turbulenta adolescência percebi, com as palavras de uma amiga, que o mundo é preto e branco, mais exatamente, ela dizia: “O mundo é uma bosta e estamos todos cagados”

Pensei em colorir meu mundo, mas a cada dia, mês ou ano percebia que era tão difícil quanto fazer chover no Saara. Vi amores cheios de esperança e doçura, tentei fazer o mesmo, mas o que consegui foram bons arranhões e cicatrizes profundas em minha alma e coração. Pobre coração sonhador, desejava apenas ser confortado, e eu tola, o joguei aos leões famintos e sagazes. 

Infelizmente, mesmo tentando lutar contra a injustiça, perceba, o mundo não é justo, alguns dizem “o mundo é dos justos”, não, não mesmo, o mundo é de quem ganha mais, rouba mais, fode mais com os menos inteligentes ou com menos recursos. O mundo é o céu da boca de um jacaré. 

Afoguei-me em pensamentos e lágrimas muitas vezes, e também na banheira, mas temi realmente morrer e não completar a minha grande obra. Plantei umas boas dez árvores, mas falta o tal livro, que toda pessoa deveria escrever ao final de sua vida, é uma meta. 

Todos falam que faço drama, mas o que eles vêem é apenas a ponta do iceberg, detesto quando comentam algo como “Nossa, como tu estás profunda hoje”, eu sou profunda o tempo inteiro, a vida toda. Eu já cheguei ao fundo do poço e sei o quão difícil foi de subir razoavelmente até o topo. 

Minhas revistas de literatura estão começando a acumular pó, gostaria de ter ânimo de tirar uma a uma e limpá-las, mas, veja bem, não tenho um pingo de agilidade nem mesmo quando algo está pegando fogo, quando um relacionamento está afundando, porque tiraria o pó das minhas revistas? Você tiraria o pó delas? Foi o que pensei. Não.

No final, falei muito e não disse nada, mas a vida não é isso mesmo? É um faz de conta que sei de tudo, mas no fundo sei que não sei nada. O universo é tão vasto e eu sou apenas uma partícula de um grão de areia em uma praia do planeta terra. 

A vida se resume a um suspiro, às vezes mal dado, outras que te tira o ar. Lembre-se de não desmaiar, siga em frente e faça o melhor que conseguir, talvez assim, quem sabe, consiga ser o grão de areia, em uma praia, no planeta terra. 

Agradeço pela atenção, um breve adeus, nos falamos.

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Nina - A Menina Que Morreu Engasgada


Nina sentia-se só e incompreendida, ao seu ver parecia que as pessoas a sua volta não a enxergavam claramente. Talvez a vissem como um borrão de tinta ou meio transparente, como uma cortina de banheiro que pode-se comprar numa dessas lojas de um e noventa e nove.

Ela nunca sentiu-se completamente compreendida dentro de sua casa e em meio aos parentes, amigos e irmãos. Era como se a vissem como um bibelô, bonito e delicado, que embora todos tivessem elogios a dizer, ninguém realmente prestava atenção. Ele ficava ali, sentada no sofá, espremida entre a tia gorda e tagarela e o primo nerd e tarado que só sabia olhar-lhe os seios de modo que uma ligeira umidade cobria-lhe os lábios e em raras vezes um fio de saliva corria-lhe pela lateral da boca.

Um peixe fora d’água era pouco para expressar a ânsia que Nina sentia com toda aquela bajulação e falsa cordialidade. A sala estava barulhenta com todos falando ao mesmo tempo, cada um com seu próprio assunto destinado a pequenos grupos. Vez ou outra ela tentava opinar em algum assunto do seu interesse, sabia que sobre aquilo tinha muito a contar, mas no final, eles ouviam e voltavam a falar assim que ela terminava de formular meia dúzia de palavras, sem nem ao menos terminar seu argumento falho.

Seu olhar se tornava vago, distante e perdido. Vez ou outra uma tia velha e encalhada lhe perguntava sobre os estudos, trabalho e quando iria arrumar um “namoradinho”, isso a deixava bem menos animada do que antes, com todo aquele murmurinho.

Ela se levanta e sai, escolhe debruçar-se no peitoral da janela e ficar observando a agitação dos carros na rua, e de longe pode ouvir os cochichos relacionados a ela “Como a Nina anda esnobe, não fica perto dos parentes” ou o pior “É o mal da adolescência, ela é anti-social, tadinha, precisa de um psicólogo”. Aquelas pequenas coisas quebravam, literalmente, o coração da pobre garota. Ela se sentia vazia e invisível, e foi assim, que pouco a pouco ela foi sumindo. Menos pessoas perguntavam sobre ela e mais ninguém perguntava sobre os namoradinhos, nem o primo que tanto adorava seus seios, lembrou-se dela.

Nina morreu em seu quarto, há alguns meses, sem comer ou beber, encontraram-na deitada em sua cama, com um grosso caderno junto ao corto, fortemente preso entre os braços. Todas suas opiniões e palavras não ditas estavam ali, seus sentimentos fartos e exaustos estavam guardados e empilhados folha após folha, a irmã mais velha um pouco menos abalada pegou o velho diário cheio de páginas rabiscadas e leu, página após página e ao final constatou, não foi o coração que parou, ou os rins, Nina morreu engasgada, engasgou-se com as palavras não ditas ao longo dos anos.

Alguns dizem que após o incidente de Nina, a família mudou-se e que hoje na antiga casa pode-se ouvir pessoas falando, quase sempre uma voz feminina argumenta longas histórias e nunca se cala. Outras vezes ouve-se um choro abafado ou gargalhadas mais parecidas com as de uma grande reunião familiar. Acredito que Nina achou com quem conversar, afinal, nós nunca estamos completamente sós.
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Página Arrancada


Arranquei uma folha do meu diário e a joguei pela janela. Esperava justamente que alguém a lesse e entendesse um pouco dos sentimentos das pessoas. Uma semana depois, no jornal dominical havia o seguinte título em uma coluna, “A página arrancada”. Percebi que se tratava da minha “página arrancada”, então parei para ler. Sentei no meu sofá, cujo espaço era perfeito para meu tronco, braços e pernas encolhidos embaixo de uma coberta de lã.

A coluna falava exatamente da ultima folha do meu diário, este, do qual jurei nunca mais escrever, não somente para mim, a partir daquele instante eu escreveria para todos, pois assim, todos entenderiam e saberiam que alguém, talvez muito longe dali, o entendia. A matéria começava assim.
Semana passada, enquanto andava na rua ouvindo música distraidamente, uma folha de caderno bloqueou minha visão, irritado peguei-a e no impulso de amassá-la, parei por um instante e vi que se tratava da data exata do dia, como não resisto a uma boa leitura a dobrei e coloquei no bolso. Chegando à redação, acomodei-me em minha mesa tirando o papel do bolso e comecei a lê-lo. Dizia o seguinte:

‘22/ 08/ 12 – Como tudo terminouOlá, seja lá quem estiver lendo, me chamo Lúcia e esta é a ultima vez que escrevo algo só para mim, quero compartilhar algo com você, peço paciência, obrigada.
Foi no ano passado, quando tudo começou. O conheci por meio de amigos, via-o somente de longe, achei-o interessante, porém só fui puxar assunto algumas semanas depois. Estávamos na rua, eu sozinha como sempre e ele acompanhado de um amigo, seu cabelo estava diferente, havia cortado, chorei por dentro, pois seu cabelo era tão bonito comprido. Andei mais rápido para alcançá-los até que perguntei “por que cortou o cabelo, era tão bonito?”, ele me respondeu espantado que cortara por causa do trabalho, ponto assunto acabado, ri e o amigo dele também, lhe lembrei que era amiga de uns amigos dele e ele soltou um breve sorriso desconfiado, corei e disse que tinha pressa, dei tchau e fui embora, sem dúvida, devia ter me achado uma louca.
Passaram-se algumas semanas, ele se aproximou de mim em uma festa, trocamos números de telefone, começamos a nos falar com mais freqüência, ficamos amigos, estávamos sempre juntos. Indiquei alguns livros para ele, ele algumas músicas para mim. Os meses se passaram rápido demais, tivemos alguns relacionamentos frustrantes, cada um chorou no ombro do outro em certos momentos. Eu me preocupava muito com ele, considerava-o importante demais, tinha até um tanto de ciúmes quando aparecia com uma garota nova, que logo o magoava.

Um garoto que eu estava namorando terminou comigo por ciúmes de nós, da nossa amizade. Éramos muito íntimos, chorei tanto, fiquei tão brava, mas ele estava lá, ele sempre esteve! Até que chegou uma manhã, ele estava na minha casa, havia me acordado em pleno domingo, eu estava fazendo café e ele arrumando os fios do vídeo game, quando me dei conta que o amava em segredo há meses. Não havia notado antes, mas toda aquela preocupação e todo aquele ciúme não eram normais.
Com cuidado levei uma xícara para ele e mantinha a minha entre os dedos da outra mão. Acho que te amo, disse baixinho, seus olhos voltaram para mim espantados, ele pegou a xícara e se sentou, ainda boquiaberto. Seus lábios se abriram, tentando falar algo, mas calou-se novamente, até que soltou “Porque disse isso? Está brincando comigo, não é?”. Não, certamente eu não estava brincando com ele, voltei a dizer “Acho que te amo, veja bem, me preocupo excessivamente contigo, tenho ciúmes quando anda com outra garota e sinto sua falta a cada instante, se isso não for amor, não sei o que pode ser!”.
Naquele instante ele soltou a xícara e veio em minha direção, sentou-se aos pés da poltrona da qual estava sentada e me disse “Então me beija, se me ama”, gelei olhando para aqueles olhos castanhos cor de chocolate. Larguei minha xícara também, sentando-me ao lado dele no chão, meu coração poderia saltar por entre meus lábios, estava nervosa demais, minhas mãos tremiam e mesmo assim pus uma delas em sua nuca e acariciei seus cabelos negros. Não tinha olhos para mais nada além dele, sua mão pousou na minha cintura, então nos aproximamos parando a centímetros dos lábios se tocarem, os olhares se cruzaram e os lábios uniram-se, num beijo demorado e de parar o coração, se pudesse prolongaria aquele instante por mil anos.
Tínhamos um namoro, mais amizade do que namoro. Algumas semanas depois de termos encontrado o amor, unimo-nos, ele me passou a confiança necessária para que eu o desejasse do modo que se não o tivesse poderia sufocar. Tomamos banho juntos, lavei seus cabelos e ele os meus, deitamos no sofá e ficamos ali, sentindo o calor um do outro, adormeci.
Acordei quando as brigas começaram, as discussões por ciúmes, ciúmes vindo dele. Éramos muito felizes, mas ao mesmo tempo tão infelizes, fazia de tudo para não brigarmos, mas sempre havia um motivo do qual eu nunca sabia, mas eu sempre tinha culpa por deixá-lo com raiva, ciúme, “vontade de matar alguém”.
Até que chegou o dia que não aguentava mais, brigávamos todos os dias, eu andava no trabalho feito um zumbi, mal comia, só dormia, estava fraca e deprimida. Terminei, não foi uma escolha fácil, na verdade a mais difícil que eu fiz, ele chorou, eu chorei, voltamos umas três vezes, aceitei a promessa de não haver mais brigas, porém sempre havia.

Mas a ultima briga foi a gota d’água, não vem ao caso o porquê, quando e como, só importa que terminamos de vez, embora o amasse loucamente. Chorava todos os dias, ainda choro, mas com menos freqüência. Fui a casa dele uma semana depois, tive uma recaída, ele estava frio comigo, chorei na frente dele e provei que o amava, que o motivo do qual havia terminado era porque não tínhamos sido feitos para ficar juntos, infelizmente.
Meu aniversário se aproximava e eu pedi que ele tocasse para mim, meio a contra gosto ele tocou uma música que tinha ouvido uma vez apenas, chorei ainda mais, porém ele sorria. No instante em que o olhei fixamente ele me roubou um beijo, o ultimo, a despedida, chorei como se as torneiras de lágrimas estivessem abertas.
Transamos, foi um erro da minha parte, acho que tudo foi um erro meu, do começo ao fim, minha culpa. Se não tivesse dito que o amava nada teria começado e sem um começo não há um fim. Nos afastamos depois disso, ele tentou se aproximar, porém eu não deixei, não podia, se não eu correria o risco de querer voltar.
Um mês depois de cortarmos contato soube que ele estava namorando outra garota. Ele, que havia me jurado amor, ele que disse que me amaria para sempre e que nunca se esqueceria de mim, estava chamando outra garota de “princesinha, gatinha e baixinha”.
O homem que eu amei, sendo como amigo, irmão ou namorado, havia morrido e permanecia apenas em minhas lembranças. Ainda o amo, mesmo tentando reconstituir minha vida e aceitando convites de outros caras para sair. Fico pensando se fui eu quem criou esse monstro, ele mudara muito desde que o conheci, muitos haviam dito isso.
E o pior de tudo é que eu o odeio, odeio o fato de não poder o odiar, odeio o fato de o amar tanto, com todos os seus defeitos, mesmo estando com outra, mesmo não estando morto como em meu coração.

Criei um blog e vou começar a escrever lá, um caderno velho abriga muitos sentimentos, é perigoso ele pegar fogo e minhas palavras serem perdidas, pelo menos em um site, um passa para outro e assim meus sentimentos passam de coração em coração aliviando esta dor conhecida, porém nunca admitida.

Obrigada, querido estranho, por ler esta página arrancada, não somente de meu diário, mas de minha alma e de meu coração.’

Não agradeça, querida Lúcia. Peço que se for possível, entre em contato comigo, sua história é linda, porém sofrida. Boa sorte daqui em diante e não chore mais. Até a próxima semana, com uma nova coluna.

Então, senhor colunista, obrigada por levar a milhares de pessoas minha história, espero ter acolhido em um abraço muitos corações sofredores, porém prefiro não ser identificada, espero que ele leia isto e se lembre de nós, que seja muito feliz e que siga sua vida, como estou fazendo com a minha.

Como diz em um livro que estou lendo:

“Aprendi que amar não significa estar junto, mas sim querer ver a pessoa feliz, mesmo que isso custe a sua felicidade.” 
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