Constatei depois de uma longa reflexão embaixo do chuveiro que não sei ser feminista. Eu fui criada por uma família considerada "conservadora”, apesar de pensar que todos devem ser o que acharem que tem que ser e respeitar as suas escolhas minha família ainda tem seus resquícios do machismo e idealiza algumas coisas como certas, mas isso cabe para eles e não para mim. Apesar de tudo isso, eu fui criada para me amar e não depender de homem, para ser meu porto seguro, para seguir em frente, para “saber escolher o melhor para mim” é saber fortemente o que me serve e me é útil e o que não é.
Mas, mesmo assim, eu não sou desconstruída o suficiente para ver estigmas em tudo, acho louvável que minhas amigas consigam, mas não suprir essa expectativa talvez me frustre um pouco. Eu não sei ser feminista, eu detesto o radicalismo em qualquer instância, eu também não gosto de me manifestar em relação à política, tampouco tento manifestar minha opinião sobre algum assunto por medo de não ser politicamente correto.
Não estou me vitimizando, embora minha lua em câncer ajude nesse quesito, mas muitas vezes das quais eu tento expor minha humilde opinião sou advertida, tanto em casa quanto na rua, que minhas ideias e forma de pensar estão erradas, que não é assim, e me “provam’’ por A + B que o que dizem tem fundamento e lógica. Eu desisti do coletivo de mulheres que andava participando, desisti de manifestar minha opinião sobre assuntos tão "polêmicos”, desisti também de tentar agradar os outros e já tenho uma pauta para a próxima consulta com o psicólogo: Por que eu sempre sou corrigida gentilmente pelas pessoas por causa da minha forma de pensar, sendo que não pedi base teórica, muito menos opinião sobre meu modo de construir meu pensamento e de viver meus ideias.
