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Resenha: Fragmentado


Já faz um tempo que assisti Fragmentado e me apaixonei. Fiquei fascinada pela trama, embora acredite fortemente que mereça continuações! Durante o filme eu fiquei tensa, mas não cheguei a sentir medo, acho que fui fria e analisei cada personagem e situação. Antes do final eu já sabia mais ou menos como acabaria. 

Informações:

2016 ‧ Thriller/Terror ‧ 1h 57m
Kevin possui 23 personalidades distintas e consegue alterná-las quimicamente em seu organismo apenas com a força do pensamento. Um dia, ele sequestra três adolescentes que encontra em um estacionamento. Vivendo em cativeiro, elas passam a conhecer as diferentes facetas de Kevin e precisam encontrar algum meio de escapar.
Data de lançamento: 17 de março de 2017 (Brasil)
Direção: M. Night Shyamalan
Elenco: James McAvoy, Anya Taylor‑Joy e Betty Buckley
Resenha: 

Eu perdi os primeiros minutos do filme, então, pra mim tudo começa quando três garotas e o pai de uma delas estão saindo de algum lugar, com compras e comida, elas já estão no carro e o pai está guardando tudo no porta malas. Um estranho chega por trás e depois mostra-o entrando no carro. As duas garotas que estavam no banco de trás são as primeiras a serem postas para dormir por "fazerem alarde", Casey que está no banco do carona é a que fica em silêncio e tenta sair sorrateiramente do carro. Não conseguindo, as três são levadas para um lugar misterioso das quais nenhuma consegue sair.


O cara que as sequestra tem TOC e gosta de ver garotas nuas dançando. Ele seleciona uma das meninas e quando uma tenta lutar para proteger a amiga, Casey diz "faça xixi". Logo depois a amiga volta, ele sentiu nojo dela e a devolveu. 

Em todos os momentos Casey pensa calculadamente sobre os movimentos, estudando cada situação, enquanto as outras meninas só pensam em fugir, bater e sair dali. Só que o sujeito era mais forte que as três juntas. Tudo isso se passa enquanto o indivíduo, Kevin, vai a psicóloga/terapeuta Dra. Karen Fletcher

A Dra. narra os fatos do transtorno de Kevin e suas 23 personalidades. Barry é o que aparentemente fica "a luz" ou seja, ativo e no comando de Kevin. Barry é um estilista em crise existencial. Logo após o sequestro diversos emails de consultas extras vão chegando para a Dra. que começa a desconfiar que algo esteja acontecendo, no caso, o brutamontes com TOC (Dennis) é quem está fingindo se passar por Barry para abafar os emails enviados pelas outras personalidades que veem algo errado e tentam avisar.

Casey e o pai

Aparecem também, Hedwig, um menino de 9 anos e Patricia, uma fanática religiosa que juntamente com Dennis querem trazer "a fera" de volta a luz. A fera seria a 24° personalidade de Kevin, grande, com garras e feroz, que sobe em paredes e se alimenta de carne humana. Eles sequestraram as meninas por elas serem impuras, impuras no sentido de nunca terem sofrido, pois pareciam jovens felizes que os pais dão tudo. Já uma pessoa pura seria aquela que já experienciou a dor.

O filme, além de uma ótima fotografia (eu estudei um pouco sobre isso, e pelo que puder perceber e dos comentários de amigos da área, é realmente muito bom), tem um enredo sobrenatural e psicológico. Retratando abusos, traumas e transtornos de identidade. No caso, Casey fora estuprada pelo tio desde pequena, o filme da a entender que atualmente ainda é, seu pai morreu e ela ficou sob a guarda do tio. Ela relata que sempre faz alguma coisa para ficar mais tempo na escola, para fugir do abuso. Em diversos momentos mostram flashes de memória da infância dela caçando com o pai e o tio. O primeiro abuso e as chantagens. 


Em vários momentos elas tentam fugir, Casey é a única que não. Que tenta manter a calma e fazer tudo que mandam. Até que conhece Hedwig e tenta seduzir ele para que ele e ajude a sair de lá. Mas o menino é ruim, ele quer que os outros acreditem nele e só mete ela em fria. 

No final, quando a Dra. Karen Fletcher percebe que deve intervir e que a fera realmente pode existir, ela vai atrás de Kevin e encontra as meninas, ela é a primeira a ser morta pela fera, mas antes disso deixa o nome de Kevin num papel escrito "chame-o pelo nome: Kevin "Wendell" Crumb". Casey assiste todos vídeos diários das demais personalidades e fica chocada. Consegue fugir mas já é tarde, ela precisa correr da fera. 


Essa parte é desesperante, a perseguição, a tensão no ar. Mas, ela só não é morta no final porque a fera vê sua barriga e braços cheios de marcas de arranhões e tentativas de suicídio. Então ele diz que ela é "pura" e fica "feliz", indo embora. 

Pelo que pude perceber e achei na rede, haverá uma sequência de fragmentado, que seria uma sequencia de corpo fechado

Trailer:


Para quem não viu ainda, achei bem fácil para download e ainda está em cartaz (eu acho), mas já digo. Vá preparado. Não é um filme para pessoas sensíveis ou despreparadas. É um filme forte, com muitas chamadas psicológicas e que abordam temas polêmicos como abuso, estupro, agressão infantil e transtornos mentais, sem contar com a pegada sobrenatural que é marca do diretor Shyamalan.

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Naquela vida em que eu só sabia ser feliz


Naquela vida em que eu só sabia ser feliz, passava os dias com a minha flauta para lá e para cá. Papai me dizia: "Filha, nem tudo são flores, tome cuidado para não deixar a tristeza de lado por muito tempo, ela pode vir atrás de você!" Só que eu não entendia nada daquilo. Queria mesmo era ser feliz com todas as minhas forças e nada, nem ninguém iria me impedir. Eu dançava, corria, cantava, pintava e todas as coisas que me eram permitidas fazer. Todas elas eu fazia. Tinha sede de viver

Casei. Quando tinha meus 18 anos, quase muito velha pra casar, me apaixonei, ele era lindo e radiante, talvez com tanta vontade de viver quanto eu. Pele aveludada, olhos da cor do grão de café, cabelos negros como o pelo de um leopardo. Em outra vida devia ter sido um, seu olhar me paralizou como um desses animais paraliza sua preza que não sabe se fica e aceirta a morte ou se arrisca tudo e corre. Essa foi a minha sorte, eu corri. Corri para seus braços, de onde jamais gostaria de sair. Casamos por amor. Meu pai permitiu. Não era algo comum, normalmente os pais escolhiam com quem os filhos iriam se casar e o amor viria aos poucos. 

Sei que todos estavam temerosos com o casamento. Do mesmo modo que eu costumava correr para as coisas, costumava também correr para longe delas. Nunca fui apegada a nada além da minha liberdade e da felicidade de viver a vida intensamente nos seus mínimos detalhes. Esse foi meu grande erro. 

Engravidei, mas não queria estar grávida. Tirei. Ninguém nunca soube, nem do seu inicio, nem do seu fim. Então depois de alguns meses novamente. Voltei a tirar. Não sei quantas vezes fiz isso. Era jovem, tinha tempo para dar um filho ao meu marido. Nós éramos felizes como estávamos. Quando completei 21 anos todos estavam esperando que a qualquer momento eu anunciasse a gravidez. Foi quando ela veio. Minha sogra contara quantos dias haviam se passado e chegou ao pé do meu ouvido "fazem 40 dias que seu ciclo não desce". Eu sabia, estava esperando e ponderando se aquele deveria ser o momento. Fingi estar feliz, ela anunciou para todos que eu carregava a quarta geração da família no ventre. Meu marido não se aguentava de tanta felicidade. 

Eu fui mimada, ganhava tudo nas mãos, não me deixavam fazer nada que envolvesse correr ou pegar peso. Eu era infeliz assim, privada das coisas que mais amava. Naquele dia de verão, quando o outono se aproximava eu senti uma dor muito forte no ventre. Senti um liquido quente descendo por entre minhas pernas. Eu estava perdendo o bebê. Chamaram o médico, a curandeira, todas as mulheres ficaram a minha volta. Estava tudo bem comigo, mas o bebê havia ido embora. Pediram para eu não engravidar novamente tão cedo, mas eu não ouvi. No outro mês estava tão feliz que me deitei com meu marido de forma mais íntima e intensa, engravidei novamente. E, novamente vim a perder. Foram 20 meses tentando, um aborto atrás do outro. Eu não segurava os bebês. 

Certa vez perguntei para uma velha senhora se isso poderia ser causado pelos constantes abortos anteriores, ela disse que provavelmente não. Que era mais garantido que eu pensasse que a criança sabia que eu não a queria. E eu realmente não a queria. Portanto, quando ela começava a ficar madura, se soltava do pé, caindo por entre meus pés em forma de sangue e líquidos. 

Aos 23 anos meu marido casou-se novamente e eu fui devolvida ao meu velho pai. Ele foi obrigado pela família a fazer isso. Eu já não era nada feliz. Não cantava, não dançava, fazia somente o que me era pedido em silencio e resignação. Eu desgastei a porção de alegria e irresponsabilidade da minha vida. Hoje, consigo ver que a tristeza realmente veio me buscar, de tanto que eu fugia de seus olhos atentos e inteligentes. 

"Não tenham medo crianças", eu sempre digo para meus sobrinhos. "A tristeza sempre chega, sempre te encontra, então, apenas viva a dor, sinta-a no momento que ela tiver que ser sentida, nem mais, nem menos. Aprendam a não temer seus paços pesados e desengonçados. Andem ao seu lado e lhes falem sobre suas dúvidas e desamores, ela sempre nos entende"

Isso não é uma história sobre aborto, filhos, felicidade por ser mãe ou uma mulher completa. Isso é apenas um relato de quem não se manteve atenta as suas próprias oportunidades de ser humana. Uma história de alguém que fugiu todos os anos da tristeza e da dor. Alguém que foi contra a lei natural da vida que diz que a dor deve ser sentida


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