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Não é só mais uma carta de amor


Eu ainda tenho 21 anos, e se eu pudesse, pararia o tempo exatamente agora. Quando eu ainda tenho só uns poucos fios de cabelos brancos e você as bochechas lisinhas de quem tem pouca idade e recém fez a barba. Eu congelaria seu sorriso e as piadas bobas e sem graça que me fazem rir descontroladamente.

Cada pequeno instante que passamos, cada breve momento de alegria, eu penduraria como fotos em um varal, para que todos que passassem pela gente soubessem que nós somos felizes na nossa simplicidade de acordar despenteado e com a cara amassada e mesmo assim ter a doçura de dar bom dia para cada parte do nosso corpo: "bom dia pezinhos", "bom dia olhinhos", "bom dia barriguinha" e beijar cada uma delas. Isso parece meio bobo para quem lê (provavelmente), mas são meus pequenos tesouros.

Todos podem dizer que o ano que passou foi o pior de todos, que só trouxe coisas ruins, crise, desemprego, um presidente meia boca etc. Eu diria que sou grata, pois esse ano me trouxe você. Me trouxe como as ondas trazem aquela garrafa perdida com um bilhete dentro, daquelas que vemos nas animações da Disney.

É clichê dizer que você é a alegria dos meus dias mais banais? Ou que eu adoro fazer arte contigo? Ou ainda, que tu é o melhor amigo para empreendimentos malucos de todo o mundo (que eu tenho)?

E, eu queria te dizer, aqui, na frente de todos, que eu te amo. Amo ser completa e poder te amar nessa plenitude. Amo me descobrir através dos seus olhos. Amo a pessoa melhor que eu sou com a tua ajuda e quando tu me xinga e eu me sinto um serzinho insignificante, mas mesmo assim, você me abraça. Te amo, simplesmente por eu poder ser quem eu sou e saber que comigo você é quem é. Simples assim. Sou feliz por esses meses que estamos juntos e não quero que o tempo voe ou que a gente dure pro resto da vida juntos. Quero só a gente. Aqui. Agora. Nesse momento que foi congelado pela memória.

Att, quem te ama muito.

207. Você tem vinte e um anos de idade. Escreva uma carta de amor para o(a) seu/sua namorado(a).

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Carta ao meu ex-namorado


Querido ex-namorado, todos nós sabemos que tu não és meu querido, há muito já deixou de ser, mas tento em meu íntimo guardar as boas lembranças que não foram anuladas pelas atitudes imbecis. 

Você me fez. Fez o que sou agora. Eu te agradeço de todo o meu coração pela grande ajuda em me tornar a pessoa forte e determinada que sou hoje. A pessoa corajosa que não abaixa a cabeça para qualquer olhar feio. A pessoa que não passa um dia sem questionar se as atitudes em relação ao mundo e a meu círculo íntimo estão corretas ou não. 

Você, meu bem, tornou-se a feminista ativa e que busca crescer e se aprofundar em seus ideias. Você me apresentou Simone de Beauvoir indiretamente. Você fez com que eu agisse da mesma forma com os outros ex’es, recusando suas imposições. Por que? Porque é o meu corpo, são minhas regras. Simples assim.

Você me ensinou que mais vale uma amizade, seja ela feminina ou masculina. Você também me fez ver que meus melhores amigos homens queriam me "comer” e o fariam na primeira oportunidade. Eu te agradeço, agradeço de todo o meu ser por abrir meus olhos para os homens como você! 

Lembra quando tu me ensinou a não matar aulas por causa de qualquer barrinha mal feita roçando no meu pescoço? Pois eu lembro. Lembro também que homem não gosta de ficar de amasso e depois receber um não, “eu não quero transar contigo”. Eu lembro todos os dias dos seus ensinamentos e por causa deles que eu estou aqui hoje, rejeitando qualquer saidinha medíocre com a vã tentativa de me levar para a cama depois de uns três copos de vodka. 

Afinal, como diz aquele texto magnífico que eu li num site, eu faço parte da geração inamoravel. Eu assunto os homens por ser forte e decidida. Eu assusto por ter voz ativa. Eu assusto por não querer que você pague o meu almoço. Eu assusto por não seguir o mesmo padrão dos anos 40. 

Obrigada, sua participação no meu crescimento mental e emocional foi de imensurável importância, espero que as outras possam retirar as mesmas lições que eu, ou mais próximas possível. Até logo. 

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Carta para meu querido desconhecido


Shakespeare disse: 
Estas alegrias violentas, têm fins violentos
Falecendo no triunfo, como fogo e pólvora
Que num beijo se consomem.
Hoje está uma bela noite, as estrelas decoram o céu em seu misto de negro e azul marinho. Eu estou deitada na cama, olhando para o teto e recordando das coisas da vida. Dos beijos, dos abraços, dos encontros mal planejados, dos sorrisos, das felicidades tão meramente momentâneas que em poucos dias nem um suspiro de recordação restava. Como fomos fúteis, meu querido desconhecido. Estivemos um nos braços do outro durante inúmeras noites, os beijos e os sorrisos de despedida parecem-me tão superficiais agora. Te abanar da janela do meu apartamento do terceiro andar vestida apenas com a minha camisola de cetim, sem medo do que os outros iriam pensar. 

Eu serei perdoada se argumentar dizendo que era infantil? Que para mim a vida era tão fugaz que deveria ser vivida intensamente? Acho que isso não é uma boa desculpa para dar a alguém como você que entregou sua alma e abriu seu coração para uma pessoa como eu. E o que eu fiz? Machuquei-o. Feri quem provavelmente poderia vir a se tornar o amor da minha vida. 

A culpa foi daquele maldito verão de 1940 quando aceitei viajar para o litoral com minhas amigas. Elas disseram: "Divirta-se, você logo estará casada com aquele Advogadozinho metido!", mas eu estava bêbada demais para contestar, e você, você estava tão atraente com aquela camisa azul da cor do mar. A música era tão sedutora quanto seus lábios finos. Eu nunca gostei de caras como você, sempre tão esnobes, pareciam que não ligar para mulheres como eu, e provavelmente fosse isso, eu era esnobada por ter herdado a fortuna da minha família e os cabelos de Cigana da minha mãe. Pobre mulher. 

Aquelas férias foram inesquecíveis! Admito, mesmo se quisesse não haveria como esquecer tudo o que passamos. Você me fez pular nas águas geladas daquela cachoeira, eu tremia feito um passarinho recém saído da casca! Mas você ria de todas as coisas que eu fazia mesmo não sendo nem um pouco engraçado. Acho que o senso de humor estava somente em você, e as coisas eram cômicas porque eram com e pra você. Então o verão acabou. E cada um deveria voltar para sua vida cotidiana. Voltaríamos a ser meros estranhos um para o outro. Na verdade, sempre fomos estranhos, nosso relacionamento tão íntimo, tão verdadeiro foi também tão superficial. Problemas e deveres não existiam, nada além de festas, bebida, sexo e diversão era citado no nosso dia a dia. 

Erramos mais ainda quando tivemos a magnífica ideia de nos encontrar na surdina. Entrar e sair no meio tempo que meu noivo não estivesse lá me visitando, visitas feitas para saber o que eu estava fazendo. Mas, afinal, qual o problema não é? Ele nunca aparecia antes das onze e meia da manhã e jamais passava das dez da noite fora da sua cama. O trabalho o requisitava cedo, todos os dias. Ele era o homem que beijava a minha mão e almoçava comigo. Você beijava as minhas coxas, seios e ombros, éramos a refeição um do outro. 

Até aquele dia fatídico. Por que um homem de negócios largaria o trabalho no meio da manhã para ir a casa da sua noiva contar que virou sócio do Escritório de Advocacia mais ilustre da cidade? Por quais motivos ele decidiu acordar sua noiva e a surpreender enquanto ainda estivesse com os tecidos finos e semitransparentes da sua roupa de dormir? Porque, na verdade, ele ficara sabendo que sua noiva estava tendo encontros com um homem qualquer que trabalhava para uma loja que vendia e arrumava livros estragados.

Ele abriu a porta aparentemente como sempre, mas carregava uma pistola na cintura. Eu não lembro quais foram as palavras que ele gritou ao ver você me abraçando. Nós estávamos tão envoltos em nossos próprios seres, em nosso próprio mundo, que o resto era o resto. Mas o estampido que a bala fez ao sair do cano da pistola chama qualquer um para vida, e para a morte. Você sangrou litros, pensei que havia morrido e a mão dele era pesada ao agarrar meu braço e me arrancar dali. Quando voltei ao apartamento o tapete havia sido removido e as roupas de cama também, mas o colchão ainda tinha marcas suas. Nunca mais tive noticiais suas durante todos esses anos, nos mudamos, meu noivo e atual marido na época abriu uma filial do escritório em outra cidade e nos fomos para lá com nossos dois filhos. Desde lá se passaram trinta anos, fui ao antigo escritório para agilizar os papéis relacionados as posses do falecido, ele teve uma parada cardíaca no meio da noite, quando acordei já era tarde. Estava voltando de lá, por uma ruazinha, quando vi na vitrine de uma livraria uma foto sua dizendo que estaria lançando seu terceiro livro. Você está vivo, mas eu não tenho o direito de reivindicar algo. Eu o feri e convivi trinta anos com isso, com o olhar atento do meu marido em relação as minhas idas e vindas cotidianas. Éramos um casal feliz, eu sabia disfarçar. 

Espero que esteja bem e que não sinta mais as dores que aquele dia lhe causou. Espero que o dono da livraria consiga lhe entregar a carta, quem sabe você ainda se lembra das vezes que dançamos bêbados na areia da praia. 
Seja, acima de tudo, feliz em meu lugar, seja feliz por mim, por nós. Viva, pois eu morri. 

Ass: Sua amada.

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Cartas perdidas de Isabelle


Isabelle escrevia em seu diário todas às noites, mas algo mudou em sua vida, num daqueles dias ensolarados demais e que a roupa gruda no corpo e tu só quer um banho. Ela encontrou o amor da sua vida, que duraria um pouco mais de um ano, e durante aquele ano ela se absteve de escrever em seu velho e fiel amigo diário e passou a anotar coisas aleatórias sobre ele. Por quê? Porque ela o amava em qualquer lugar e a qualquer distância.

Porém, as coisas começaram a dar errado. Ele pouco falava com ela, pouco a ouvia, pouco fazia questão de vê-la, e aquele amor genuíno foi se tornando ódio, ela o odiava com todas as forças possíveis e impossíveis de seu corpo franzino de 1,55 de altura. Ela o odiava até a raiz dos cabelos ruivos, em todas as sardas do seu rosto, em cada pequeno traço de seus olhos verde acinzentados. Ela odiava o fato de não conseguir odiá-lo por muito mais de uma semana, pois na outra ele lhe enviava uma mensagem sedutora e ela transbordava pelas bordas de suas curvas tão sutilmente desenhadas pela mão de algum artista perverso.

Isabelle é uma mulher doce, é um vulcão, ela está em constante ebulição, mas como lidar com isso? Se nem mesmo seus amigos e parentes a entendem? Se refugiar nos braços de alguém e ser submissa? Jamais! Ser “rotulada” como fácil? Será que foi isso que lhe sobrou? Ela pensava dias e noites, incansavelmente. E foi em um dia igual aquele que ela o encontrou que resolveu lhe enviar cartas, estas que seriam entregues via telepatia ou tele-transporte, pois nunca seriam lidas pelo homem do sorriso sedutor que roubou seu coração de menina e o corrompeu com beijos desejosos.

Ela disse para si mesma, agora chega, depois disso serei uma nova mulher, não! Serei eu mesma novamente, reformulada após esse longo tempo de afastamento do meu ser. Ela me escreveu contando tudo isso esses dias, e me permitiu ler as cartas, que diziam basicamente assim:

11. 05. 2014
Eu nunca pensei que iria me apaixonar por você no momento que dei “match” naquela rede social, pensei: “Ah, legal, ele deve ser alguém agradável de se conversar.” Mas, era muito mais. Suas palavras eram doces sem serem chatas, era divertido de um jeito culto, você era uma ilusão tão convidativa que seria tolice resistir, foi o que pensei na época, afinal, o que poderia dar errado? Tudo, absolutamente tudo poderia dar errado.
Depois de todos os meses, quando eu achei que estava segura e pronta para seguir em frente, você me chama e diz que me deseja, e novamente, seus lábios e olhares se tornaram tão convidativos. Tenho que ser forte. Sou forte, sempre fui e sempre serei. Não me trate como se fosse uma boneca, você sabe que não sou e que nunca fui. Foi bom enquanto durou, embora aquela angústia sempre esteve presente em meu peito,meus olhos eram loucamente apaixonados pelas sardas que desenhavam constelações em seu corpo.
Ah, seu corpo, tão sedutor (para mim), não tenho palavras para descrever, embora seu coração fosse um túmulo vazio. Não quero ver meu nome na lápide, então, meu bem, adeus.

27. 06. 2014
Meu caro ex-amor. Você foi ridiculamente desnecessário ao dizer “mas a minha garota gosta assim”. Você sabe que sou e sempre fui perdidamente apaixonada por ti, e mesmo assim, depois de tanto tempo que não nos víamos você falou aquela (com o perdão da palavra) merda.
 Você não sabe o poder que exerce sobre mim. Meu corpo todo congela, foi assim desde o primeiro encontro. Não sei como lidar com isso, não sei o que fazer para me curar dessa doença que é te amar. Veja só, até rimou, que coincidência maldita.
Eu poderia ter sido qualquer um de seus adjetivos pejorativos – dos quais todos os homens acham o máximo e um elogio, mas nós mulheres só gostamos de ouvir na cama, às vezes – e saiba que se você precisasse de um rim eu seria a primeira a entrar na fila de doação. Eu busquei te entender, mesmo que você não fizesse o mesmo.
Eu, com meu amor de menina quis mudar e curar seu coração. Então não faça pouco dos meus sentimentos e também não espere que eu pare para trocarmos palavras vazias no meio da rua. Não sou mais assim, não sou mais aquela menina que você conheceu e tomou nos braços sob a luz bruxuleante do quarto.
Não o farei mais. Não me verá mais. Muito menos saberá de mim. Serei livre como o vento e quem me ver saberá que vivi a vida no limite.


E foi assim que Isabelle nos deixou após uma dose de whisky naquela noite chuvosa, com um vestido negro e a boca vermelha. Uma mala debaixo do braço e a gola do casaco levantada. Ela foi ser livre como a brisa que umedecia os fios soltos de seu cabelo cor de tangerina madura. Afinal, aquela mulher é uma tempestade de verão. Ou será que é realmente um vulcão?

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Carta ao meu grande amor


Inspirado no filme “Se eu ficar”

   Meu amor, é a ti que dedico estas palavras, e sabendo que palavras não são o bastante para expressar tudo o que vivi e viverei, tudo e todos que amei, os obrigados e desculpas não ditos. Eu quero que mesmo que eu seja fraca e erre, mesmo que grite e chore, quero que fique comigo, como for, como der. Ah, amor, eu sofro tanto só em pensar em perdê-lo, não se vá e não me deixe ir, jamais.

    Se eu pedir “fique comigo”, tu ficarias? Eu sei dos meus defeitos, mas até um super herói tem uma fraqueza. Eu sou egoísta, sei que todos vêem isso, sei principalmente que tu vê, e tu me vê tão bem, sabe ler entre as minhas páginas amassadas e borradas, aquelas tristes e vazias que não permito que ninguém veja.

   Não se sinta só, pois nós sabemos o que é isso, eu estarei aqui, sempre, mesmo longe, mesmo quando nossos corpos forem poeira no espaço, seremos poeira de estrelas, e estrelas brilham, nós brilhamos, nosso amor brilha. Então apenas fique, e seremos fortes. 

   Tivemos e teremos bons motivos para ir, mas serão ou foram maiores dos motivos para ficar? O que será de mim se tu for para o horizonte distante? Quem será o espelho das minhas melhores faces e também dos meus olhares mais sombrios? Quem olhará pra mim dizendo “Tu está errada”, com um olhar de “Mesmo assim EU te amo”? Quem?

   Me abrace uma vez mais, como quando éramos mais jovens e os problemas suportados com uma canção lenta, uma valsa entre o sofá e a pia da cozinha. Quem me manterá nos braços até eu dormir e quem me acordará aos beijos ao domingo? Me pergunto, quem poderá um dia ensaiar te substituir, jamais, jamais o farão. 

   No tarô tem uma carta, A Estrela, ela lhe guarda segredos e presentes brilhantes, feche os olhos e basta desejar, que estarei em teus pensamentos, jamais esqueça quem te ama, quem tira o melhor de ti e quem mostra o quão ruim tu está sendo. São esses olhos castanhos, meio sem definição, e esse coração tão cheio de duvidas que te amará eternamente. 

   Sei que essa carta é só mais um monte de bobagens, mas eu vim e fiquei por um motivo, então, fique comigo só mais um pouco. 
Att. Seu Amor

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Era uma vez, uma menina... © Copyright 2011 - 2016. - Versão 9. Little nymph. Ilustração Martina Naldi. - Original de Muryel de Oliveira. Tecnologia do Blogger.