Resenha: Extraordinário - R. J. Palacio


Esse livro é uma fofura só, comecei a ler logo após a festa do pijama na casa da minha amiga e depois da leitura de O escolhido - Hannah Howell, e eu li ele em no máximo 10 dias, sendo 3 dias corridos na praia (eu li 60% nesses 3 dias). E, eu simplesmente amei e percebi como as pessoas são, como nós somos! 

A gente fala que aceita a deficiência (em suas diversas facetas), mas no fundo é estranho, é chocante, não conseguimos encarar uma pessoa assim, tanto por querer desviar por causa do desconforto quanto por achar que a pessoa vai ficar desconfortável, acredito que essas pessoas queiram ser encaradas, vistas, respeitadas e até que perguntem "o que você tem?". Lógico que existem pessoas e pessoas, algumas vão te abrir um sorriso e responder e outras irão fechar a cara e dizer que aquilo faz com que tu te sinta desconfortável! Na pedagogia estudamos sobre deficiência e como lidar com ela, mas na verdade nunca estamos realmente prontos ou preparados para lidar com humanos, nem eles conosco, pessoas e suas relações são delicadas, pois bem, vamos para o que interessa!

Informações:
 
(Skoob)
Ano: 2013
Páginas: 320
Editora: Intrínseca
Avaliação:★★★★★
Sinopse Skoob: O livro conta a história de Auggie, um menino que nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial. Em um manifesto em favor da gentileza, ele enfrenta uma missão nada fácil quando começa a frequentar a escola pela primeira vez: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

Resenha:

August Pullman é um menino de 10 anos que nasceu com uma síndrome que, vamos dizer assim, deforma seu rosto, chamada Síndrome de Treacher-Collins, combinada com uma anomalia genética rara, essas condições na percepção da sua irmã Olivia “fizeram guerra no seu rosto”. Seus olhos são grande e ligeiramente caídos nas maçãs do rosto. Orelhas? Algo como orelhas. Sua boca foi reconstituída de diversas formas, o que deixa seu sorriso um pouco inexpressivo. Auggie é um menino cheio de energia, que por vezes acaba se fechando para o mundo por causa da forma de como este o trata. Mimado e protegido pelos familiares ele não tem realmente uma experiência de vida, mas tudo muda quando ele passa a estudar em uma escola.
Os capítulos do livro são separados por nomes dos personagens, cada um conta sua versão da história e seus fatos particulares
No primeiro momento ele é recepcionado por três colegas: Julian, Jack e Charlotte. Julian é o riquinho pé no saco, Charlotte é a queridinha que se dá bem com todos e é a estrela das peças de teatro, Jack é, é o Jack.  Julian passa o ano letivo todo importunando Auggie, Jack se torna um amigo, embora hajam pequenas brigas e confusões no percurso e Charlotte, bem, ela é legal.

No primeiro dia de aula Summer se senta com Auggie na Mesa do Verão, como eles chamam por causa dos seus nomes e só quem poderia sentar ali seriam pessoas cujos nomes remetessem a estações do ano. Summer e Jack são os únicos que realmente falam com Auggie, até porque ele é todo cheio de complexos com olhares, gestos e ações das pessoas referente a sua aparência.

August passa por diversos momentos que só quem sofreu bullying na escola sabe como é. Nos sentimos fragilizados e recorremos a atenção da família e amigos, o que muitas vezes não é bem visto, já que os outros que não compreendem tendem a pensar que estamos nos vitimizando e fazendo manha, quando na verdade queremos sumir só um pouquinho, ser alguém diferente ou simplesmente ser visto como somos. E é isso o interessante da história, não é só o Auggie que sofre com o bullying e o descaso, mas sua irmã Olivia e sua amiga Miranda também, cada uma a seu modo: Via (como a chamam a maior parte do tempo) era a irmã do August, o menino com o rosto estranho. Miranda era a menina chata do acampamento que certo dia inventou umas mentiras e acabou ficando popular.

Elas se desentendem justamente por isso, Miranda parecia querer Auggie para ela, como um irmão que não teve. Via queria parar de ser a irmã do menino estranho, então quando mudou de escola acabou não contando esse fato para ninguém, fazendo novos amigos, parou de falar com Miranda e por assim vai. Percebe-se que até a própria irmã sofria com o estado de Auggie. Alguns dirão que é egoísmo, mas eu vejo como um "olá, eu também sou importante" que ela tenta passar durante todo o livro, apesar de ter adotado desde muito cedo a postura de irmã auto suficiente e protetora, no fundo ela só queria ser tratada como um ser aparte e ser vista pelos pais que só tinham olhos para as prioridades de Auggie.

Eu entendo bem a Olivia, por um tempo eu agia igual a ela. Queria ser vista, ganhar colo, mas tudo que eu fazia era o oposto. Era auto suficiente, fechada, brigava, e quando tentava me aproximar da minha irmã ela não queria uma menina grande e chata se metendo nas brincadeiras dela, então era bem ruim pra minha autoestima. 

Hoje eu estou levando esses casos para meu psicólogo para tentar o desbloqueio, mas não é fácil superar um trauma que vem se repetindo porque você somente abafou ele. Sofri com o bullying durante 10 anos na escola. Dos 8 aos 17 anos (que foi quando eu me formei), algumas coisas se repetiram na faculdade o que fez eu me desestabilizar novamente. Hoje eu consigo falar um pouquinho sobre isso, mas eu dei uma travada quando meu psicólogo tocou nesse ponto, fiquei emotiva e relutante durante dois dias, mas agora consegui engolir o sapo, e a ideia é remexer mais ainda nisso. 

Acho que o problema do bullying é a diferença que incomoda. O "querer ser o centro" e quando não se é, essas pessoas acabam reproduzindo um comportamento agressor. Acredito que são pessoas com baixa autoestima também.

Mas, voltando ao livro, eu separei uns trechos bem legais para compartilhar aqui. O livro gira em torno de preceitos, mais especificamente de um professor, o Sr. Browne, um deles em especial que eu adotei para mim e penso até em tatuar um dia no braço ou coisa parecida.
Preceito de setembro do Sr. Browne:
Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil. (p.55)
Esse acima é o que eu adoro, agora vamos aos outros.
Nesse mês (outubro), o preceito do Sr. Browne foi:
Seus feitos são seus monumentos. (p.72)
Adoro essa página em especial, é muito linda, então fotografei!

Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo - Auggie. (p. 313)
E, bem, tem esse preceito do August no final do livro que rola pela internet a solta e que eu não pude deixar de marcar:
E é isso, sabe? Gentileza é a mensagem que o livro passa. Ser humano, ser gentil, perceber o outro, não olhar as pessoas pelo que elas aparentam ser, as vezes acabamos nos enganando. Mas, o fundamental é que haverão pessoas que irão gostar de você com todos os seus problemas e cargas no exato momento que te conhecerem, haverão aquelas relutantes e aquelas que não irão gostar de você de cara! E o importante é não se importar tanto com isso. Meu pai diz: "fulano não paga minhas contas", ou seja, não devo nada para o "fulano", não tenho que ligar para a opinião dele, ainda mais se me fere, entende?

Achei um livro maravilhoso com essa campanha anti bullying e de amor ao próximo e as diferenças. Já é meu favorito e amadinho da estante, mesmo sendo só emprestado (Nanda, eu vou te devolver... um dia).

Espero que tenham gostado, porque eu empaquei três longos dias nessa resenha e sempre tinha alguma coisa que me impedia de escrever, ou era o intervalo do almoço acabando, ou a ansiedade para escrever sobre reformas ou minha mãe falando sem parar sobre algo que eu não lembro e daí não conseguia escrever nenhuma palavra, nem prestar atenção no que ela estava falando. Foram dias difíceis, peço perdão pela demora, haverão mais resenhas (em breve No mundo da Luna e Depois de Você).

12 comentários:

  1. Lembro que comentei seu post do Facebook perguntando se tu havia gostado do livro e fiquei feliz em ver uma resenha por aqui. hehe

    Aliás, diga-se de passagem, essa resenha ficou fenomenal! Passou todas as impressões necessárias, curti muito. Esse é um livro que está na minha lista faz bastante tempo e, inclusive, ganhei um chamado "365 dias extraordinários", que está relacionado e vem cheio de frases motivadoras.

    Estou doida para ler "Extraordinário" e acho que vou gostar bastante, pois adoro livros que mostram cotidianos e visões diferentes. Faz a gente sair da zona de conforto, né?

    Beijão,
    Attraversiamo

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    1. Sim, bastante! Eu baixei uns ebooks de livros relacionados e também quero ler esse "365 dias extraordinários", parece ser bem lindo!

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  2. Esse livro está na categoria de melhores que eu já li. Sabe, ele me fez refletir muito sobre muita coisa, além de ter entrando numa campanha particular pela gentileza. Me fez ver que, independente de estarmos tendo um dia bom ou ruim, um simples olhar toro para uma pessoa pode magoar, sobretudo se aquela pessoa tiver uma aparência peculiar!

    Adorei a sua resenha e a forma como você nos apresentou o livro! Espero que muitas outras pessoa o leiam, principalmente porque agora o filme será lançado <3

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    1. Siim, o filme! Na verdade eu me interessei pelo livro justamente por isso, porque ele meio que passou batido por mim quando foi lançado e depois eu nunca mais vi ele, então encontrei na casa da minha amiga e eu juro, não estava dando nada por ele e me surpreendi!

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  3. Amei a resenha, foi um alvoroço quando esse livro foi lançado, mas eu ainda não tive a oportunidade de lê-lo! Eu ia pegar na biblioteca, mas ela fechou!
    Fico feliz quando surgem livros usando o bullying na história!

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    1. Vou fazer assim! Vou tentar achar dois livros baratinhos no sebo e te envio um, certo? Você DEVE lê-lo!!! É maravilhoso!

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  4. Olá! Várias pessoas já me recomendaram este livro, e percebi que realmente tenho que adiciona-lo a lista de próximas leituras. Ótima resenha.

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  5. Resenha linda, você transmitiu bem os sentimentos que o livro passou.
    Li Extraordinário no ano passado e foi uma das leituras mais maravilhosas que já fiz. O livro tem uma leveza absurda para se tratar de temas tão difíceis de se passar. Acho que, como a ideia principal do livro, como você colocou, que é a gentileza, o livro nos passa tudo no mesmo tom de gentileza que deseja que repassamos às outras pessoas.
    Um dos meus trechos, digo, preceitos do Sr. Browne, favoritos:

    Preceito de Maio do Sr. Browne:

    Faça todo o bem que puder,
    De todas as maneiras que puder,
    De todas as formas que puder,
    Em todos os lugares que puder,
    Em todos os momentos que puder,
    A todas as pessoas que puder,
    Sempre que puder.
    - Regra de John Wesley

    xoxo

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    1. Ain, sim, lindo!!!! É, mas não adianta, o meu favorito é o que setembro! Sim, gentileza, gratidão, sentimentos de empatia e é isso que nós precisamos nesse mundo atualmente com tantas guerras e problemas com violência e intolerância!

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  6. Não conhecia esse livro, andei um pouco relapsa com minhas leituras e estou super atrasada nas novidades e até nos que não é mais tão novidade assim. Mas amei sua resenha, parece ser um livro que trata de assuntos sérios mas de uma forma leve e que dá vontade de ler. Fiquei encantada.

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