Não sei ser feminista


Constatei depois de uma longa reflexão embaixo do chuveiro que não sei ser feminista. Eu fui criada por uma família considerada "conservadora”, apesar de pensar que todos devem ser o que acharem que tem que ser e respeitar as suas escolhas minha família ainda tem seus resquícios do machismo e idealiza algumas coisas como certas, mas isso cabe para eles e não para mim. Apesar de tudo isso, eu fui criada para me amar e não depender de homem, para ser meu porto seguro, para seguir em frente, para “saber escolher o melhor para mim” é saber fortemente o que me serve e me é útil e o que não é.

Mas, mesmo assim, eu não sou desconstruída o suficiente para ver estigmas em tudo, acho louvável que minhas amigas consigam, mas não suprir essa expectativa talvez me frustre um pouco. Eu não sei ser feminista, eu detesto o radicalismo em qualquer instância, eu também não gosto de me manifestar em relação à política, tampouco tento manifestar minha opinião sobre algum assunto por medo de não ser politicamente correto.

Não estou me vitimizando, embora minha lua em câncer ajude nesse quesito, mas muitas vezes das quais eu tento expor minha humilde opinião sou advertida, tanto em casa quanto na rua, que minhas ideias e forma de pensar estão erradas, que não é assim, e me “provam’’ por A + B que o que dizem tem fundamento e lógica. Eu desisti do coletivo de mulheres que andava participando, desisti de manifestar minha opinião sobre assuntos tão "polêmicos”, desisti também de tentar agradar os outros e já tenho uma pauta para a próxima consulta com o psicólogo: Por que eu sempre sou corrigida gentilmente pelas pessoas por causa da minha forma de pensar, sendo que não pedi base teórica, muito menos opinião sobre meu modo de construir meu pensamento e de viver meus ideias. 

4 comentários:

  1. Oi, Muryel. Pessoalmente, eu não ligo de ser corrigida sobre feminismo e politicamente correto. Acho que a gente tá aqui para aprender mesmo, porque todo mundo cresceu numa sociedade machista e preconceituosa e sofre os efeitos da influência dela todo dia. A conversa vira um debate sobre assuntos interessantes, que termina sendo melhor que muitas conversas por aí, em que o pessoal só fala mal dos outros.

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  2. Eu tenho a impressão de que sou reaça demais no meio das feministas e vice-versa, então nunca me senti à vontade em expor totalmente as minhas idéias em qualquer grupo, coletivo ou whatever - uma hora ou outra, sempre chega um olharzinho torto mesmo. Mas sigo agarrada à minha carteirinha de feminista porque acho que no fim das contas, ser feminista é querer um tratamento igualitário e decidir por si própria como viver sua vida, né não? Acho que a gente tá certa em fazer assim :)

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  3. Sabe que me sinto como você? Também não sei ser... e ai se eu falar isso abertamente, capaz de 300 mil pessoas virem me dar uma "aula" ou 300 mil pessoas me apedrejarem... melhor eu ficar quieta xD

    Memórias de uma Guerreira

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  4. Me identifiquei muito com seu ponto de vista. Acho que um dos grandes problemas em adotar um ponto de vista, hoje em dia, é que as pessoas esperam que você esteja 100% certa sobre aquilo. E eu, na maior parte das vezes, não estou.Eu gosto de ser livre para pensar e tentar entender tudo ao meu redor, e enquanto radical, não teria esta liberdade.
    Amei o blog, estou seguindo.
    Beijo!

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