Tragédias da Educação


 Em uma conversa com umas colegas de faculdade, chegamos à conclusão de que as pessoas (pais) não querem ver a verdade sobre seus filhos, que eles brigam, mordem, não tem realizam atividades com destreza, eles PAGAM e querem resultados. Simples assim. Então, se o aluno não faz as atividades, as “profs” terminam por eles, “pinte como uma criança de três anos” foi o que minha colega ouviu em seu emprego. Ou então quando um aluno bate noutro, morde ou machuca de qualquer forma, nós “educadoras” temos que camuflar de qualquer forma isso, e em ultimo caso, quando a coisa já está fora de controle, conversamos com os pais. Ou quando omitimos que o aluno comeu tudo, que faz todas as atividades corretamente, porque o portfólio tem que estarem bonitos e como dito anteriormente, os pais querem resultados.

 E tem mais, se a criança tem um arranhão, um cabelo fora do lugar, é processo. Agora, quando eles são descuidados, o que vemos diariamente, crianças com cortes na cabeça e rosto por descuido dos pais, eles se escapam da responsabilidade de reportar a escola. Já troquei crianças que foram bem higienizadas e estavam bem, foram para casa e voltaram com as genitálias totalmente em carne viva, que dava dó só de olhar. Vemos pais que não estão presentes e compensam com bonecas novas a cada dia. Desculpem-me os educadores de plantão, mas há duas coisas fundamentais para o desenvolvimento moral de uma criança: amor e limites.

 Ou então quando ouvi que eu não sabia brincar com as crianças. Eu realmente não sei. Acho que elas tem o mundinho delas e eu não devo me meter, muito menos “ensinando-as a brincar”, introduzindo métodos e ideologias adultas de como se deve brincar de boneca, de carrinho, “porque isso não está certo”, mas meu caro leitor, o que é correto para o meu padrão de moral e ética pode não ser o seu, o que eu acho belo pode lhe causar repulsa, então como nós adultos e responsáveis podemos dizer tais palavras? Ensinar a criança a brincar é padronizar o seu imaginário, é prepará-lo para agir como uma máquina em uma linha de produção exigente. Onde estão as escolas e educadores construtivistas?

 Me pergunto para onde vão todas as idéias revolucionárias que aprendemos a desenvolver na faculdade, se quando nos formamos temos que seguir a risca os padrões de ensino defasados de muitas escolas de “nome” justamente para mantermos nossos egos alimentados e nossos estômagos cheios (e as carteiras). Ouvi da minha tia, recém formada também em pedagogia “te acostuma, que as coisas são assim, auxiliar é auxiliar e ninguém vai te ensinar nada, muito menos te informar sobre as atividades do dia, a professora titular só vai te avisar o que é pra fazer e tu faz, simples”. Essas palavras me deixaram sem chão. E o pior foi que ela afirmou fazer o mesmo com a auxiliar dela, ou seja, um dia ela foi tratada dessa forma e agora está fazendo o mesmo, entrando em um padrão ridículo.

Acredito que se queremos tanto esse tal de “resultado” das crianças e a evolução da educação, podemos partir do principio de ouvir mais e impor menos. Ter firmeza, ser justo e pontuar os valores, ser antes de tudo franco com os pais e familiares, que eles precisam por limites, que amar não é deixar o filho fazer absolutamente tudo. Mas, afinal, quem sou eu para fazer essas tantas especulações? Sou apenas uma estudante de terceiro semestre, nunca fui mãe e estou estagiando fazem apenas poucos meses. Contudo, isso basta para plantar a semente da discórdia e fazer muitos pensarem.

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