Sobre sentir


Afinal, o que é sentir?
Cada pessoa sente igual?
A minha dor é maior que a dos outros? 

Sentir vai de cada um, primeiramente. O meu sentir é uma construção que se dá desde o útero, se minha mãe cantava para mim, se meu pai acariciava a barriga dela e falava com uma voz terna comigo, se me afagavam enquanto me nutriam ou trocavam a minha fralda, se eu me sentia amado e ouvia que era amado, porque muito mais que sentir, é necessário ouvir. 

Estava estudando sobre isso, "sentimentos e aprendizagem" e mais as demais aulas de Neurociências etc, e é fato que associamos algo à pessoas desde a infância. Se não gostamos de matemática hoje é porque provavelmente a primeira professora dessa disciplina não nos agradou, algo no seu jeito de falar ou se portar conosco.

Eu detesto química do ensino médio, mas eu era ótima na oitava série. Por quê? Porque eu detestei desde o primeiro dia de aula a "má amadisse" da professora, sério, odeio gente mal amada que parece gostar de estragar a vida das outras pessoas de bem com a vida. 

Escrevi em um "tema" que a professora propôs sobre o tal artigo dela (que ela não colocou referência e por isso não havia como compartilhar),  que segue:
Em resumo, tudo, realmente tudo pode influenciar a criança nessa etapa tão importante, onde ela constrói o que é, é sua formação como ser humano em uma sociedade. O meio, a base familiar, a escola e os amigos, os professores e adultos próximos irão influenciar consideravelmente em sua forma de pensar ou de sentir o mundo. Uma criança que não recebe afeto, passará a não conseguir demonstrar afeto posteriormente, hipoteticamente falando, pois ela não desenvolve essa empatia.
E é essa tal empatia que nos molda, molda nossos gostos, o meio onde buscamos conhecer pessoas, e até mesmo em nossa profissão. Vemos pessoas que escolhem cargos de isolamento, por que? Porque preferem ficar horas na frente de um computador ou lidando com animais no ártico, do que ficar em uma sala cheia de pessoas falando e lhe olhando. Ela escolhe não gostar daquilo, e é assim que se dá o aprendizado, quando não gostamos de alguém acabamos bloqueando algo na nossa vida em relação à essa pessoa. Porque a professora não te olhou nos olhos, ou porque ela gritou, isso já causa uma “não vontade” de aprender matemática (afinal, por que sempre usamos matemática? Eu sempre fui péssima em gramática porque achava as professoras de português muito frias, e não gosto muito do prédio 8 porque acho ele “frio como as pessoas de lá”).
Mas por que a criança desenvolve esse modo de se auto sabotar? Provavelmente para mostrar, consciente ou inconscientemente que tem algo errado com ela. Se ela não se sente vista ou amada ela irá se fazer notar, causando problemas dos quais ela não tem. Crianças adoecem sem adoecer para que os pais passem mais tempo em casa, cuidando e acarinhando eles. O ser humano, mas principalmente a criança não aprendem sem sentir, o sentir é ligado durante a vida ao seu modo de pensar. Pessoas consideradas lógicas acabam usando menos o “coração” na hora de fazer as escolhas e creio que seja um equilíbrio, o emocional e o lógico, os dois planos entram em comum acordo.
Passei por algo assim na adolescência, eu estava sofrendo bullying agressivamente na escola, mas em vez de falar, eu me fechei, apesar de ser uma boa aluna, nas aulas eu não me interessava, ficava lendo algum livro aleatório, mal prestava atenção, mas ia bem nas provas, porque eu detestava copiar, e ainda detesto, se eu prestar bem atenção, eu gravo. Mas, se aquilo não me “prende”, não me “cativa” eu preciso anotar porque eu não vou fazer questão de lembrar. Ninguém notou que eu estava mal, porque “eu fingia bem” e aparentemente a criança que se auto sabota finge muito bem que está tudo bem e que é só aquilo ali que todos veem que é verdade. Mas, não é, é preciso ter olhos bem abertos aos pequenos sinais.
O afastamento, a rebeldia, a aparente frieza e apatia, e diversos outros modos de fuga. Apesar de ela não mostrar que está mal, ela mostra. Porque nós somos seres que sentem, e ao meu ver, é impossível pensar sem sentir, sem se pôr no lugar do outro, sem se compadecer, porque de certa forma nós aprendemos quando dói, é concreto isso na vida da criança. “Não põe a mão aí porque está quente” e ela põe, então ela para, te olha e repete mentalmente que aquilo ali está quente e quente machuca, então ela passa (ou não) a não fazer mais aquilo.
A criança só aprende quando aquilo significa algo para ela, por meio da dor, da alegria, do afeto, porque ela quer agradar alguém ou se agradar, e por aí se ramificam diversas outras alternativas. 
Ou seja, não vamos e nem pretendemos criar psicopatas e psicóticos emocional afetivos por aí, então além de ser um aviso aos pais e educadores, é um alerta á sí mesmo. Será que tu não tens algum problema psicológico devido à época "x" da tua adolescência ou infância? Eu, Muryel, estou buscando ajuda, e sei bem como é passar seis ou oito anos lutando contra a ideia de ir à um psicólogo, para mim era uma ofensa esse pensamento passar na cabeça das pessoas à minha volta, mas não, não era, era uma forma de ajuda, e eu não vi! 

Por isso, hoje eu digo, olhos abertos, sempre, ao menor movimento, à menor suspeita. Porque somos tão frágeis, mas tão frágeis e não nos damos conta que aquele deslize de uns anos atrás pode ter nos detonado por dentro e há concerto, porém é necessário se permitir!

2 comentários:

  1. Srta. Poulain, eu sou uma apaixonada pela psicologia!
    Muito bom o texto, muito bom mesmo!
    Uma psicologa vai dar à você a chance do autoconhecimento, pois, muitas vezes, como vc mesmo suscitou no texto, nós nos sabotamos e passamos por cima sem dar importância aos acontecimento que vão ficando para traz e não mais nos incomoda tanto (pois ficam soterrados, mas não deixam de "existir"). A grande questão é que com certeza, tudo, absolutamente TUDO, impacta o nosso modo de ver o mundo bem como o nosso modo de reagir frente ao mundo!

    não sei como consegui o "discernimento" que tenho hoje, pois olho para traz é vejo que tinha tudo para ser totalmente o contrário! rs...

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    1. Discernimento é tudo, saber o limite, e eu sei que não posso parar, a psicologia é tudo de bom, ainda mais se acompanhada de uma boa espiritualidade!

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