Uma mera Desconhecida


Olá caro leitor, para você, neste momento, não passo de uma mera desconhecida que sofre de dores nas mãos e mesmo assim, está aqui, às 02:00 da madrugada, escrevendo. Sem nomes ou lágrimas contarei a minha breve história.

Nasci há alguns anos, com uma forte esperança de que tudo seria melhor, mas ao longo da minha turbulenta adolescência percebi, com as palavras de uma amiga, que o mundo é preto e branco, mais exatamente, ela dizia: “O mundo é uma bosta e estamos todos cagados”

Pensei em colorir meu mundo, mas a cada dia, mês ou ano percebia que era tão difícil quanto fazer chover no Saara. Vi amores cheios de esperança e doçura, tentei fazer o mesmo, mas o que consegui foram bons arranhões e cicatrizes profundas em minha alma e coração. Pobre coração sonhador, desejava apenas ser confortado, e eu tola, o joguei aos leões famintos e sagazes. 

Infelizmente, mesmo tentando lutar contra a injustiça, perceba, o mundo não é justo, alguns dizem “o mundo é dos justos”, não, não mesmo, o mundo é de quem ganha mais, rouba mais, fode mais com os menos inteligentes ou com menos recursos. O mundo é o céu da boca de um jacaré. 

Afoguei-me em pensamentos e lágrimas muitas vezes, e também na banheira, mas temi realmente morrer e não completar a minha grande obra. Plantei umas boas dez árvores, mas falta o tal livro, que toda pessoa deveria escrever ao final de sua vida, é uma meta. 

Todos falam que faço drama, mas o que eles vêem é apenas a ponta do iceberg, detesto quando comentam algo como “Nossa, como tu estás profunda hoje”, eu sou profunda o tempo inteiro, a vida toda. Eu já cheguei ao fundo do poço e sei o quão difícil foi de subir razoavelmente até o topo. 

Minhas revistas de literatura estão começando a acumular pó, gostaria de ter ânimo de tirar uma a uma e limpá-las, mas, veja bem, não tenho um pingo de agilidade nem mesmo quando algo está pegando fogo, quando um relacionamento está afundando, porque tiraria o pó das minhas revistas? Você tiraria o pó delas? Foi o que pensei. Não.

No final, falei muito e não disse nada, mas a vida não é isso mesmo? É um faz de conta que sei de tudo, mas no fundo sei que não sei nada. O universo é tão vasto e eu sou apenas uma partícula de um grão de areia em uma praia do planeta terra. 

A vida se resume a um suspiro, às vezes mal dado, outras que te tira o ar. Lembre-se de não desmaiar, siga em frente e faça o melhor que conseguir, talvez assim, quem sabe, consiga ser o grão de areia, em uma praia, no planeta terra. 

Agradeço pela atenção, um breve adeus, nos falamos.

2 comentários:

  1. "Você tiraria o pó delas? Foi o que pensei. Não." Consegui te ouvir dizendo isso, hahahaha
    O texto tá tua cara, guria. E é bem isso mesmo: a pessoa é, no fundo, um ser humano mesmo, mais um como tantos outros, apesar de diferentes, cheio de particularidades (ó a aula de antropologia ♥).

    ;*

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    1. Hahahahahah verdade, são como os teus textos, leio ouvindo a tua voz!

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