A Rosa de Miguel - Capítulo 2 - A doce menina (parte 1)


Rose crescia rápido e forte, era doce, delicada, mas a mãe percebera que dentro dela havia uma força enorme, uma mistura de confiança, compaixão e até certa ferocidade.

Desde pequena ela não se importara de brincar com os meninos, embora, brincasse bastante com as meninas. Ela sabia o que queria, era decidida, porém, muito chorona e coração mole. Era só algum bichinho morrer que desatava a chorar, a mãe ria a levando para a estufa onde ficavam suas tão amadas flores.

Ela ensinava à filha a arte das plantas e flores. Quais flores eram venenosas, quais viravam chás que curavam. Rose era uma menina esperta, alegre e espevitada, porém, dentro dela havia algo que sempre a levava a olhar para o céu. Ela o admirava, varria as estrelas em busca de algo, o fazia todas as noites depois dos 10 anos, debruçava-se no parapeito da janela e cantarolava para o céu uma cantiga que ouvira muito a mãe cantar para ela.


... Se essa rua, se essa rua fosse minha... Eu mandava, eu mandava ladrilhar... Com pedrinhas... Com pedrinhas de brilhante, só pro meu, só pro meu amor passar...
... Nessa rua, nessa rua tem um bosque... Que se chama que se chama solidão... Dentro dele, dentro dele tem um anjo... Que roubou que roubou meu coração...

E lá do céu, sorrindo enquanto as lagrimas fugiam de seus olhos, percorrendo as maçãs de seu rosto, Miguel respondia a cantiga de Rose.

... Se eu roubei, se eu roubei seu coração... É porque, só porque te quero bem...

Então com um súbito surto de alegria, Rose fechava a janela do quarto indo até a cama e se enroscando embaixo das cobertas. E como em todas as noites, antes de dormir ela dizia.

– Boa noite... – e fechava os olhos.

Mesmo sem ser para alguém especifico, ela desejava uma boa noite a uma pessoa especial, alguém que pudesse ouvi-la de coração, mesmo de longe.

– Boa noite... Minha pequena rosa... – sussurrava Miguel em resposta.

Havia noites em que Rose se lembrava dos sonhos. Outras era apenas o sono, sem nenhum sonho ou lembrança. Nos seus sonhos ela sempre estava em um lugar lindo, paradisíaco, o céu, era limpo e claro, tranqüilo e aconchegante como os braços de sua mãe.

No sonho havia sempre um belo homem, talvez um anjo, ela pensara. Ele tinha o porte firme, era alto, já que qualquer um poderia ser mais alto que Rose, com seus 1,60 de altura. Sua pele era clara e seu corpo não só alto, mas, também longo, pernas e braços magros, porém fortes, bem definidos em si, o formato do rosto tão delicado e ao mesmo tempo tão masculino, parecendo uma pintura, nele tinha sido esboçado lábios finos e convidativos, escondendo um sorriso encantador. Seus olhos eram do azul mais profundo, cujas águas do mar mais calmo nunca se comparariam. Seus cabelos na cor castanho-escuros eram longos, quase alcançando a cintura, formando leves ondas da raiz até as pontas.

Ela admirava aquele homem de seus sonhos desde a primeira vez com que sonhara com ele. Foi em uma noite fria e ela havia dormido chorando, se sentia sozinha, quando derrepente sentiu um abraço acolhedor e ao abrir os olhos viu uma grande luz a envolvendo e logo tomando forma, a forma de um homem.

Ele sorriu para ela e disse calmamente para ela nunca mais chorar, pois, ele sempre estaria com ela. Suas conversas eram sempre curtas e nada reveladoras. Às vezes apenas ficavam sentados um do lado do outro enquanto ela fazia uma fina trança nos cabelos dele e logo a desmanchava, passando os dedos levemente pelos cabelos.

Ele, como sempre, calmo, apenas sorria, voltando a olhar para o longe. Mas, teve uma noite em especial, à noite em que antecedera seu aniversário de 18 anos. Estavam em um vasto campo na cor verde cintilante, a brisa era leve e agradável, ele estava deitado de olhos fechados enquanto ela estava sentada apoiando o queixo nos joelhos, que estavam envolvidos por seus braços.

Ela logo sentiu algo em seus cabelos, um movimento estranho e assim, virando-se para ver o que era se depara com aquele belo homem, sempre o mesmo, seu amigo de data, mexendo em uma mecha de seu cabelo. O enrolava em volta do dedo indicador lentamente, sem sequer tirar os olhos daquela mecha clara e delicada.

– O que há de errado? – ela pergunta confusa, pois, ele mal a tocava, embora deixasse que ela o tocasse nunca protestando.

– Hm? Como assim? Não posso tocar em seu cabelo? – voltando os olhos azuis profundos e fixando no olhar dela.

– Não é que... – ela abaixava o rosto, sentindo-o quente. – Você nunca me toca, então eu fiquei surpresa... Só isso!

Ela houve uma gargalhada, podia sentir os finos lábios dele abrindo-se em um sorriso, este do qual ela era apaixonada, “sorriso delicioso” como o denominava. Logo se virando pode vê-lo sorrindo docemente e respirando fundo voltava a fitá-la, agora mais firme e sério. Sentando-se a olhava de cima, porém, nunca arrogantemente, mas sim encantadoramente.

– Era para ser segredo, mas, eu sempre amei seus cachos, são lindos, só que nunca tive coragem de tocá-los. Esta é a verdade Rose!

Ela corara ainda mais a ouvir aquilo, estava prestes há fazer 18 anos, seu pai disse que logo lhe arrumaria um marido, pois, já estava passando da hora de casar. Ela não podia aceitar alguém que não amasse, mas, quem ela amava não era real e sim, um sonho. Desde o primeiro encontro o amara, por 6 longos anos viveram esperando pela noite, por seus sonhos.

Derrepente um medo lhe bateu! Será que esta é a ultima vez que nos vimos? Por que ele está diferente? Até seu modo de falar está mais carinhoso, alegre. Ela tinha uma pergunta a lhe fazer, mas nunca tivera coragem e já que ele nunca tocou no assunto ela o deixara guardado.

– Hm queria lhe perguntar algo... – ela sussurra.

– Diga!

­– Qual seu nome? Sempre quis saber, mas, nunca tive coragem de perguntar! – ela o fitava fixamente aguardando ansiosa por sua resposta.

– Na hora certa você saberá, eu... Prometo! – ele abaixara a cabeça, parecendo um pouco distante.

Continua...


~ Um pequeno comentário sobre essa cantiga de roda que Rose canta e Miguel a acompanha. Escolhi essa música, pelo simples fato que, meu pai cantava para mim, e eu sempre a completava e já que se trata de anjos decidi usar essa que é tão especial para mim! ~

3 comentários:

  1. Que lindo capítulo Mury-chan! Tão romantico, leve, e envolvente! Esse capítulo me deixou ainda apaixonada pela história de Miguel e Rosa, o amor deles é tão forte, mesmo ela não podendo se lembrar.

    Enfim, capítulo belo. Parabéns.

    Bjs

    daimaginacaoaescrita.blogspot.com

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  2. Obrigada Sammy!!! Hmm tem que ver o resto desse capítulo!! É ainda melhor!!

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  3. Tão fofi a letra da musica >.<
    Gostei tanto da 1 parte.. QUE VENHA A 2ª!! *-*
    *esperando*

    kissu >3<

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Era uma vez, uma menina... © Copyright 2011 - 2016. - Versão 9. Little nymph. Ilustração Martina Naldi. - Original de Muryel de Oliveira. Tecnologia do Blogger.